sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O DUQUE DE CAXIAS

O Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, fundador da República e o 13º Grão Mestre da Maçonaria, foi iniciado em 20 de setembro de 1873 na tradicional Loja Maçônica "ROCHA NEGRA", do Oriente de São Gabriel, Estado do Rio Grande do Sul. Deodoro, era a esse tempo, o coronel comandante do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, sediado em São Gabriel. Em sua memorável cerimônia de iniciação, foram seus companheiros, os capitães João Vicente Leite de Castro, Antonio Fernandes Barbosa e Idalino Favorino Vilaça: o alferes Cândido Marques da Rocha e os civis: Augusto Fayette, Thomaz Borges Fortes, Fiuzo Francisco Gonçalves e Gaspar Ferreira Cardozo. Comemoramos de forma expressiva o Aniversário da Proclamação da República, instaurada no país. Conta-nos a história do dia 15 de novembro de 1889 que "na casa de Deodoro, reuniram-se no dia 11 de novembro de 1889, os maçons: Benjamin Costant, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério, Rui Barbosa, Cel Catuária, Major Frederico Sólon Ribeiro, Almirante Wanderkolk, Frederico Lorena e outros, ficando combinadas as medidas necessárias não sem um certo trabalho do incansável Irmão Benjamim Constant, que só após alguns esforços, conseguiu vencer os escrúpulos de Deodoro, pois este apenas era apologista da revolução que derrubasse o gabinete Ouro Preto, e só depois de ouvir longamente Benjamim Constant, que era a alma do movimento republicano, foi que deixou escapar as suas primeiras palavras em prol da REPÚBLICA." Eu respeito muito o Imperador, está velho e eu queria acompanhar-lhe o caixão ao cemitério, mas já que ele quer, faça-se a República". E a quinze de novembro, o Irmão Deodoro da Fonseca, que havia passado o dia anterior acometido de dispneia tão forte que os seus amigos chegaram a pensar em adiar o movimento, assumia o comando das forças para proclamar a Republica. Foi o 13º Grão Mestre GOB no período de 1890 a 1891 e faleceu em 1892, três anos após ter proclamado a República. Coroava-se de pleno êxito mais uma luta da Maçonaria pela grandeza de nossa Pátria. Fonte: Revista "A Verdade" - Novembro de 1972.

O PASSADO É PASSADO

O Passado é Passado, mas o Amanhã durará para Sempre Em nossas vidas, tantas vezes olhamos para trás... pensando em como tudo aconteceu e como tudo poderia ter sido. Não há nada errado em olhar para trás, mas certamente é um erro ficar ruminando o passado e perguntando: "E se...?". Ao contrário, devemos nos concentrar no dia de hoje, no amanhã e nos amanhãs que estão por vir. Ainda há muitos dias maravilhosos no porvir. O passado é passado... mas o amanhã durará para sempre. Deixe que cada amanhã preencha seu coração com amor e risadas; os seus dias, com sonhos tornados realidade e sua vida, com uma esperança infinita de felicidade. Autor: A. Rogers

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

TUDO TEM SEU TEMPO DETERMINADO

TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. (Rei Salomão)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

HIROSHIMA SEM AMOR

DOUGLAS MENEZES

  O cogumelo parece sair das entranhas da terra. Como um deus sentenciando a todos. A rosa que o poeta falou: sem cor, sem brilho, sem cheiro, fabricando um jardim disforme, florido de flamejantes flores do inferno. A floresta do mal enegrecida pela intolerância do império. A história sempre foi assim: o poder não tem sentimentos. Não precisa de justificativa, a existência é feita de paradoxos: há vida, porque há morte. Na ação, todos os inocentes são culpados.
    Hiroshima não foi diferente. Hiroshima não é diferente. Ficou o mundo sob o domínio do medo. Até hoje os nascidos agora refletem o pesadelo. O argumento é forte: destruir para renascer. Hiroshima não tem amor. Dói muito, no entanto. Nascemos todos depois, mas é como tivéssemos nascidos antes. Ficar fazendo parágrafos para relembrar uma data que poderia ter sumido no tempo. Afinal, foi mais um ato histórico comum.
     Porém os eventos de outrora deixam vestígios de destruição, mas são congelados no passado, mumificam-se com o passar dos séculos. Hiroshima é outra história: o passado vive no presente e no futuro. Ainda estão nascendo os frutos daquela árvore: cancerosos, acéfalos, anencéfalos, mal pensantes, raquíticos, cegos e surdos. Hiroshima Meu Amor, a paz que reencontra o medo, o trauma, a vivência que não apaga da memória o horror. Templo nenhum que console os que surgiram pranteando aquele momento, que insiste em viver. Há mais de seis décadas Hiroshima foi o recado dado ao mundo: há sempre um rei em todos os tempos, e essa história imutável carrega o barco da humanidade de uma esperança  que deve ser a última a morrer, sem sabermos quando.
       Que se tenha em mente a necessidade de reviver. O esquecimento pode incentivar a repetição, pois eles se multiplicam como a Hidra de Lerna, da mitologia para os dias de hoje. E o dilúvio que destruiu um tempo nas águas da ira de Deus, poderá retornar trazendo não a força da enxurrada líquida,  mas a luz incandescente e envenenada do cogumelo do mal. Hiroshima, Hiroshima ....
Douglas  Menezes é membro da Academia Cabense de Letras (7 de agosto de 2013)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A VIDA É CURTA?

"Dizem que a vida é curta, mas não é verdade.
A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.
E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança traquina brincando de esconde-esconde.
Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando nãos: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.
A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador; quando
se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e
não montaria.
E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos..
Esta mensagem é um tributo ao tempo.
Tanto àquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto
àquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro.
Porque a vida é agora."

Revista Isto é no. 1773 24 Set. 2003 Editora Três

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O AMOR

Por Khalil Gibran 

E alguém disse:
Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.

Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.

Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.
 
Khalil Gibran

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A GERAÇÃO DIGITAL E O POVO NAS RUAS

Por Douglas Menezes

Eles chegam às ruas como se conhecessem e não se conhecem. Gritam palavras de ordem que não partem de nenhum comandante. Se perguntados quem é o líder, a resposta pode ser invariável: é o “face”. Em outras palavras, inaugura-se no Brasil um modo diferente de se mobilizar, de se fazer política de massa. A bofetada arremessada contra \os p...olíticos e seus partidos nesses dias tensos de manifestações, expressa uma mudança até pouco tempo inimaginável no país, um modo avançado de se juntar povo nas ruas, baseado totalmente na tecnologia, na civilização digital, e um aviso de que “nada do que foi será do jeito que já foi um dia”. A história está sendo reescrita ou seja, digitada pela nova geração. E a ausência de um conteúdo ideológicos nos protestos, antes de ser um componente alienante, serve para marcar espaço, para dizer que as velhas práticas políticas, com seus conceitos arcaicos e dissociados do momento atual, deve ser substituído por algo novo, que não sabemos, na verdade, o que é. Há, nisso tudo, um elemento sensitivo, à flor da pele, não sendo cerebral, é captado de modo espontâneo, baseado nas carências do dia a dia, que mexem, principalmente, com a sobrevivência de cada indivíduo: Educação, Saúde, Transporte, Inflação, Impostos e Corrupção dos políticos.

Por outro lado, observamos um aspecto cuja evidência ficou constatada nas manifestações: a classe política mostrou-se totalmente despreparada para entender e aplicar as novas tecnologias em suas ações. As velhas práticas seculares de anestesiar o povo, principalmente com o assistencialismo, o sempre deixar para amanhã o que é urgente, a distância entre a sociedade e seus gabinetes, o sentimento de impunidade, a esperteza, a endêmica incompetência, tudo isso parecia intocável para os políticos, mas a gota d’água chegou através dos gastos astronômicos com a copa do mundo, a ser realizada no próximo ano. Na verdade, o argumento da copa foi o acordar de um vulcão que há muito já soltava suas lavas.

A juventude digital, então, não perdoou. Se os excessos acontecem, a legitimidade do que ocorre nas ruas é incontestável. Que se cuidem as velhas direita e esquerda. Elas ainda cultivam ultrapassados líderes ditatoriais, que tratam seus países como feudos e impedem suas populações de terem acesso aos avanços tecnológicos e às transformações pelas quais passa o planeta. A Sociedade desorganizada está protestando, já alguns tímidos resultados aparecem. O que virá daqui para frente, não sabemos. Sentimos, no entanto, os ventos da mudança soprando. A continuidade das velhas práticas cansou a todos. A geração “ face book” deixa o recado claro: “ Nada do que foi será do jeito que já foi um dia” .

Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

UMA FLOR ENTRE AS PEDRAS

                  

DOUGLAS MENEZES

   Vi agora, no visual árido, uma flor que vai brotando, como se o impossível fosse possível, e foi. Um alerta, um alento. A aridez  e a explosão nascida de uma flor que nem sei o nome. Exuberante, desafiando o  que se pensa não ter vida. A natureza põe poesia na existência. A crônica se faz das coisas singelas. Constatação óbvia, verdadeira, no  entanto.

   Vi essa imagem no velho computador, na luz artificial, alguém a colocou para o mundo. Gente sensível, que conheço, compartilhou como se mostrasse a senha para que consigamos viver o simples e entendamos a essência das coisas. A fertilidade pode estar onde aparentemente o estéril domine.

     Não se trata apenas de uma filosofia de vida, mas de uma verdade. Tirar leite de pedras é mais comum do que se pensa. Pessoas há que fazem do pessimismo paranoico uma marca de existência: enxergam falta de saída em tudo. Não conseguem regar a planta do seu dia a dia e veem sempre para si um mundo deserto. Claro, o otimismo piegas, alienado, sem consistência, também é um lado da moeda a ser evitado. Não mais das vezes, gente assim torna-se parecida com personagem de  livros de auto ajuda, que engordam as contas das editoras e autores e não fazem uma leitura real da vida.

     O que  pensamos, na verdade, é que, muitas vezes, podemos dar soluções a problemas que não possuem a gravidade que imaginamos. Sem necessidade, tornamos nossas próprias dores ilimitadas. Não reconhecemos a força que possuímos,  subestimamos nosso valor,  nossa capacidade de reagir.

     Por que não compreendermos melhor a força da natureza, da qual fazemos parte? Por que não fazermos dos fracassos, combustíveis para consequentes vitórias? Afinal, uma flor nasceu entre as pedras, celebrando, assim, a poesia da vida, em qualquer lugar do planeta.
 
Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ACÁCIA. . .


Ah... como te vejo em diferentes formas...
altaneira...suave...bela.
Da janela do meu quarto, vejo-te Acácia.
Compartilho contigo teus estágios
em diferentes mutações das estações.
Perpassam em meus pensamentos
teus valores religiosos,
tua tradição e teus inúmeros símbolos.
Ao contemplar-te recordo do que representou
a arca da aliança, a coroa de espinhos.
Ainda, aquele que foi plantado
no túmulo de Hiram e
todo o pensamento judaico-cristão.
Símbolo solar de renascimentos e imortalidade.
Ao olhar-te percebo a tua fortaleza
ante as vicissitudes da vida.
Sinto tua sede quando todas as tuas folhas
tombam no inverno.
Compreendo que te despedes
para adubar as plantinhas
que nascem ao teu redor e deixar,
por algum período,
que o sol as revitalize com a tua energia.
Estou sempre a reverenciar-te e,
muitas vezes, com sentimentos de gratidão
e misericórdia; outras, com ternura, amor e esperança.
Procuro aprender contigo as lições da perseverança e da
obediência às leis naturais que vem transmitindo através dos tempos.
Aos poucos estou entendendo, com o teu exemplo, que é preciso saber
morrer para renascer...
a cada estação, a cada emoção,
a cada encontro,
a cada decepção,
a cada sonho
e a cada adeus...
JOSE MENDES

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A NITIDEZ POLÍTICA E A DITADURA

  
DOUGLAS MENEZES

  Não é saudosismo, e talvez até seja. Não nego que uma  coisa que me deixa com saudade no período da ditadura, claro, não o regime em si, era a transparência de lado que existia na política. Mesmo abrigados na oposição consentida do MDB, e da situação, expressa pela Aliança renovadora nacional (ARENA), os grupos de direita, centro e esquerda delimitavam seu território. Sabíamos onde estávamos pisando. Os políticos não escondiam suas posições, apesar dos riscos. Lembro, ainda menino, criei verdadeiros ídolos, que nos faziam vibrar pelas  atuações combativas. Estavam lá povoando o sonho de mais liberdade na visão do ainda adolescente, Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos, Maurílio ferreira Lima, Fernando Lyra, Cristina Tavares, Egídio Ferreira  Lima,  entre tantos outros.

   A luta contra o regime de exceção era uma verdadeira escola política, Como foi pedagógica para milhares de jovens adquirirem consciência democrática. A juventude brasileira entendia valer a pena correr riscos, e os anos de chumbo não eram brinquedo.

  Crescemos nesse ambiente de ebulição, aprendendo que liberdade se conquista na luta e, apesar dos exageros próprios da idade, foi um período de aprendizagem que moldou o caráter, para o bem, de muita  gente. As pessoas aprendiam ter lado, a definir objetivos, inclusive no aspecto cultural. Havia uma “guerra” na música. Definíamos nossa preferência também pela posição dos artistas, pela postura contra ou a favor do sistema. A MPB  fervia, e grandes nomes confirmaram  através dos anos o valor artístico de suas obras. Estão aí, eternos, Vinicius, Chico, Tom, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Vandré, Edu Lobo, e tantos que enriqueceram nossa cultura, a partir da postura política, de buscar a democracia e a liberdade de expressão pela arte.

   Tempo diferente de hoje. Se as conquistas democráticas se configuraram e vivemos num estado de direito quase pleno, por outro lado, abdicamos, e isso é muito ruim, de uma nitidez política necessária a qualquer democracia que se preze. Hoje, partidos que deveriam apresentar uma linha mais definida, como o PT e PCDB, na busca das transformações ainda muito necessárias ao país, Se apresentam como partidos que trocaram um projeto Brasil, por uma continuidade de poder: temos ainda, uma péssima distribuição de renda, uma Educação ruim, uma saúde capenga, que não corresponde às reais necessidades do povo e uma segurança que deixa a desejar. Sem falar da tentativa de controlar e cercear a livre expressão da imprensa.

    Que aqueles anos não voltem mais. Todavia, dá saudade sim, de ver o povo nas ruas pedindo Diretas Já, mobilizado, “sem ódio e sem medo”, numa consciência política pouco vista hoje. Agora, o noticiário é de escândalos, de desvio de dinheiro público de violência e de outras mazelas que nos fazem menor. Além de uma juventude sem rumo. Essa mesma que um dia assumirá o comando do país.

    Que voltemos a ter um confronto nítido de ideias, projetos claros para o país. Que retornemos ao Nacionalismo que tanto acalentou gerações, para que não tenhamos saudade do que passou.

Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

PRODUÇÃO DE TEXTO: A PARÁFRASE

 

Douglas Menezes*

Paráfrase significa transposição. Em redação, é transformar um poema (texto em versos) numa produção escrita em prosa ( texto em linhas contínuas).
A Paráfrase não se trata de uma interpretação do poema, mas uma redação que contenha o mesmo conteúdo. É como se você se transformasse no próprio poeta, sendo que o novo texto, seria em prosa e com suas próprias palavras. O conteúdo do poema não muda, mudam os vocábulos, aparecem novas ideias e exemplos, enriquecendo o texto que deu origem à Paráfrase. É uma técnica que contribui muito para o desenvolvimento intelectual daqueles que pretendem escrever bem.
Na Paráfrase há uma ampliação do conteúdo. Procure introduzir conceitos seus. Fazendo isto, você estará demonstrando personalidade e passando a escrever com desembaraço.
Veja um exemplo de um texto parafraseado. Trata-se do poema Sobre a Ambição, de Guilherme de Almeida. Note que a Paráfrase não é uma imitação, mas uma recriação de um conteúdo, portanto não é plágio, mas um processo de Intertextualidade.


SOBRE A AMBIÇÃO: PARÁFRASE
"SOBRE A AMBIÇÃO"
GUILHERME DE ALMEIDA 
Só de pó Deus o fez. Mas ele, em vez de se conformar,
 quis ser sol, e ser mar, e ser céu... Ser tudo, enfim.
 Mas nada pôde! E foi assim que se pôs a chorar de furor... 
Mas ah! foi sobre sua própria dor que as lágrimas tristes rolaram. 
E o pó, molhado, ficou sendo lodo - e lodo só!

Veja, agora, uma Paráfrase resumida deste poema.

SOBRE A AMBIÇÃO
A ambição do ser humano não tem limite. Quanto mais tem, mais quer. Não importa se para conseguir seus objetivos, tenha que “pisar” nos semelhantes. Sua sede de conquista é tão grande que até mesmo seu Criador é esquecido.
Embora tenha surgido do nada, criado para servir a Deus, o homem, através dos séculos, vem procurando dominar tudo o que aparece à sua frente. No entanto, a limitação que ele possui termina causando-lhe uma profunda frustração, pois, por mais que avance, esbarra na condição de que veio do pó e para o pó irá voltar.
Por isso, não adianta riquezas, ostentações, orgulho, poder, pois quando menos se espera, eis que a trama da vida é cortada e simplesmente o homem retorna à origem. Pior: apodrece, enche-se de vermes, no estranho processo onde todos são iguais, sem distinção de cor e raça ou nação. Enfim, o padecimento, a constatação de que nada mais é a não ser lama.
Douglas Menezes
Você observou que o conteúdo, apesar de manter sua essência, foi ampliado por novas ideias e um vocabulário próprio.

*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

quarta-feira, 15 de maio de 2013

FALSOS HERÓIS

Por Luiz Maia* 
Cansei de ver prosperar a mentira, o endeusamento de falsos ídolos, o triste modismo do culto exagerado ao corpo. Não dá mais para se ler um jornal, assistir ao noticiário da tevê, escutar a rádio sem esconder um sentimento de indignação. Cansei de olhar a vida sem a perspectiva de que algo decente pudesse ocorrer em nosso país. Eu queria ver as pessoas usufruindo da boa música, de um filme que enalteça a superação e ao final todas pudessem sair do cinema felizes. Quem se atreve hoje a ligar a televisão para assistir a um programa ao lado da família, sem receio de vir a se decepcionar? Ninguém. O que se vê é a prevalência do mau político sobre o homem de bem, o corrupto que bate no peito se dizendo orgulhoso pelos atos praticados. Pena que mesmo assim sejam eles eleitos pela sociedade.

Eu não compreendo a razão de se dar tanto destaque à mediocridade em detrimento daquilo que tem valor. É difícil entender o jogador de futebol que é exaltado como se fosse um deus. Pseudo artistas que se tornam famosas por possuírem um corpo malhado, gente que se presta a posar nua na primeira revista que lhe ofereça um cachê compensador. Neste sentido o apelo erótico funciona apenas como atalho para alcançar seus objetivos de ordem material. A mídia, que deveria elevar o padrão de sua programação, infelizmente parece mesmo disposta a nivelar-se por baixo. É necessário que se dê um basta nesse festival de mau gosto. Lamento que os meios de comunicação queiram nos impor falsos heróis goela abaixo. Esses não representam em nada o Brasil real. É preciso de uma vez por todas rever o conceito do que é decente e do que merece ser realmente valorizado. No meu modo de ver, heróis de verdade são as pessoas simples que trabalham noite e dia para se sustentarem, muitas vezes sendo preciso apanhar quatro conduções para chegar ao trabalho. Gente honesta que se acorda cedinho e que vai dormir tarde da noite para obter o pão, ganhando pouco e sofrendo às vezes sérias humilhações. Heróis são os garis que limpam as cidades que nós ajudamos a emporcalhar, são pedreiros que sujam as mãos na massa e no cimento trabalhando pesado para erguer os prédios nos quais iremos morar.

Verdadeiros heróis são aqueles homens do povo, os motoristas que se debruçam sobre a direção de ônibus e caminhões, colaborando para levar o progresso aos quatros cantos do país. Não podemos esquecer a laboriosa classe dos professores, homens e mulheres que levam o conhecimento às pessoas, heróis anônimos ignorados neste país. Heróis de verdade são todas as criaturas humildes que trabalham noite e dia, gente simples deste imenso Brasil, homens e mulheres sofridos que ganham a vida distante do glamour dos holofotes, longe do brilho falso dos palanques daqueles que detêm o poder. Indivíduos que carregam consigo apenas a marca da honestidade, característica nobre que simboliza as pessoas de bem.
Diario de Pernambuco - Recife, terça-feira 14 de maio de 2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

CASTELOS NA AREIA


São pequenas coisas que nos ensinam muito.
Num dia de verão, eu estava na praia, espiando duas crianças na areia. Trabalhavam muito, construindo um castelo de areia molhada, com torres, passarelas e passagens internas....
Quando estavam perto do final do projeto, veio uma onda e destruiu tudo, reduzindo o castelo a um monte de areia e espuma.
Achei que as crianças cairiam no choro, depois de tanto esforço e cuidado, mas tive uma surpresa: em vez de chorar, correram para a praia, fugindo da água, rindo, de mãos dadas e começaram a construir outro castelo.
Compreendi que havia recebido uma importante lição: tudo em nossas vidas, todas as coisas que gastam tanto de nosso tempo e de nossa energia para serem construídas, tudo é feito de areia; só o que permanece é o nosso relacionamento com as outras pessoas.
Mais cedo ou mais tarde, a onda virá e irá desfazer o que levamos tanto tempo para construir.
“Quando isso acontecer, somente aquele que tem as mãos de alguém para segurar será capaz de rir.”
[Autor desconhecido]

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A DIFERENÇA ENTRE FORÇA E CORAGEM


É preciso ter força para ser firme, mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo, mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma, mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho, mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar, mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem, queira Deus que o mundo possa abraçá-lo hoje com Calor e Amor !

E que o vento possa levar-lhe uma voz que lhe diz que há um Amigo, vivendo num outro lado do Mundo, desejando que você esteja bem.
(texto de autoria desconhecida)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

UM MOMENTO



 



POR DOUGLAS MENEZES


EU NÃO QUERIA VER SÓ DE RELANCE
UMA LUA CHEIA DIGITADA
UM SOL NET QUE A GENTE FABRICA
EU NÃO QUERIA DEDOS
NERVOSOS
MAS MENTES TRANQUILAS
FABRICANDO SONS E LUZES
EU NÃO QUERIA ME VER ASSIM
FRENTE A UM BRILHO QUE ME OFUSCA OS OLHOS
E BUSCANDO CRIANÇAS PERDIDAS,
NUNCA ACHADAS.
MUNDO QUE SE VÊ E OUVE,
MAS NÃO SE PEGA, NÃO SE CHEIRA, NÃO SE SENTE.
MUNDO DE AMIGOS DE SUPERFÍCIE
DE IMAGENS MAQUIADAS
E PIADAS SEM GRAÇA
O QUE QUERO, ENFIM
É A GRAÇA DO BÊBADO NA FEIRA
É A MOLHADA TERRA DA CHUVA.
O QUE QUERO, ENFIM
É O SOL QUENTE DA PRAIA QUE NÃO VEJO MAIS
OU UMA LUA NATURAL DE NAMORADOS E ASTRONAUTAS.
QUERO SIM, ME LIVRAR DA MENTIROSA LUZ
QUE ME AFASTA DA VIDA
E CEGA ESSES OLHOS CANSADOS DE OLHAR O QUE NÃO QUEREM.

DOUGLAS MENEZES É DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

QUANDO ME AMEI DE VERDADE


Quando me amei de verdade pude compreender
que em qualquer circunstância, eu estava no
lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade pude perceber que
o sofrimento emocional é sinal de que estou indo
contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade parei de desejar
que a minha vida fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui para o meu
crescimento.

Quando me amei de verdade comecei a
perceber como é ofensivo tentar forçar alguma
coisa ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesmo.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar
de tudo o que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e
qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo. Mas hoje
eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade deixei de temer
meu tempo livre e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo e no meu próprio
ritmo. Como isso é bom! ...

Quando me amei de verdade desisti de querer ter
sempre razão, e com isso errei muito
menos vezes.

Quando me amei de verdade desisti de ficar
revivendo o passado e de me preocupar com o
futuro. Isso me mantém no presente, que é onde
a vida acontece.

Quando me amei de verdade percebi que a
minha mente pode me atormentar e me
decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço
do meu coração, ela se torna uma grande e
valiosa aliada.

Trechos do Livro:
"QUANDO ME AMEI DE VERDADE"
(Kim McMillen & Alison McMillen)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

CRESCENTE


Por Ângela Gomes

Seu sorriso azul

É a lua festejando o sol

No espelho do céu

Imagem da web: "O beijo" (1931) - Pablo Picasso

segunda-feira, 25 de março de 2013

A CINZA DAS HORAS, DE MANUEL BANDEIRA


Este primeiro trabalho literário de Manuel Bandeira, “A Cinza das Horas”, é caracterizado pelo lúgubre aparato que rodeia o imaginário do poeta, com poemas parnasiano-simbolistas, paralelos à época do seu adoecimento (1917). O poeta não tinha intenção de enveredar na carreira literária,  e apenas extravasar o seu descontentamento frente a nova situação, quando foi desenganado pela medicina. Daí, a motivação para sua intensa produção literária, que começou com “A Cinza das Horas”, de onde apreciamos estes dois poemas.

EPÍGRAFE

Sou bem-nascido. Menino,          
Fui, como os demais, feliz.          
Depois, veio o mau destino         
E fez de mim o que quis.  


Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,          
Levou tudo de vencida,     
Rugia e como um furacão,           


Turbou, partiu, abateu,      
Queimou sem razão nem dó -     
Ah, que dor! 
Magoado e só,        
- Só! - meu coração ardeu:           


Ardeu em gritos dementes           
Na sua paixão sombria...  
E dessas horas ardentes  
Ficou esta cinza fria.          
- Esta pouca cinza fria.      



DESENCANTO Eu faço versos como quem chora          
De desalento. . . de desencanto. . .         
Fecha o meu livro, se por agora  
Não tens motivo nenhum de pranto.      


Meu verso é sangue. Volúpia ardente.   . .
Tristeza esparsa... remorso vão...           
Dói-me nas veias. Amargo e quente,     
Cai, gota a gota, do coração.       


E nestes versos de angústia rouca,        
Assim dos lábios a vida corre,     
Deixando um acre sabor na boca.          


- Eu faço versos como quem morre.      

sexta-feira, 22 de março de 2013

A ARTE DE NÃO ADOECER


Se não quiser adoecer...

...Fale de Seus Sentimentos.
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros... O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!
Se não quiser adoecer...
...Tome Decisões.
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer...
...Busque Soluções.
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer...
...Não Viva de Aparências.
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer...
...Aceite-se.
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer...
...Confie.
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer...
...Não Viva Sempre Triste.
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia!
Por Dr Dráuzio Varella 
 

quarta-feira, 20 de março de 2013

SER FELIZ OU TER RAZÃO?

Para reflexão...                   
Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!
   

MORAL DA HISTÓRIA:
    

Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência: 'Quero ser feliz ou ter razão?' Outro pensamento parecido, diz o seguinte:
 
“NUNCA SE JUSTIFIQUE”. OS AMIGOS NÃO PRECISAM E OS INIMIGOS NÃO ACREDITAM.

REFLEXÕES DE MULHERES ILUSTRES


"Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores."
Cora Coralina, poetisa

" Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas e as que ficam com os louros. Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição lá."
Indira Gandhi, estadista

"Aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar inteira."
Cecília Meireles, poetisa

"Amor é como mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanecerá: agarre-o firme e ele escapará."
Dorothy Parker, escritora

"Ninguém pode escolher como vai morrer ou quando. Só podemos decidir como viver para que não tenha sido em vão."
Joan Baez, cantora

"Dai-me, Senhor, a preserverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço,"
Gabriela Mistral, poetisa

"Não tenho tempo de desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas."
Elis Regina, cantora

"Quando nada é certo, tudo é possível."
Margareth Drabble, escritora

"Quem não sabe chorar de todo o coração também não sabe rir."
Golda Meir, estadista

"Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos."
Marie Curie, física

"Quando precisar que algo seja dito chame um homem. Quando quiser que algo seja feito chame uma mulher."
Margareth Tatcher, estadista

"Vamos! Corra a fazer alguma obra de caridade!"
Santa Terezinha, quando notava tristeza nalgum semelhante

" Ri, alegremente e o mundo rirá contigo: chora e chorarás sozinho. Esta velha e boa Terra precisa pedir emprestada qualquer alegria, porquanto já tem aborrecimento de sobra."
Ella Wilcox, poetisa

"Amor não tem nada a ver com o que esperas conseguir, apenas com o que esperas dar: quer dizer, tudo."
Katharine Hepburn

"O fanático é um homem com os dois pés plantados firmemente nas nuvens."
Eleanor Roosevelt

"Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre. Muitas vezes ficamos tanto tempo a olhar para a porta fechada que não vemos a que se abriu."
Helen Keller
Nota: cega, surda desde
bebé, Helen tornou-se educadora e advogada. Revelou uma incrível capacidade de superação e notável inteligência .
"O futuro não traz nem nos dá nada, Nós é que, para construí-lo, devemos dar-lhe tudo."
Simone weil, filósofa e ativista

" Não devemos permitir que alguém se afaste de nós sem se sentir melhor e mais feliz."
Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, 14 de março de 2013

ESSA CRÔNICA VONTADE DE DIZER

  Por DOUGLAS MENEZES

 Desejo de dizer sempre. Busca de luz pela palavra que teima em ser difícil. Quero cantar uma coisa que não sai porque a vida não deixa. Procura de um otimismo cá dentro existente, mas conflituoso, pois a existência é antítese: ilusão não entender isto. Bem ou mal convivem e não temos o direito de negar pra ninguém. Ir e voltar. Ofender pedindo perdão logo adiante.  “Existirmos a que será que se destina?”. Poeta fala coisa que queremos dizer e não sabemos como, ele sabe mais que os racionais, os pragmáticos de plantão.
  Não à toa que alguém falou ser a Literatura mais coerente que a vida. Coerência própria, interna: a Arte não nega nem a fantasia, o sonho, o mágico; nem a realidade mais concreta desse mundo. Não insana a loucura. Insanidade maior essa briga por espaços, por dinheiro, desenfreada. Poder pelo poder. Sujeira disfarçada. Gentilezas artificiais dessas figuras pegajosas, de cumprimentos leves, macios, falsos por demais. Corra desse: fala mansa, sempre resolvendo tudo, artificial humildade, oportunista em tudo, no entanto: Terra cheio dessa gente que faz da hipocrisia a marca da existência.
   Marinita, não. Diz o que quer entre uma merenda e outra e sempre expressando verdade. Verdade dos humildes sem mãos macias, calejadas de honestidade. “Sou um atleta sexual, Marinita”. A merendeira não perde o ritmo: “Só gosto de mentira quando eu conto”. Não me ofende, Marinita. Pois ali, pureza; pois ali, sinceridade; ali, amizade que os títulos, os cursos e os livros, aos montes, não trazem. Não de graça que loucos bons, feito Manuel Bandeira e o Buarque Francisco gostavam e gostam tanto desse povo simples. Gente que faz a história da vida.
   Ah, essa crônica vontade de dizer. Letras no lugar do som da voz. Tão tímida que não emite quase ruído. Esse cuidado covarde no falar da boca. Essa coragem de dedos e mente, porque expressar é preciso. Cabeça pior se não engendrar frases e períodos, mesmo que poucos leiam e aumente a ilusão de que isto serve para alguma coisa.
   Madrugada tão alta. O calor da existência aparece devagar, como os gestos calmos de Débora, lembrando dia que chega. Os dedos não têm sono, mas querem terminar esse pedaço apenas. Pois sei, vida afora, até a morte, não vai cessar nunca, haja o que o houver , essa vontade crônica de dizer.
Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.

sexta-feira, 8 de março de 2013

SER MULHER E MORAR NO CABO DE SANTO AGOSTINHO

Tereza Soares*
Vou dizer aos leitores dessa mensagem o que é morar no Cabo de Santo Agostinho do ponto de vista de uma mulher: é não ter mais a liberdade de andar nas ruas sem ser assediada por homens estúpidos, mal educados, estranhos à nossa cultura, usando ou não uniformes de fábricas, que invadiram uma cidade que já foi pacata e muito mais segura. É entrar num ônibus e ouvir conversas atravessadas de um ponto a outro do coletivo, conversas que só interessariam a eles, mas que somos obrigadas a ouvir, flagrando muitas vezes, ideias inescrupulosas. Quero dizer que por isso e muito mais sentimo-nos atrapalhadas em nosso cotidiano por essa incidência de homens em desigualdade com o número de mulheres.

Atrapalhadas por olhares insidiosos sobre nós, sem respeito à nossa condição, se casada, solteira, celibatária...querendo fazer de todas elas "presas sexuais", coisa que no litoral agrava-se ainda mais. Atrapalhadas quando a cidade cheia de gente, os homens na maioria andando em grupos, fazem verdadeiros paredões dentro de supermercados, bancos e calçadas...Consultórios odontológicos conveniados parecem mais clínicas de Medicina do Trabalho: repletas de trabalhadores no corre-corre dos intervalos dos empregos de Suape.

Eu mesma já fui desrespeitada por um dentista de convênio que se vendeu ao pagamento adiantado de cinco procedimentos odontológicos de uma só vez de um desses trabalhadores. O dentista, sem nenhuma cerimônia, atendeu na minha frente um deles, pois estava com dinheiro na mão, quando minha consulta já estava previamente marcada. Reclamar pra quem se quem dita nesse caso é o dinheiro???

Agora uma pergunta...Que cultura é essa que anda se formando no Cabo de Santo Agostinho de “abrir as pernas” pra quem vem de fora? Por quem foi implantada esta cultura? Pelo governador Eduardo Campos que nada sofre com tudo isto??? Há quem diga que muita gente está ganhando muita grana com tanta obra.  Para mim cada obra que chega, leva embora o nosso imposto sem garantia de retorno para a cidadania.

Quanta tristeza sente uma mulher cidadã, que não bastasse a falta de infraestrutura da cidade para os próprios moradores ainda têm que enfrentar esses, me perdoem a expressão "brutamontes" em toda a parte, fazendo suas festinhas com música às alturas, músicas com letras que afrontam a condição feminina, passando por cima de leis de poluição sonora, confrontando o cotidiano de quem tem filhos para botar pra dormir com os interesses de trabalhadores alojados em casas de aluguel esperando o salário no final do mês pra sentirem-se felizes.

O que virou o Cabo de Santo Agostinho! Um alojamento de trabalhadores de Suape que vem de várias partes do País para despejarem suas tristezas, frustrações, espermas e o pouco dinheiro que ganham comprando apenas o necessário por aqui? O que deixam? Filhos indesejados, lixo, processos na justiça por brigas com os pernambucanos, dívidas em casas de aluguel...maus inquilinos, maus cidadãos  e pessoas insatisfeitas porque queriam fazer daqui um paraíso ao seu favor, onde “deitar e rolar” é o lema. Um choque cultural inevitável que tem rendido um saldo de mortos de baianos, esses que tem sido considerados por pernambucanos “uns folgados”.

Então o que me resta no Dia Internacional da Mulher é reclamar de ser mulher moradora da cidade que é o 4° PIB de Pernambuco, mas sem ninguém para lembrar que o trabalho doméstico também alimenta o PIB, sem ninguém pra lembrar que o atendimento à Saúde da Mulher está cada vez mais difícil com vias de se tornar inacessível para tantas mulheres  na Mata Sul que precisam do atendimento do polo médico que se tornou o Cabo de Santo Agostinho.

Para as mulheres que trabalham em Suape, seja do Cabo ou não, desejo que tenham seus direitos trabalhistas respeitados. Para as moradoras da área rural, que os benefícios cidadãos também as alcance levando mais dignidade ao campo. Para as mulheres da Cohab, Vila Roca, Contra Mocampo, Garapu, Vila Claudete, Praias, Charneca, Charnequinha, Pirapama, Ponte dos Carvalhos, Pontezinha, Juçaral... que acordem e procurem denunciar os desmandos que lhe afetam numa cidade em que ser mulher tornou-se ainda mais inseguro, com perdas lamentáveis visíveis para a cidadania,  com o aumento da cultura machista e do desrespeito a direitos conquistados “na marra”.

*Tereza Soares é Jornalista, poetisa e integrante da Academia Cabense de Letras. Ativista ambiental na Mata das Duas Lagoas em Itapuama e moradora de Enseada dos Corais no Cabo de Santo Agostinho. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A ORFANDADE DE CECÍLIA



Por  DOUGLAS MENEZES

                                         
                                            ORFANDADE

                            “A menina de preto ficou morando atrás do tempo/ sentada no banco, debaixo da árvore / recebendo todo o céu nos grandes olhos admirados. /  Alguém passou de manso, com grandes nuvens no vestido, /  e parou diante dela, e ela, sem que ninguém falasse, murmurou: A MAMÃE MORREU. /  Já ninguém passa mais, e ela não fala mais, também. / O olhar caiu dos seus olhos, e está no chão, com as outras pedras, / escutando na terra aquele dia que não dorme / com as três palavras que ficaram por ali”. ( Cecília Meireles)

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      É inegável a força do Simbolismo na poesia de Cecília Meireles, responsável, mesmo, pela reabilitação desse estilo dentro da Literatura brasileira. E a presença da linguagem vaga, imprecisa, escondida na conotação evidente confirma ser a poetisa  carioca a mais simbolista dos modernistas brasileiros. Toda a sua obra é marcada, também, pela musicalidade, sonoridade constante, típicas dessa escola do final do século dezenove.
    E essa melodia é evidenciada na assonância do seu poema Orfandade, materializada na repetição da vogal E (alguém, ninguém). Outro elemento que nos indica musicalidade se refere à Aliteração, concretizada na consoante P (passam, parou, passa), o que confere um ritmo regular, próprio da música, embora com a métrica instável, marca do Modernismo.
     Ainda vislumbramos uma outra presença que configura sonoridade e empresta uma beleza plástica fundamental ao texto. Trata-se dos dois últimos versos: “ Escutando na terra aquele dia que não dorme/  Com as três palavras que ficaram por ali”. A terra, junto com as pedras, como que repetem a frase constantemente: “ A mamãe morreu”.
      A primeira imagem forte do texto diz respeito à visão de que morar atrás do tempo é, na verdade, viver de memória. Daí, já sentirmos ser o texto profundamente introspectivo, apesar do “eu lírico” apresentar-se na terceira pessoa.

      Depois, visualizamos a cor branca da espiritualidade, presente no primeiro verso da segunda estrofe: “Alguém passou de manso, com grandes nuvens no vestido”.

       O poema Orfandade, expresso quase que totalmente por Figuras de Linguagem, mostra em termos de conteúdo, confirmando nossa análise, aspectos bastante encontrados na estética simbolista, como o pessimismo, confirmado  pelo fato negativo passado por alguém que perdeu a mãe; o sentimento de solidão (“Já ninguém passa mais”); e a forte imagem associada ao Simbolismo, expressa na presença da Sinestesia, que capta elementos sensoriais, como forma de ligar o ser à natureza e a seus sons: “ O olhar caiu (visual); Escutando na terra (auditiva)”. Além de tornar concreto, elementos abstratos, ao misturar as palavras com as pedras, e a terra.

          No mais, a imagem geral de que a dor nunca dorme, nunca acaba, estará sempre como marca da vida: “Aquele dia que não morre”.

   Fevereiro de 2013.
 
Douglas Menezes é membro da Academia Cabense de Letras.