terça-feira, 25 de dezembro de 2012

SATHYA SAI E AS MANIFESTAÇÕES DO AMOR DIVINO!


“Manifestações do Amor Divino! Em todas as religiões e países, aniversários de grandes personalidades são comemorados, mas os ideais pelos quais eles viveram não são lembrados e seguidos. Isso transforma as celebrações em observâncias artificiais. Cristo ensinou as pessoas a amar todos os seres e a servir a todos com compaixão. É somente por praticar estes ideais que se pode verdadeiramente comemorar o aniversário de Jesus Cristo. A Divindade interior deve ser refletida em todas as suas ações. A sede da Verdade está em seu coração. Adorar a Deus significa amar os outros com o coração pleno. Você deve viver em amor e levar uma vida de serviço altruísta baseada no amor. Essa é a melhor maneira de celebrar o nascimento de Jesus Cristo.”            (Sathya Sai)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

INVENTÁRIO

DOUGLAS MENEZES

Ninguém lembrará de você daqui a pouco. No picadeiro não vai importar sua emoção. Anos a fio, chorou e fez chorar. Sorriu quando a dor era mais forte, naquela linha tênue entre a coragem e a fraqueza. Emocionou-se pelos outros, deixou de sentir sua própria emoção. E assim vai,  e assim foi. Fez da vida um parágrafo único: sem graça, no mais das vezes. E no desespero da sobrevivência menor, ouviu a amizade insincera: sinto muito, não posso ajudar, tenho minhas limitações. Pediu perdão por não ter sido forte. Consolou-se dizendo que o mundo era assim. Ninguém lembrará de você, pois hoje a nuvem do esquecimento levará de vez até a mais abissal das recordações. Vento sem som, carregando a memória por milhões de noites e dias. Atemporal a existência. Comer, dormir, fazer mais gente, perpetuando a rotina de sempre . Ai Drummond, vida besta esta, como tu disseste. Só você estará como veio ao mundo, e o poeta não esqueceu: “Pela última vida, poucos amigos hão de te procurar”. Santana também constatou: “Quem nos levará à derradeira morada, se todos que conhecemos estão indo embora para aquele sono sem retorno?” Pois, Santana, não haverá alça, nem caixão. Belo será a nossa transformação em poeira cósmica, como diz Ferreira, apenas a matéria orgânica voltará para onde veio. Vibrou com o futebol, fez campanha, se expôs, caminhou muito, discutiu, e assim mesmo ninguém lembrou de você. Não um agradecimento, que é demais para eles, mas a lembrança de que você existiu há uns meses. Esquecido será, pelos bens que não teve, pelo receio  de ousar mais e sair da mesmice, mesmo com risco. E a quem veio ao mundo pelo seu sémen, apenas a vontade de que tudo benevolente seja, numa vida de fardo menor que a sua. Ninguém  lembrará  de você daqui a pouco, embora ainda brotem as flores nos dezembros, e as namoradas permaneçam com o cheiro de jasmim no riso fácil de quem conta estrelas. Como lembrar de você daqui a pouco se já agora, na madrugada do silêncio, a luz do esquecimento presente se faz. Memória dilacerada, voz que não se ouve. Você e o medo medonho da amnésia do tempo, aqui, amanhecendo, na certeza de que daqui  a pouco, com o sol e esse verão tão moreno quanto quente, ninguém lembrará de você.

*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SINGULARIDADE OU ALUMBRAMENTO

Abriu-se um espaço no tempo
Abriu-se um tempo no espaço
Deu-se um silêncio no vento
Deu-se inequívoco passo
O espaço de tempo que é tempo
Bem antes de ser espaço
Expandiu um ponto lento
Pulsando tornou-se "eu faço"
E fez-se o universo imenso
E fez-se o calor do abraço.

Eduardo Tornaghi

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

UNIVERSIDADE DO TEXAS TECH

     Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.
     Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.
     O professor então disse: - Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe..      Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas. Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam justas.
     Com isso ele quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...
      Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
      Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos -eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.
      Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos..
      Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.
      Depois da terceira prova, a média geral foi um "F". As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por justiça dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
      Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para total surpresa!!!         
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.
      "Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."                                                                                                                                                                            (TEXTO ATRIBUÍDO A ADRIAN ROGERS. AUTORIA NÃO CONFIRMADA)

domingo, 25 de novembro de 2012

QUANDO A BOCA CALA...O CORPO GRITA!!!


 
Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.

A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos, existem semáforos chamados Amigos, luzes de precaução chamadas Família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão, um potente motor chamado Amor, um bom seguro chamado FÉ, abundante combustível chamado Paciência.
Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS.
 
(Autoria desconhecida)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O MERCADO


"Mercado se rege por critérios de eficiência e rentabilidade, não de justiça ou de equidade. Ele é um soberbo órgão de criação de riqueza, mas não um mecanismo competente de distribuição de renda."
(José Guilherme Merquior)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A BANDA QUE PASSA

DOUGLAS MENEZES - 1985

O menino observa, escuta o som que começa a ficar nítido. Tem os olhos acesos o menino, brilham, percebendo a chegada de um prazer esperado com ânsia. Agora, a música totalmente ouvida, bonita a melodia, mesmo sem a presença ainda visível de quem toca. Não vacila, o garoto, em expressar um sorriso ingênuo, sábio, porém. Aquele som ritmado, ele sabe, coeso, acompanhá-lo irá para sempre, vida afora, gerações vindouras. Sabe, também, o menino, que seus pais, seus avós, da mesma forma que ele, também se deslumbraram com a sua banda, com a banda da sua cidade. Carregará a marca daqui pra frente: símbolo cultural do lugar onde ele nasceu.

A sensibilidade à flor da pele, pois a banda passa. Bate palmas o garoto, em meio à multidão. Nada mais a enxergar, a não ser o som de sua orquestra predileta. A sua orquestra, segunda melhor do Brasil, como ele, lentamente crescendo, sacrifício dos artistas humildes, pobres, ricos, no entanto, de amor à sua terra, à sua música.

A banda que ganhou as ruas, que faz o menino correr entre as pernas dos adultos para alcança-la. Não quer perder momento algum do concerto ambulante. Também o povo acompanha. É a banda da cidade de Santo Agostinho, de nome pouco charmoso, mas que é graça, mas que produz um encantamento atravessando décadas. A Filarmônica distribui alegria pelas ruas do Cabo. E como disse o poeta, as dores são esquecidas, pelo menos no momento em que ela toca.

O menino e o povo num reino mágico, só contentamento a cidade respira com sua 15 de Novembro Cabense. É a banda que passa, é a banda que é graça. A poesia flui, enche de emoção o peito do pequenino garoto cabense.

Do livro Uma Declaração de Amor, em parceria com José Ferreira.1985.

*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O TEMPO DOS MADUROS - MÁRIO DE ANDRADE ...


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro. 
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,  muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial! 

Mário de Andrade (1893-1945)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

EM BUSCA DO CÉU NA TERRA

DOUGLAS MENEZES.

  A vida do homem é tentar negar a morte. Desde que foi posto no mundo, ele busca a eternidade como uma forma de prolongar a existência material. E ser eterno não tem nada a ver com espiritualidade, pelo menos demonstra a prática humana através dos séculos. Não estamos dizendo nenhuma novidade, mas refletindo em algo que nos parece ser um comportamento típico dos mortais. Um amigo, professor de Biologia, afirma sempre que o ser humano é tão apegado à vida material, que tenta inventar outra. Ironia à parte, não deixa de ser uma brincadeira com um certo fundo de seriedade.

   Esse nosso amigo recorre humoradamente às ilustrações religiosas, tanto católicas como evangélicas, sempre mostrando em seus quadros ambientes edênicos, paisagens bonitas, ecologicamente corretas, paraísos terrestres simbolizando o céu. Diz o mestre. Diante de um quadro religioso com uma família reunida, pessoas de aspecto feliz: só falta aí uma caipirosca para o quadro ficar completo.

   Como é interessante observar o apego material das pessoas, mesmo aqueles que muitas vezes se apresentam como líderes religiosos. Já vimos nos para-brisas de diversos carros: foi Jesus quem me deu. Apesar do risco da financeira tomar o presente, caso ele não seja pago em tempo hábil.

   O que dizer, então, do instinto de sobrevivência, ação puramente mecânica, ao sermos ameaçados  da  eliminação física? E os projetos para o futuro, às vezes atravessando décadas? São reflexões simplórias, mas que talvez mereçam um pensar mais profundo.

   No entanto, essa visão da qual comungamos em relação ao homem não se reveste apenas numa concepção pessimista. Pelo contrário, carrega em si, a valorização da criatura enquanto ser vivente aqui na terra. Abstraindo-se, lógico, as ambições desmedidas, a vulgarização do material como filosofia de vida  e o egoísmo estabelecido em forma de opressão, de domínio.

   Para nós, cheira a hipocrisia abdicar do conforto material, do viver bem. Da tranquilidade de uma existência financeira equilibrada, desde que isso não extrapole para a ganância que desumaniza os seres.

   Se existe um céu lá no infinito (ou não), por que não tentarmos trazê-lo  para a Terra, e fazermos esse paraíso aqui mesmo, concebendo um mundo mais bem dividido, onde o fosso entre as pessoas ricas e pobres, fosse sensivelmente diminuído, e assim, quem sabe, a  angústia de só ter, se transformasse na alegria perene de também ser.

    Domingo cinzento, 30 de janeiro de 2011.

Douglas Menezes é professor da rede oficial e particular de Pernambuco. Especialista em literatura brasileira e membro da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A PRIMEIRA ACÁCIA

Antonino Oliveira Júnior

Não é apenas um cacho de flores,
É uma acácia...
Também não é, apenas,
Uma acácia...
É a nossa primeira,
Fecundada, cuidada, esperada
E que nasce para fazer renascer
nos corações justos e perfeitos
o amor pela humanidade.
 
Antonino Oliveira Júnior é escritor, poeta e membro da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

EPITÁFIO

Quando era jovem e livre, sonhava em mudar o mundo.
Na maturidade, descobri que o mundo não mudaria.
Então resolvi transformar meu país.
Depois de algum esforço, terminei por entender que isso também era impossível.
No final de meus anos, procurei mudar minha família, mas ela continuou a ser como era.
Agora, no leito de morte, descubro que minha missão teria sido mudar a mim mesmo.
Se tivesse feito isso, teria sido capaz de transformar minha família.
Então, com um pouco de sorte, esta mudança afetaria meu país e — quem sabe — o mundo inteiro. (Autoria desconhecida) 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

DE BREGA A “CULT”

DOUGLAS MENEZES

    Recentemente a Rede Globo incluiu na trilha sonora da novela Gabriela a música do cantor Fernando Mendes “Você não me Ensinou a te Esquecer”, canção que já fora trilha musical do filme Lisbela e o Prisioneiro, baseado na obra do grande escritor Osman Lins. Música classificada como brega romântico há trinta anos, desprezada pela intelectualidade brasileira que curte MPB de qualidade, foi sucesso à época na voz do seu autor Fernando Mendes. É interessante notar como o conceito do brasileiro médio muda de acordo não só com o passar do tempo, mas pela presença de quem “apadrinhou” o novo elemento cultural.
   Pois bem, O “monstro Sagrado”, com inteira justiça, da música brasileira Caetano Veloso resolveu dar uma roupagem nova à música. Deu um tom mais dramático à canção, incluindo uma instrumentação de nível inquestionável. O resultado foi novo sucesso da música, com algo que impressiona: sua inclusão no repertório da MPB de bares e emissoras de rádio, junto a Djavan, Chico, Gal, Betânia, o  próprio Caetano, entre  outros, incluindo aí, o público jovem, com menos de trinta anos. Quer dizer, o que não possuía valor antes, passou a ser “nata” da música romântica brasileira de qualidade.  Mostrando que os mitos realmente são intocáveis, gerando verdades nunca questionáveis, pois já se disse demais versos como estes: “ Não vejo mais você faz tanto tempo/ Que saudade que sinto; De olhar nos seus olhos sentir seu abraço/ É verdade eu não minto...”. No entanto, “Você não me Ensinou a te Esquecer”, retornou ao pódio do sucesso, inclusive por parte do público mais exigente, a ponto de a Tv colocá-la na trilha de bom gosto da nova versão do romance de Jorge Amado, junto a obras consagradas de Djavan, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Moraes Moreira e Dorival Caymmi
    Aliás, Caetano Veloso é pródigo, ao longo de carreira, em despreconceitizar  aquilo que é visto quase como tabu em nossa sociedade conservadora. Na música, fez isto, também, com Coração Materno, de Vicente Celestino e Sonhos, de Peninha, mostrando que, às vezes,  é tênue a fronteira entre o culto, de sentido elitizante, e o popular, naquilo que o povo assimila como sua cultura.

Douglas Menezes é professor cabense e Membro da Academia Cabense de Letras. Email: douglasmenezesnet@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ALGUMA COISA ACONTECE...

DOUGLAS MENEZES

   Alguma coisa acontece nos corações e mentes quando um artista reconstrói o desconstruído. Faz do feio aparente, a beleza maior. Tira do lodo ou do feioso cinza, cores irradiando a vida, enxergando um sol amanhecendo naqueles dias em que a poesia parece inundar a existência. Alguma coisa acontece principalmente nos corações, quando o que poderia ser despoetizado pela evidência de um ambiente insalubre, não só feio, como até mesmo grotesco, poluído, desumano, incolor, artificial, violento, medroso. Alguma coisa acontece, principalmente nos corações, quando o que poderia ser despoetizado se torna a mais genuína expressão de conteúdo poético, pura busca de humanizar o desumano.
   “Alguma coisa acontece no meu coração/ Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João”. Caetano Veloso consegue fazer do concreto paulista, um jardim inimaginável de poesia para São Paulo. Torna humana cada fealdade expressa. Põe virtude nos defeitos cantados e comuns a todos que conhecem aquela selva. Uma verdadeira compaixão, como se tivesse pena das coisas ruins que habitam Sampa, e encontrasse nelas o sumo da vida, o adubo necessário para se construir uma humanidade. Como se a torre de babel finalmente vislumbrasse uma linguagem única, irmanando a todos, de todas as raças e idiomas, numa só nação.
   Caetano consegue musicalizar São Paulo no próprio título do poema. O samba que representa a redenção. O desfilar na melodia perfeita para o objetivo proposto. Tornou a música, simples por sinal, numa narrativa que é um roteiro para quem chega a São Paulo e sente o choque de realidade, muitas vezes tão cruel que leva o indivíduo desavisado a sucumbir e se transformar em mais um ser marginalizado na cidade grande. Um roteiro, também, para aqueles que resistem, tiram o manto do preconceito, e, a duras penas, se adaptam, começam a viver a  urbe gigantesca nos aspectos do bem, sem esconder a realidade dura, mas enfrentada pelos grandes vencedores. Não esquecendo as contradições, muitas, as dificuldades do provinciano num mundo universal: “E foste um difícil começo afasto o que não conheço/ e quem vem de outro sonho feliz de cidade /  aprende depressa a chamar-te de realidade/ porque és   o avesso do avesso do avesso do avesso”.
     Em Sampa, a sensibilidade social, a disparidade de renda, a opressão aos mais pobres, a importância de dinheiro, necessário e também destruidor: ” Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. E o arremate crítico, politicamente correto com preocupação ambiental: “ Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”. E a referência do concreto paulista à concretude da poesia: “ E vejo surgir teus poetas de Campos e espaços”.
   Mas São Paulo é, ao mesmo tempo, a meca dos que desejam progredir, dos que não tiveram chance em suas terras. Simboliza a liberdade, o novo quilombo, a chance na vida. E Caê não deixou de observar isto.
   O roteiro termina de modo lânguido, carinhoso, num reconhecimento de que Sampa é humana e habitável para quem nela consegue ir além da sobrevivência . Poesia de um poeta maior: “E os novos baianos passeiam na tua garoa / E os novos baianos te podem curtir numa boa”.

DOUGLAS MENEZES É PROFESSOR, EX-SECRETÁRIO DE CULTURA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO E MEMBRO DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS.
EMAIL: douglasmenezesnet@gmail.com

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"LIÇÃO" COM VERA ROCHA



Quando os vendavais da vida sacudirem os alicerces do teu lar interior,
Resiste bravamente!
Finca teus pés na fortaleza da esperança,
Na persistência da brandura,
E renova tua fé, na crença que abraças.
A Roma dos Césares só se eternizou nos corações
fragilizados pela vingança, pelo ódio,
Pelos que se excederam no orgulho, no egoísmo e na vaidade.
Aos que confiam e esperam,
Os "Licínios Minúcios", da Cidade de Corinto, 
Assim como os "Césares" de Roma, passaram e passarão,
Deixando não apenas seus nocivos rastros,
Mas uma gama de lições e aprendizados.

Vera Rocha é poetisa, professora e da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;
Roga a Deus que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


Luiz de Camões (1560)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O SÍTIO E O HOMEM


O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:


"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso! - disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Valorize o que você tem, os amigos que estão perto de você, o emprego que Deus lhe deu, o conhecimento que você adquiriu, a sua saúde, o sorriso do seu filho. Esses são os seus verdadeiros tesouros. (Desconheço a autoria)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

VIRTUDES E VÍCIOS


Wagner Veneziani Costa


Vencer minhas paixões levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício, eis o que viemos aqui fazer. Do caos à ordem; da obscuridade à luz.


Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico, mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico é difícil.


Maçonaria não é religião nem partido político nem igreja; todavia ela põe o homem no caminho, desperta. Não oferece verdade definitiva, imutável, dogmática. Representa o livre exercício da tolerância. Aprende-se a interrogar, recolocar em questão. Graças a esse fator de progresso descobrem-se os caminhos do conhecimento e da ordem que deve reinar no domínio material e espiritual. Isto facilita ao homem desenvolver virtudes. Usa-se de processos, rituais; contatos humanos, conhecimentos, disciplina, e outros artifícios para definir no homem sua personalidade melhorada.


Virtude é passagem da paixão para ação e meditação. Uma externa outra interna. Caminho onde o homem revela a si mesmo e ultrapassa limites; encontra o "eu", o ser interno, com seus sentimentos, atos e pensamentos. Floresce a capacidade ou potência própria do homem desenvolver qualidades naturais. Desperta a virtude de valorização positiva do indivíduo, a disposição geral e constante da prática do bem. Não significa que o homem virtuoso seja altruísta ou filantropo, mas tende para tal. O homem de virtudes tem o hábito de cumprir leis e obedecer aos costumes da sociedade em que vive; socialmente correto, honesto, justo, paciente, sincero, compreensivo, generoso, prudente, corajoso e perseverante.

Maçonaria é a escola que permite controlar paixões. Faz com que se tenha domínio do "eu" e respeito ao próximo.


Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Mas não basta falar, urge experimentar, praticar. Os mais variados tipos de virtude têm de ser experimentados, vividos, compreendidos; ao menos intelectualmente. Assim como Spinoza,

"não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal. Para que acusar? Isso é a moral dos tristes e uma triste moral".

A primeira e fundamental parte da virtude é a verdade, dizia Montaigne,

"A verdade condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma".

A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer nem para serem devidas. Amor, generosidade e justiça só são virtudes se, antes de tudo, forem verdadeiras. Aqui surge a boa-fé; a conformidade dos atos e palavras com a vida interior ou desta consigo mesma. É respeito à verdade. Virtude sem boa-fé não é virtude. A boa-fé, como todas as virtudes, é o contrário de narcisismo, egoísmo cego, submissão a si mesmo.


Não confundir dever com virtude. Dever é coerção, virtude é liberdade, ambas necessárias.  O que se faz por amor não se faz nem por coerção nem por dever. Quando o amor e o desejo existem, para que o dever? Não amamos o que queremos, mas o que desejamos. O amor não pode ser comandado nem pode ser dever.

Nietzsche dizia:

"O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal".

A virtude não é bem, mas a força para ser e agir na prática do bem.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

SOMOS APENAS CRIANÇAS


...trabalhamos, compramos, vendemos e construímos relações sociais; discorremos sobre política, economia e ciências, mais no fundo somos meninos brincando no teatro da existência, sem poder alcançar sua complexidade. Escrevemos milhões de livros e os armazenamos em imensas bibliotecas, mas somos apenas crianças. Não sabemos quase nada sobre o que somos. somos bilhões de meninos que, por décadas a fio, brincam neste deslumbrante planeta. Augusto Cury no Livro Vendedor de sonhos, Pag. 30.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O CICLO

Ó mundo corrompido
corrompido pela politica
corrompido pela guerra
corrompido pela humanidade.

Ó humanidade corrompida
corrompida pela fome
corrompida pela desigualdade
corrompida pelo homem.

Ó homem corrompido
corrompido pelo ódio
corrompido pela inveja
corrompido pelo seu próprio mundo.

A POLÍTICA

Para falar sobre a política,
Preciso ter muita sabedoria,
Pois, magoar quem quer que seja
Não quero e jamais quereria,
Eu penso que o partido
Que deve ganhar é o bem comum
Cujos vereadores devem ser
A paz e o perdão...
Acho que a prefeitura deve ser,
O nosso coração,
A nossa cidade deve ser,
A nossa personalidade,
O programa de governo deve ser,
A caridade e a liberdade que devem
Consistir em fazer o que se deve, e não que se quer.
Penso que a nossa sociedade deve ser a letra daquela
canção que diz: você precisa conhecer a minha terra, lá não tem guerra
Nem polícia, nem ladrão, não tem partidos de esquerda ou direita,
Todo mundo se respeita
Isso é que é Constituição.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MORRI E VIVI

Morri para o coitado que se contradiz
Morri para a podre política brasileira
Morri para o barco furado que está em algumas igrejas
Morri para a má educação
Morri para o Amigo Inimigo da Silva
Que ilude o Amigo Aliado do Peito
Morri, por que passei pela mudança
Vivi para a alegria dos inocentes
Vivi para a poesia incandescente
Vivi para o batuque afro-descendente
Vivi para a esperança que espera
Vivi para o pouco que acoberta
Vivi, por que aprendi com a mudança.

ROTARY CABO PROMOVE SHOW COM A BANDA CERVAC

 
O Rotary Club Cabo convida a todos para participarem das comemorações dos 50 anos do abrigo são Francisco, que acontecerá no próximo dia 04 de outubro às 16 horas.
 
Local: Abrigo São Francisco.
 
O evento contará com Show da Banda Cervac que tem sua formação com crianças e adolescentes.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É PRECISO SABER DESLIGAR


Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, o tal balancete no final do ano. Deixe de lado a cobrança interna, a dívida externa, a tão eterna dúvida. Viver é assim. Não há como negar. Para ficar ligado é preciso saber desligar. Fácil? Nem tanto. Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo. Portanto, esqueça o relógio. Seu tempo está dentro de você. Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão. Não deixe a agenda ocupar sem querer - o lugar do coração. Respeite sua hora. Desacelere. TURN OFF. Mais do que correr, é preciso saber parar. Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir. Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo. Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está em livros. Mas dentro de cada um. Quer tentar? Respire fundo. Desencane. Perca seu tempo com você! É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei. Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar. Cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil? Pode ser. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida. Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você. Esqueça. Se esqueça. Hora de se perdoar. RENASÇA. Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala. E meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita com voz desafiante: confie em si mesma. Quebre a rigidez. Ouse. Brinque. Viva com mais leveza. E - por favor - desligue-se. Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida. E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser: CHEGOU A HORA!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

É FÁCIL TROCAR AS PALAVRAS

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."                                                   


 Fernando Pessoa

domingo, 2 de setembro de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UMA LENDA MAÇÔNICA DO TEMPO



Como em um passe de mágica, o tempo começou a se mover, tudo ao seu redor começou a girar, e o pedreiro se viu dentro de um grande vórtice, onde o tempo caminhava para trás. Logo, em seguida, percebeu que estava em sua consciência o poder que fazia mover o tempo. Foi quando de repente, o tempo parou, tudo a seu redor eram trevas, havia silêncio, apenas uma voz inaudível falava em diálogo mudo em sua consciência. A voz do silêncio era sua única companhia. Naquele momento o silêncio lhe falava de um caminho que devia seguir e, que nela faria muitas viagens.
Gira mais uma vez o tempo, agora começa a se movimentar para frente, um vórtice lento se forma, mais tudo era escuridão. De repente, uma voz poderosa rasga o silêncio em meio a escuridão, dizendo: “Faça-se a Luz”, e um novo ritmo se estabeleceu. No meio de sons de batidas a voz disse: Sic trasit  gloria  Mundi”, e a luz rompeu as trevas de sua consciência.
Em meio a um cataclisma emocional, atordoado pelo barulho e ferido pela luz, veio a surpresa.
Entre os raios de luz que ofuscavam seus olhos, reconhecia amigos e cada um lhe apontava uma aguçada espada. E a voz que habitava o oriente brandou dizendo: “Não vos assusteis. Estas espadas a vós apontadas, significam que estão prontas a vos defender, mas também zelarão pela lei, caso vos falteis para com ela”.
Nesse momento, o tempo avançava novamente e tudo ao seu redor começava a girar, e ele viaja mais uma vez no tempo e, quando o tempo parou, lá estava ele se vendo como um Aprendiz nos mistérios da Edificação. Tinha no peito um grande orgulho e, uma motivação que transparecia no seu semblante. Faceiro, orgulhoso incansável de seu ofício, com braço firme, cheio de força, desferia o malho sobre o cinzel que apontava a pedra bruta.
Ao seu lado, incansável, o seu Mestre que lhe ensinava com satisfação todos os segredos do ofício, do empunhar do cinzel ao traçar da régua. Tudo tinha que ser justo e perfeito. O Mestre era rigoroso e tinha consciência da necessidade de agir como tal, porém era brando, paciente e muito tolerante.
O Mestre ensinava seu ofício com habilidade e sabedoria, transmitindo confiança e motivação a seus aprendizes. Ensinava que do conhecimento nasce a perfeição e, desta advém o equilíbrio. Ensinava, ainda, que a pedra teria que ser bem escolhida para poder ser bem trabalhada. Suas dimensões bem definidas e suas arestas bem aparadas, pois, a beleza da construção do edifício dependia desse trabalho. Era preciso conhecer, muito bem cada detalhe, do empunhar do cinzel ao golpe do maço, pois um desvio do cinzel ou uso errado da força, a pedra semidesbastada se tornaria bruta novamente. Na execução desse trabalho, ensinava que o corpo, a mente e razão deveriam tornar-se uma só entidade. O Mestre ensinava, ainda, que a majestade e a resistência do edifício está na dependência das bases onde foi construído. Somente uma base sólida é capaz de substituir à ação do tempo.
Assim, destacava que apenas um bom pedreiro constrói com perfeição e, que só um bom Aprendiz chega a se tornar um bom Mestre, porque só ensina aquele que, bem aprende, quer e tem competência.
Era uma grande escola, ali se ensinava verdadeiramente a Maçonaria.
Por  Moacir José Outeiro Pinto