quinta-feira, 28 de julho de 2011

DIMINUA O RITMO


Alguma vez você já observou crianças num carrossel?

Ou uma escola de samba inteira na avenida?

Ou ouviu a chuva batendo no chão?

Alguma vez já seguiu o vôo de uma borboleta?

...ou fixou o olhar no sol no crepúsculo?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Você corre através de cada dia voando?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Você disse alguma vez a uma criança:
Vamos deixar para fazer isto amanhã?

E na sua pressa, não viu a tristeza dela?

Perdeu contato, deixou uma boa
Amizade morrer porque você nunca
Tinha tempo para ligar e dizer "oi"?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Quando você corre tão depressa
Para chegar a algum lugar,
Você perde metade da satisfação de chegar lá.

Quando você se preocupa
E se apressa em seu dia todo,
É como se fosse um presente que não foi aberto...

Um presente jogado fora!

A vida não é uma corrida...

... Leve-a mais devagar...
... Ouça a música...
... Antes que a canção acabe!


(autoria desconhecida)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

UMA VIDA DE PROBABILIDADES

Viver em busca da felicidade, esse é o chavão eterno do homem, que muitas vezes nem mede as consequências para atingi-lo. Daí ele se depara com os conflitos existenciais inerentes à própria formação humana. Vive-se uma existência de probabilidades, onde as paixões se confundem com os acertos e os induzem a permanecer nessa estrada de tentativas, complementada de erros e frustrações.

Torna-se imprescindível, uma postura equilibrada principalmente na tomada de decisões, pois os posicionamentos, muitas vezes, escapam à normalidade, ou seja, o senso de justiça, a imparcialidade. Como é difícil o homem transitar sem se deixar desviar pelas tentações alienatórias! De forma contumaz, sem perceber, subitamente, ele está totalmente mergulhado nessa avalanche destruidora, servindo de conforto, simplesmente, o fato óbvio dele não ser o único.

Ter uma visão ampla com uma consciência prática, observando todas as variantes possíveis, torna-se muito difícil, principalmente nessa enxurrada de supérfluos, de forma enlouquecedora, incentivada pela globalização diante das novas tecnologias.

Como fica o cidadão simples que depende dessas soluções e desses apoios?  Está Cada vez mais difícil uma resposta coerente e esses resultados de probabilidades inconsequentes transmitem a impressão que vem de muito longe, desde as cavernas, tendo ainda que o acompanhar por um longo período.

É imprescindível continuar mantendo a crença em Deus que é o Grande Arquiteto do Universo, só ele ensinará o caminho da verdadeira iluminação, sem os ranços opacos da intolerância, do preconceito, da corrupção, da tirania, dos erros e principalmente da ignorância...

João Sávio Sampaio Saraiva é membro da ACL Academia Cabense de Letras e da AMLO Academia Maçônica de Letra de Olinda.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMIGOS

No "Dia do Amigo" façamos uma reflexão e certamente encontraremos a palavra saudade, e aí perceberemos nossas forças revitalizando e a vontade de acontecer vindo à tona, como um chamamento... É hora de se dar mais uma vez as mãos, de sonharmos juntos, sempre...  
João Sávio.

Vinicius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho
deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem desaparecidos todos os meus amores,
mas enlouqueceria se desaparecessem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese,
dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

LÍRIOS, TULIPAS & ESCORPIÕES


Primeiramente, há de se deixar bem clara nessa proposta literária de Valéria Saraiva, três aspectos a serem considerados. Em primeiro lugar coloco o propósito da poetisa, em construir respostas dentro de uma abstração, para uma arte que procura sanar o que ela considera como o irremediável vácuo da sua geração, como produtora de arte. Em segundo lugar a grandeza artística que efetivamente é manifestada aqui como poesia, transpondo as fronteiras além da imaginação e confortando íntimos correlacionados.  E em último lugar o conteúdo apresentado dá uma conotação intelectual à autora: clarividência do pensamento sobre o mundo, a concreta reflexão acerca do outro e sobre si mesma, o mergulho nas águas profundas da alma humana e um gênio professoral.  Valéria Saraiva nos induz a alcançar uma poetisa pedagógica – uma poesia que educa, uma orquestração filosofante – mesmo que lá nas entranhas, se dê a perceber, um evidente querer dar o que pensar, próprios dos modos de sabedoria. Pretende Valéria Saraiva apenas provocar a imaginação artística dos outros, doando-lhes matéria prima.
A poesia que aqui se publica é primorosamente condensada em sua construção formal (os fatos históricos, a terra esquecida, as origens, os impactos alertadores que tanto ensina) e generosamente engrandecida, tanto no espectro multifocal dos cenários (as concretas e principalmente as psicológicas) quanto à longa abrangência dos poemas, frutos da justaposição dos fragmentos unidos a um tipo de suspiro transversal das mesmas conjunções da escrita musical.   A capacidade intelectual e o gênio globalizado muitas vezes não estão em muitos, está diante de um caso em que se traduz numa só.  Na Superabundância de potências de uma só poetisa. Valéria Saraiva permite-se ao longo da sua produtiva vida intelectual, diversificar a inteligência e fazer crescer o seu gênio.
Parabéns, querida sobrinha, vamos continuar a alimentar essa chama poética na semântica dos redemoinhos tropicais do Araripe, migrando ao Atlântico com sua sonoridade Virgolineana e arrastando-se na caatinga e nos fluxos armoriais do Capibaribe, Ipojuca e Pirapama.
João Sávio Sampaio Saraiva é membro da Academia Cabense de Letras e da Academia Maçônica de Letras de Olinda.  

sexta-feira, 8 de julho de 2011

EU CANTAREI DE AMOR TÃO DOCEMENTE

                                                 Luís Vaz de Camões (1524/5-1580)

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

RETRATO

Por Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

INOCENTE OU CULPADO?


     Conta uma lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor do crime era uma pessoa influente no reino e, por isso, desde o primeiro momento, se procurou um bode expiatório para acobertar o verdadeiro assassino.
     O homem injustamente acusado de ter cometido o assassinato foi levado a julgamento. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo das falsas acusações. A forca o esperava!
     O juiz, que também estava conluiado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência.
    Disse o desonesto juiz: — Como o senhor, sou um homem profundamente religioso. Por isso, vou deixar sua sorte nas mãos de deus. Vou escrever em um papel a palavra INOCENTE e em outro a palavra CULPADO. Você deverá pegar apenas um dos papéis. Aquele que você escolher será o seu veredicto.
     Sem que o acusado percebesse, o inescrupuloso juiz escreveu nos dois papéis a palavra CULPADO, fazendo, assim, com que não houvesse alternativa para o homem. O juiz, então, colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem, pressentindo o embuste, fingiu se concentrar por alguns segundos a fim de fazer a escolha certa. Aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e o engoliu. Os presentes reagiram surpresos e indignados com tal atitude.
     O homem, mais uma vez demonstrando confiança, disse: — Agora basta olhar o papel que se encontra sobre a mesa e saberemos que engoli aquele em que estava escrito o contrário.

CONCLUSÃO:
   Se tem uma coisa difícil para quem está diante de um desafio grande, é lidar com as injustiças do sistema. Elas existem, desde sempre, e devem, sim, ser combatidas. São inúmeros os métodos criados para favorecer uns, em detrimento de outros. Some-se aos homens de bem para combater as injustiças, os preconceitos, os erros, a corrupção, a tirania e a ignorância, glorificando o direito a justiça e a verdade.  
   Denuncie, denuncie, denuncie... mesmo que isto o prejudique, mesmo que você seja um dos beneficiados com a “injustiça”, reconheça a sua natureza e... denuncie. Nunca se omita! Dessa forma atinja a verdadeira felicidade.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SEXTA DE LETRAS


A Academia Cabense de Letras continua com o SEXTA DE LETRAS 2011, na próxima sexta, 1º de julho, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores do Cabo.  O tema proposto será "OS IMPACTOS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO SOBRE A CULTURA REGIONAL", conduzido pelos acadêmicos Jairo Lima , Frederico Menezes e Ivam Marinho com a intervenção dos demais acadêmicos e debate aberto ao público.



O Projeto Sexta de Letras, da ACL Academia Cabense de Letras, acontece sempre na primeira sexta-feira de cada mês estando em sua segunda edição.

terça-feira, 28 de junho de 2011

CAMPANHA PUBLICITÁRIA NA CIDADE DE SÃO PAULO EM OUTDOORS:


·         "Crie filhos em vez de herdeiros."
·         "Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
·         "Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
·         "Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
·         "Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
·         "Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
·         "Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
·         "Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
·         "...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"
·         "Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."
E para terminar: "Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

E O SERTÃO?

Por Valéria Saraiva em 13/01/1999

Homens que olham
Para os seus filhos e choram.
Lembram que o futuro está apagado e choram.
Nas covas vêem sepultados todos os sonhos.
Todos os fantasmas foram convidados para este enterro.

Nem uma gota d’água
Deus não manda mais
Nem uma gota d’água pra trazer a paz
Para este sertão.
Só quem se lembra é o cão.
Só o que não falta é a dor,
É a fome,
É a morte,
É o horror.
A família sofre junta
Reza pra vê se Deus ajuda

Mas no céu
As nuvens não se juntam.
Anoitece e amanhece ateu.
Só o cão do sertão se lembra.
Quando tu hás de lembrar meu Deus?!

terça-feira, 21 de junho de 2011

SEDE DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS



A Academia Cabense de Letras no esforço de poder inaugurar a sua Sede Social antes do dia 27 de Julho, ocasião em que a cidade comemora o Bicentenário de elevação da Paróquia à Vila do Cabo de Santo Agostinho, através do Alvará de 27 de Julho de 1811. A cidade está em festa pelos seus duzentos anos.  

"Lançando o olhar do espírito ao levante
- remota pátria mística da Lenda-
vejo singrar a Igara-açu farfante
que, do Brasil abriu a ignota senda"
(José Plech Fernandes)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CRÔNICA DO INVERNO


DOUGLAS MENEZES



Tem dia assim. A gente amanhece peito apertado. Vontade de não ver ninguém. Uma tristeza de descrença. Melancolia de criança roubada de seu melhor brinquedo. Dor que vem não sei de onde, nem de qual motivo. Apenas se instala o inverno. Uma mágoa que é só sua, que a ninguém a gente dá direito de compartilhar. Porque “a dor é minha dor”. E é bom que fique aqui dentro o sentimento de que tudo foi em vão, pois a vida não merece a morbidez desse momento.

Explicar como? Tanto barulho, as pessoas rodopiando na praça, o som junino enchendo a gente de alegria, e esse caminhar alheio, esses ouvidos que não ouvem, essa voz que não quer falar. Aqui e ali, um sorriso formal, uma brincadeira de futebol dita sem graça, entusiasmo nenhum, apesar de ser campeão. Só a fala de Mateus pedindo a cacunda cansada consegue ser audível e o aniversário de Caio, sem graça e sem festa, apesar do menino bom e carinhoso.

Chuvisco frio, neve na alma. Um mundo que não se quis, mas um mundo possível é o que se tem. E aí se dorme depois, aos sobressaltos, pensando no que pode vir, na violência enraizada, no medo que ela atinja os seus e roube uma das razões dessa vivência, que no momento é glacial e quase sem vida.

Mas, enfim, chega o sono pesado, a morte de algumas horas. E a esperança de uma manhã que se não for de luz radiante, seja, pelo menos, o início de um nebuloso dia de sol.

13 de junho de 2011.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

HOMENAGEM AO HISTORIADOR DA LIBERDADE


CONVITE

Sinta-se especialmente convidado pela escritora Fátima Quintas, para o lançamento do livro Amaro Quintas, O Historiador da Liberdade, na academia pernambucana de Letras, dia 21 de junho de 2011, às 19h00.
Conversa com Socorro Ferraz (UFPE) e Ivanildo Sampaio (Jornal do Commercio). Apresentação do Quarteto Vicente Fittipaldi, do Conservatório Pernambucano de Música.

O que: Lançamento do livro: Amaro Quintas, O Historiador da Liberdade.
Onde: Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui barbosa, 1596, Graças, Recife - PE
Quando: dia 21 de junho de 2011

Convite em anexo.

Atenciosamente
Cássio Cavalcante
Secretário Geral da UBE-PE
Cadeira de Nº 01 da ARL

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O LIVRO DA LEI


A FELICIDADE E A VERDADEIRA AMIZADE

"Por raro que seja um verdadeiro amor, é mais rara ainda a  verdadeira amizade" (La Rochefoucauld)
Estamos todos para "aprender e ensinar", depende de nós essa regeneração do gênero humano, mesmo que digam ser uma utopia vamos em frente, cada um fazendo o seu trabalho de procurar entender e fazer com que entendam os ensinamentos Maçônicos.
O mestre também aprende e o discípulo também ensina, não se esqueçam disto, somos senhores e servos. A quem vamos servir e quem vamos comandar nos dirá se terá valido a pena ter mais uma vez existido. Tudo é uma questão de SABER e oportunidade.
" Nunca o sono te feche as pálpebras sem que antes hajas perguntado a ti mesmo:
- Que fiz eu? Que deixei de fazer neste dia?
Se praticaste o mal, recua; persevera se praticaste o bem" (Pitágoras)

TATU LITERÁRIO

Algumas farpas lançadas pelo escritor Lêdo Ivo, 86 anos

- É claro que a exuberância da paisagem atrapalha. Veja o problema amazônico: a paisagem no Brasil sai pelo ladrão. Isso se reflete na literatura brasileira. É uma literatura muito paisagística, muito  cosmética. É raro, no Brasil, um escritor do tipo de Machado de Assis, um “tatu literário", que sonda as almas. Uma das funções da literatura é o estudo da condição humana. Você não pode fazer uma literatura cosmética, só de fora. Você tem de fazer uma literatura “de dentro”. Isso falta ao Brasil! É um país que tem uma literatura muito desespiritualizada, uma literatura muito de superfície.

-  O calor excessivo não ajuda a reflexão. Os escritores europeus produzem, em geral, nos meses de frio. Baudelaire anseia pelo frio para escrever seus poemas! Aqui no Brasil, o calor atrapalha muito”.

- Não consigo passar da página três de nenhum livro de teoria literária, porque não sei em que língua são escritos.

- O sistema de difusão cultural no Brasil mudou. Já não temos críticos literários. Quando surgi, havia críticos como Antônio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda, Álvaro Lins e Wilson Martins – que me reconheceram. Pude sair do anonimato e me tornar uma figura pública. Hoje, o ”juiz literário” do poeta é o repórter do segundo caderno.

- Antes, vinha gente de Minas Gerais para ver Olavo Bilac passar na avenida. Hoje, ninguém vem nem de Nova Iguaçu para ver um de nós passar pela avenida Presidente Wilson!” - Noto que os jovens poetas não têm o senso da tradição literária. Não leram Dante, não leram Skakespeare. Não é culpa deles apenas. É culpa do sistema educacional ! As escolas começaram a privilegiar o presente, como se o Brasil tivesse começado na Semana de Arte Moderna!

- Desde que, na ditadura militar, se substituiu o estudo da gramática pela chamada “comunicação e expressão”, as novas gerações começaram a falar muito mal. É uma linguagem padronizada – e, às vezes, de grunhidos…

Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.
É membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O MILAGRE DA VIDA

                                                            Albert Einstein

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.


Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O AMOR


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa


TEU SEGREDO

Flores envenenadas na jarra.
Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar.
Que riqueza de hospital.
Nunca vi mais belas e mais perigosas.
É assim então o teu segredo.
Teu segredo é tão parecido contigo
que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco
como se o teu enigma fosse eu.
Assim como tu és o meu.


Clarice Lispector

ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

OLAVO BILAC


segunda-feira, 6 de junho de 2011

IDEALISMO

(Augusto dos Anjos)

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?!

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
-Alavanca desviada do seu fulcro-

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O PAPEL DA ESCOLA NA HUMANIZAÇÃO DAS PESSOAS

Nelino Azevedo de Mendonça

A importância de repensar o papel da escola enquanto instituição responsável pelos processos formativos destinados às maiorias sociais surge, atualmente, como uma condição fundamental para que se possa reorientá-la na direção dos interesses, anseios, desejos e realidade sociocultural das classes populares.


Tal necessidade se justifica pelo fato de a escola não responder, tanto na sua concepção quanto na sua organização, às expectativas que as classes populares da sociedade esperam dela, que é contribuir de forma substantiva para o seu êxito social. Essas questões devem ser consideradas para que se repense a escola no que diz respeito ao seu papel histórico, à sua meta educacional e à sua finalidade, enquanto ofertante de processos educacionais dirigidos às populações historicamente excluídas da sociedade.

Em conversa sobre o papel e o futuro da escola, Miguel Arroyo afirma que a escola básica se construiu de maneira muito descaracterizada, sempre foi uma escola para algo, uma escola para tirar os analfabetos do analfabetismo, ou para preparar o cidadão para a República, ou para o emprego, ou para o vestibular. A escola e a educação básica tiveram um caráter propedêutico, preparatório: preparatório para a próxima série, para o próximo nível, preparatório para a sobrevivência (2003, p. 128).

Por essa razão, a escola deve ser reconstruída na perspectiva de se transformar num ambiente formativo de processos socioeducacionais capazes de contribuir significativamente na formação humana dos sujeitos, de modo pleno e integral, e não se limitar a ser um espaço apenas para a escolaridade das pessoas. Reduzir a escola a uma agência de transmissão de saberes formais, preocupada exclusivamente com os conhecimentos instrumentais, que são aqueles organizados pelas diversas áreas de conhecimentos (matemática, língua portuguesa, geografia, história, entre outras), é desvirtuar a verdadeira função social, pedagógica e política da escola.

É certo que esses conhecimentos são fundamentais para a construção das competências e habilidades dos sujeitos, contudo, são insuficientes e limitados, quando se pretende a formação integral dos seres humanos. Para isso, a escola deve desenvolver a sua função socioeducativa, articulando os conhecimentos instrumentais com os conhecimentos educativos e os conhecimentos organizativos, como defende Souza. São conhecimentos educativos aqueles que vão possibilitar aos sujeitos a construção de sua identidade enquanto ser, enquanto pessoa que se constitui cidadão/cidadã com capacidades de viver/conviver no meio social; os conhecimentos organizativos vão contribuir para a ação/intervenção, individual e coletiva, na sociedade.

Os seres humanos constroem sua identidade pessoal e social em contextos históricos e culturais, a partir de processos relacionais consigo mesmos, com os outros e com o mundo. É nessa relação interativa e dialógica que os seres humanos se diferenciam dos outros animais e é, exatamente por isso, que a escola deve ser um espaço de confrontação e diálogo de saberes, sejam eles saberes formais, informais, particulares, populares, científicos. É através desse diálogo que novos saberes serão construídos. Mas esses novos saberes deverão ter um sentido, uma validade, uma importância subjetiva e objetiva para a vida das pessoas, para que cada cidadão e cada cidadã possam ter maior capacidade e poder de intervenção na sociedade e, consequentemente, torná-la menos desumanizante e mais humanizada.

Considerando o contexto e a perspectiva que se pretende para a escola, enquanto propulsora de processos educativos capazes de contribuir para o sucesso escolar e social das camadas populares da sociedade e de sua permanente humanização, Souza afirma que se a escola pretende garantir as finalidades da educação básica, precisa desenvolver uma “educação como processos e experiências de humanização do ser humano, incluindo, portanto, as questões do trabalho, da cidadania, do respeito aos outros e às outras, o desenvolvimento cultural de todas em todos os quadrantes da terra” (2004, p. 73).

Pode ser a partir desta proposição que se construam os fios que vão tecendo o caminho que rompa com o atual modelo educacional e faça surgir uma escola que em lugar de ter caráter meramente escolarizante, seja capaz de construir novas relações humanas e contribuir para os processos de humanização. Uma escola que compreenda que a construção das identidades pessoais e coletivas exige o reconhecimento e a valorização das culturas locais, regionais e universais; uma escola que assegure uma convivência democrática capaz de comportar as diversas formas de convivência de classe, de etnia, de gênero, de credo, de idade, de linguagem, de opção sexual, de ideologia. Mas, ao mesmo tempo, uma escola que rompa “radicalmente com as formas de dominação e exploração ideológicas e históricas da vida humana, como, também, despoluírem-se dos ranços preconceituosos e discriminatórios que pregam e impõem uma unidade que não admite nem reconhece a presença das diferenças”. (MENDONÇA, 2006, p. 111)

A superação desse modelo de escola exige, além de uma grande reestruturação do sistema econômico e social do país e de novas políticas sociais que estejam a favor das maiorias sociais excluídas dos direitos básicos e fundamentais, uma mudança de mentalidade que reconheça o ser humano como sendo a razão central de qualquer tipo de transformação e desenvolvimento social. De acordo com Lima, “a democracia, a solidariedade e o bem comum continuam a representar os maiores problemas da escola pública” (2006, p. 26), mas é exatamente porque o aperfeiçoamento social, a democracia, o bem comum e a solidariedade são os maiores bens na construção da humanização dos seres humanos.

Nelino Azevedo de Mendonça é professor universitário e presidente da ACL Academia Cabense de Letras.

terça-feira, 31 de maio de 2011

LEI DO CAMINHÃO DE LIXO

 Um dia peguei um taxi e fomos direto para o aeroporto.
 Estávamos rodando na faixa certa quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente.

 O motorista do taxi pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!

 O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós.

O motorista do taxi apenas sorriu e acenou para o cara.

E eu quero dizer que ele o fez bastante amigavelmente.

Assim eu perguntei: 'Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!'

Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo 'A Lei do Caminhão de Lixo."

Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente.

Apenas sorria, acene, deseje-lhes bem, e vá em frente. Não pegue o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.

O princípio disso é que pessoas bem sucedidas não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta para levantar de manhã com sentimentos ruins, assim... Ame as pessoas que te tratam bem. Ore pelas que não o fazem.

A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!

Tenham um ano  livre de lixo!
                                                             
Autor desconhecido.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

DEZ COISAS QUE LEVAMOS ANOS PARA APRENDER




 
1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o 
     garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa. 

    (Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha) 
 
2. As pessoas que querem compartilhar as visões 
    religiosas delas com você, quase nunca querem que você 
    compartilhe as suas com elas. 
   (Tá cheio de gente querendo te converter!) 
 
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.  
    (Na maioria das vezes quem tá te olhando também não sabe! Tá valendo!) 
 
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca. 
    (Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra!)
 
5. Não confunda sua carreira com sua vida.
    (Aprenda a fazer escolhas!) 
 
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio 
     para dormir e um laxante na mesma noite. 
     (Quem escreveu deve ter conhecimento de causa!) 
 
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a 
    razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca 
    atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria 
    'reuniões'. 

    (Onde ninguém se entende... Com exceção das reuniões que 
     acontecem nos botecos...) 

 
8. Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença 
    mental'. 

    (Ouvir música é hobby... No volume máximo as sete da 
    manhã pode ser doença mental!) 
 
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito. 
    (Que bom!!!!!) 
 
10. Lembre-se: nem sempre os profissionais são os 
      melhores. Um amador construiu a Arca. 

      Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. 
      (É Verdade mesmo!!!) 
 
'Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que  outra pessoa morra.'  William  Shakespeare