sexta-feira, 12 de março de 2010

HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA

Tratamento e controle da pressão baixa ou hipotensão Os médicos geralmente podem tratar com sucesso a pressão baixa, ou hipotensão. Muitas pessoas que têm pressão baixa podem levar vida normal. Caso você tenha pressão baixa, pode tomar algumas medidas para controlar ou limitar seus sintomas, como tontura e desmaio. Se você tem hipotensão ortostática (pressão baixa que ocorre quando a pessoa levanta depois de estar sentada ou deitada), procure levantar devagar depois de estar sentado ou deitado. Se você tem hipotensão pós-prandial (uma forma de hipotensão ortostática que ocorre depois da alimentação), procure comer pequenas refeições com poucos carboidratos. Caso tenha hipotensão neuralmente mediada (a pressão cai depois de ficar em pé por muito tempo ou quando passa por situações aterrorizantes ou desagradáveis), procure evitar ficar de pé por longos períodos. Também, beba bastante líquidos e tente evitar situações aterrorizantes. Tratamento e orientações para controlar a hipotensão ortostática Há vários tratamentos para a hipotensão ortostática. Se você tem esse tipo de pressão baixa, o médico pode aconselhar alterações no estilo de vida, como: * Beber bastante fluidos como água. * Evitar bebidas alcoólicas. * Levantar devagar. * Não cruzar as pernas quando sentado. * Comer refeições pequenas com pouco carboidrato caso tenha hipotensão pós-prandial (uma forma de hipotensão ortostática). Converse com seu médico sobre o uso de meias de compressão. Essas meias aplicam pressão às pernas e ajudam o sangue a mover pelo corpo. Caso remédios estejam causando a pressão baixa, o médico pode ajustar a dose ou trocá-lo. Há vários medicamentos usados para tratar hipotensão ortostática. Tratamento e orientações para controlar a hipotensão neuralmente mediada Caso tenha hipotensão neuralmente mediada, pode precisar fazer mudanças no estilo de vida, como: * Evitar situações e engatilham os sintomas. Por exemplo, não ficar em pé por muito tempo ou evitar situações aterrorizantes. * Beber bastante fluidos como água. * Elevar a ingestão de sal de acordo com a orientação de um médico. * Aprender a reconhecer sintomas que ocorrem antes de desmaiar e tomar ação para elevar a pressão. Por exemplo, sentar e colocar a cabeça entre os joelhos pode elevar a pressão. Caso remédios estejam causando a pressão baixa, o médico pode ajustar a dose ou trocá-los. O médico também pode receitar remédios para tratamento da hipotensão neuralmente mediada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

DATA MAGNA DE PERNAMBUCO Os ideais libertários da Revolução Pernambucana de 1817, também chamada Revolução dos Padres marcaram profundamente os ideais brasileiros de independência, nativismo e nacionalidade no Brasil. e particularmente no Nordeste. “ Revolução operada na Praça do Recife, aos seus do corrente mês de março, em que o generoso esforço dos nossos bravos patriotas exterminou daquela parte do Brasil o monstro infernal da tirania real” (Tipografia da República de Pernambuco – Segunda Vez Restaurado). Assim noticiava o Jornal dos Revolucionários. Aquela antiga revolução sob a liderança e iniciativa de Pernambuco, como a principal Província do Norte do Nordeste, atingiu as Províncias do Ceará, da Paraíba e Rio Grande do Norte, esta última ainda parte integrante de Pernambuco. Passados quase dois séculos a data transformou-se em 2006, em Data Magna do Estado de Pernambuco. Porém essa data não foi devidamente trabalhada com o povo de forma que o povo desconhece o valor dessa Revolução. Certamente de maior importância para Independência do Brasil do que a Inconfidência Mineira, inclusive com maior número de mártires, que nos dias atuais os historiadores tem descoberto outros viés no interesse de seu maior herói, o Tiradentes, ao qual a pátria reverencia pelo feriado de 21 de abril. Esquecidos na história, lembrados em algumas ruas, e raros monumentos, estão os mártires da Revolução Pernambucana de 1917, tais como Padre Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro), fuzilado no largo do Campo da Pólvora, em Salvador, em 12/06/1817, José Martins de Sousa e José Luiz de Mendonça, presos com gargalheiras e correntes, ao modo de punição de escravos fugitivos, condenados e executados sob acusação de crime de lesa-majestade. Outros revolucionários tiveram outros fins trágicos: José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como Padre Roma, (Recife, 1768 — 1817), foi executado na Bahia, o Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, suicidou-se no Engenho Paulista, teve seu corpo mutilado, suas mãos enviadas para Goiana, sua cabeça num poste do Recife... Domingos Teotônio Jorge, José de Barros Lima (o Leão Coroado) e José Peregrino, de apenas 18 anos, subiram no patíbulo do Recife, afora mais de uma centena de condenados. Passados quase 200 anos, esquecemos, ou nos fizeram esquecer – é bom não nos fazermos de vítima - um passado de lutas pela liberdade e hoje entregamos nossos destinos, através de votos inconscientes, comprados, vendidos... ou através da falta de cidadania, nas mãos de grupos políticos inescrupulosos, sem moral e sem ética, que usam e abusam do povo, os exploram com impostos, e roubalheiras da pátria e da coisa pública, tal qual a corte portuguesa e os idos 1817, motivos pela qual houve a Revolução Pernambucana de 1817. "O sonho durou apenas 74 dias e acabou debaixo de uma repressão violenta e muito cruel, que fez 1.600 mortos e feridos e mais de 800 degredados. Seu significado e consequências, porém, foram imensos. E pela sua importância e magnitude, é espantoso o esquecimento a que foi relegado, até mesmo em Pernambuco. Os revolucionários de 1817 não foram perseguidos apenas em vida: a sua história também foi apagada da memória popular. Conseguiram transformá-la, apenas, nas “desmaiadas lembranças” do verso de Carlos Pena Filho". Descansem em paz, heróis de 1817, mas despertem com seus espíritos imortais novos, vigor revolucionário nas mentes de nossos jovens, pois os mais velhos parecem estar perdidos! A Revolução Pernambucana de 1817 tornou-se o marco de maior expressão com o sentimento de "Não Submissão" já visto... Parabéns a maçonaria!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Carta de Anita Leocádia Prestes ao Globo

A redação de "O Globo" Tendo em vista matéria publicada em “O Globo” de hoje (p.4), intitulada “Comissão aprovará novas indenizações” e na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, devo esclarecer o seguinte: Luiz Carlos Prestes sempre se opôs à sua reintegração no Exército brasileiro, tendo duas vezes se demitido e uma vez sido expulso do mesmo. Também nunca aceitou receber qualquer indenização governamental; assim, recusou pensão que lhe fora concedida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Sr. Saturnino Braga. A reintegração do meu pai ao Exército no posto de coronel e a concessão de pensão à família constitui, portanto, um desrespeito à sua vontade e à sua memória. Por essa razão, recusei a parte de sua pensão que me caberia. Da mesma forma, não considerei justo receber a indenização de cem mil reais que me foi concedida pela Comissão de Anistia, quantia que doei publicamente ao Instituto Nacional do Câncer. Considerando o direito, que a legislação brasileira me confere, de defesa da memória do meu pai, espero que esta carta seja publicada com o mesmo destaque da matéria referida. Atenciosamente, Anita Leocádia Prestes Obs.: Não custa lembrar Rui Barbosa, há quase 100 anos: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CMSB

XXXIX Assembléia Geral da CMSB: conheça a programação Conforme anteriormente já anunciado, o mundo maçônico estará, no período de 10 a 15 de julho próximo, com as atenções voltadas para a cidade de Belém capital do estado do Pará. É que ali se realizará a XXXIX Assembléia Geral da Confederação da Maçonaria do Brasil (CMSB), com a participação de delegações das Grandes Lojas de todos os estados do Brasil e de representantes de Potências Maçônicas do exterior. Veja-se trechos da mensagem de boas vindas emitida pelo Irmão José Nazareno Nogueira Lima, Grão-Mestre da Grande Loja anfitriã. "Estamos extremamente orgulhosos e contentes em receber a Família Maçônica de todos os Estados Brasileiros e de vários Países do Mundo para abrilhantarem a XXXIX Assembléia Geral Ordinária da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – CMSB, que se realizará entre os dias 10 a 15 de julho de 2010, na cidade de Belém, promovida pela Grande Loja Maçônica do Estado do Pará. Vem que o Pará te espera e o Grande Arquiteto do Universos te cobrirá com as luzes de sua sabedoria e nos protegerá durante a realização desse verdadeiro encontro da irmandade maçônica". Conheça a programação geral: 10 DE JULHO – SÁBADO 19h Solenidade de Abertura – Centro de Convenções Hangar Traje: Maçom: Maçônico Convidados: Passeio completo 22h Coquetel de Confraternização Local: Hangar 1º Piso DIA 11 DE JULHO – DOMINGO GRÃOS-MESTRES 8h30 1ª Sessão Plenária – Sessão Preparatória 10h50 2ª Sessão Plenária. SEMINÁRIO DOS SECRETÁRIOS DE RELAÇÕES EXTERIORES 8h30 1ª Sessão Plenária. 10h50 2ª Sessão Plenária EVENTOS PARALELOS Palestras 8h30 Tema: Amazônia sem desmatamentos e queimadas: um horizonte possível? Palestrante: Doutor Alfredo Kingo Oyama Homma –Universidade Federal de Viçosa (MG) 9h30 Tema: “Família – Apertando laços e desatando nós” Palestrante: Dr. Alberto Almeida - Médico 10h50 Tema: Ritualística. Palestrante: PGM.'. Washington Lucena Rodrigues – Grande Loja do Estado do Pará DIA 12 DE JULHO – SEGUNDA-FEIRA GRÃOS-MESTRES 8h30 3ª Sessão Plenária 10h50 4ª Sessão Plenária (Continuação) 14h 5ª Sessão Plenária SEMINÁRIO DOS SECRETÁRIOS DE RELAÇÕES EXTERIORES 8h30 3ª Sessão Plenária. 10h50 4ª Sessão Plenária APRESENTAÇÃO E DEBATES – TESES 8h30 Início dos Trabalhos 10h50 Continuação dos Trabalhos EVENTOS PARALELOS Palestras 8h30 Tema: Cidadania e Maturidade Social Palestrante: Ir.'. Túlio Roberto Cei. – Grande Loja do Estado do Pará 9h30 Tema: Segurança Nacional da Amazônia Palestrante: Gal. Ex. Augusto Heleno 10h50 Tema: A Ética Maçônica na Sociedade Contemporânea. Palestrante: Ir.'. Océlio Moraes – Grande Loja do Estado do Pará DIA 14 DE JULHO – QUARTA-FEIRA GRÃOS-MESTRES 8h30 6ª Sessão Plenária 10h50 7ª Sessão Plenária 14h30 8ª Sessão Plenária SEMINÁRIO DOS SECRETÁRIOS DE RELAÇÕES EXTERIORES 8h30 5ª Sessão Plenária. 10h50 6ª Sessão Plenária. APRESENTAÇÃO E DEBATES – TESES 8h30 Inicio dos Trabalhos 10h50 Continuação dos Trabalhos EVENTOS PARALELOS Palestras 8h30 Tema: A Família e Sociedade Palestrante: Dra. Célia Filocreão – (Promotora de Justiça) 9h30 Tema: Maçonaria Ontem e Hoje Palestrante: PGM.'.-Ir.'. Alberto Godin Hermes – Grande Loja do Estado do Pará 10h50 Tema: Questões Jurídicas nas Atividades Maçônicas Palestrante: I.'. Ademar de Souza Freitas – Juiz Federal de Mato Grosso do Sul DIA 15 DE JULHO – QUINTA-FEIRA GRÃOS-MESTRES 8h30 9ª Sessão Plenária 10h50 10ª Sessão Plenária SEMINÁRIO DOS SECRETÁRIOS DE RELAÇÕES EXTERIORES 8h30 3ª Sessão Plenária. 10h50 4ª Sessão Plenária (Continuação). APRESENTAÇÃO E DEBATES – TESES 8h30 Apreciação e votação do Relatório do Seminário dos Grandes Secretários de Relações Exteriores. EVENTOS PARALELOS Palestras 8h30 Tema: Reinserção da Maçonaria no Poder Palestrante: Ir.'. Ricardo Albuquerque – Grande Loja do Estado do Pará 9h30 Tema: Inicio da Maçonaria e do Rito Escocês Palestrante: PGM.'. Wilson Filomêno – Grande Loja de Santa Catarina Salas dos Eventos no Centro Convenções Hangar: 1. Sessões plenárias dos Grãos-Mestres: Sala “Pará” 2. Seminários dos Secretários de Relações Exteriores: “Salão Marajó II” 3. Palestras: Auditório 4. Debates de Teses: Salão Marejó” Programação Social DIA 11 DE JULHO – DOMINGO 15h Encontro de damas maçônicas Local: Estação das Docas. 19h Recepção das delegações visitantes, por Lojas da Grande Loja anfitriã. DIA 12 DE JULHO – SEGUNDA-FEIRA 12h Reunião das Esposas dos Grãos – Mestres. Local: Magal das Garças 20h Peça: Ver de Ver-o-Peso Local: Teatro da Paz DIA 13 DE JULHO – TERÇA-FEIRA 8h30 City Tour: -Cultural -Histórico -Ecológico 13h Almoço - Crurrascaria Noite Livre – Sugestões: Estação da Docas, Casa das Onze Janelas, Mangal das Garças, Parque da Residência. DIA 14 DE JULHO – QUARTA-FEIRA 19h Jantar típico Local: Assembléia Paraense Traje: Esporte Fino DIA 15 DE JULHO – QUINTA-FEIRA 9h Tour de compras para damas maçônicas Tarde Livre 19h Baile de Encerramento Local: Assembléia Paraense. Traje: Passeio Completo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

RESTOS DO CARNAVAL

Clarice Lispector Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu. No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz. E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim. Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice. Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira. Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma. Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas - a idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa. Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava. Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria. Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa. in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

UMA NOVA CONSCIÊNCIA CRISTÃ

Frederico Menezes Aproxima - se o Encontro histórico. O evento sobre uma Nova Consciencia Cristã, que será realizado na Câmara de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho, na sexta - feira e no sábado, após o carnaval, será um momento marcante pelos objetivos e o significado que carrega. Já passou da hora das religiões deixarem de ser razão de conflitos e violencia no mundo. É uma brutal incoerencia que se agrida e se mate em nome dos caminhos do Amor. Muitos se afastaram de Deus porque não aceitaram (com justa razão) que os seguidores dos diversos seguimentos religiosos brigassem pela "posse" de Deus. Muitas transformações vem ocorrendo na humanidade e as religiões, com sua tarefa sagrada, devem buscar as expressões mais belas e límpidas da tolerância e do respeito entre elas. Quanto possível, tenho ressaltado a necessidade da vivencia dos sublimes postulados religiosos para que o materialismo, o real adversário da verdade, seja enfrentado. A Humanidade está doente e não é por falta de religiões, e sim, por ausência de exemplos vividos. São religiosos de todas as correntes que se apresentam angustiados e deprimidos, sem encontrarem o sentido da vida. Face a força do materialismo, há os que buscam na religião o progresso material, numa relação superficial para com a finalidade da existencia. Por tudo isso, aonde surgir encontros que possam projetar a possibilidade de se criar canais de diálogos entre seguidores dos diversos credos, deve-se aproveitar a oportunidade. Este Encontro terá a participação do respeitado Frei Aloisio Fragoso, do querido Pastor Erivaldo Alves, da igreja Batista e nossa participação como espírita. Vamos trocar ideias à respeito dos que nos une e como fazer para realizarmos,juntos, algo pela divina mensagem do Evangelho. Como nos tornarmos agentes transformadores da realidade à nossa volta ? Quais os caminhos para potencializar o que nos une? É mais fácil quebrar uma vara que um feixe. Quem puder, venha somar conosco nesse encontro, criando uma atmosfera de esperança e legítima fraternidade.Após o evento, voltaremos a tratar do assunto comentando como trancorreu. *Frederico Menezes é um dos palestrantes do Seminário Cristão e membro da ACADEMIA CABENSE DE LETRAS.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

GERALDO VANDRÉ

ARUEIRA Geraldo Vandré Vim de longe Vou mais longe Quem tem fé vai me esperar Escrevendo numa conta Pra junto a gente cobrar No dia que já vem vindo Que esse mundo vai virar. Noite e dia Vem de longe Branco e preto A trabalhar E o dono Senhor de tudo Sentado mandando dar E a gente fazendo conta Pro dia que vai chegar. Marinheiro, marinheiro Quero ver você no mar Eu também sou marinheiro Eu também sei governar Madeira de dar em doido Vai descer até quebrar É a volta do cipó de Arueira No lombo de quem mandou dar. Eu procuro um amor que ainda não encontrei diferente de todos que amei Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver e as feridas dessa vida eu quero esquecer Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema numa esquina ou numa mesa de bar Procuro um amor que seja bom pra mim vou procurar, eu vou até o fim E eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo quando começar a conhecer os meus segredos Eu procuro um amor uma razão para viver e as feridas dessa vida eu quero esquecer Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar mas eu disfarço e não saio sem ela de lá Procuro um amor que seja bom pra mim vou procurar, eu vou até o fim!!! Ah, se pudessemos contar as voltas que a vida dá pra que agente possa encontrar um grande amor, é como se pudessemos contar todas estrelas do céu, os grãos de areia desse mar, ainda sim, pobre coração o dos apaixonados que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor. Arriscando tudo por uma miragem, pois sabem que há uma fonte oculta nas areias, bem aventurados os que dela bebem, porque para sempre serão consolados. Somente por amor agente põe a mão no fogo da paixão e deixa se queimar, somente por amor, movemos terra e céus, rasgando sete véus, saltamos do abismo sem olhar pra trás, somente por amor a vida se refaz. Somente por amor agente põe a mão no fogo da paixão e deixa se queimar, somente por amor, movemos terra e céus, rasgando sete véus, saltamos do abismo sem olhar pra trás, somente por amor, e a vida se refaz e a morte não é mais pra nós. Pra não dizer que eu não falei das flores (Caminhando) "Esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer" (Geraldo Vandré) Requiêm para Matraga(Geraldo Vandré) Vim aqui só pra dizer Ninguém há de me calar Se alguém tem que morrer Que seja pra melhorar Tanta vida pra viver Tanta vida a se acabar Com tanto pra se fazer Com tanto pra se salvar Você que não me entendeu Não perde por esperar (Geraldo Vandré) Na Terra Como no Céu (Geraldo Vandré) Não viemos por teu pranto nem viemos pra chorar Viemos ao teu encontro e estamos no teu altar Por seguir nosso caminho que é também teu caminhar na força do teu carinho esperamos nos salvar na terra como no céu no sertão como no mar nas serras ou nas planuras esperamos nos salvar estando sempre a altura dos teus caminhos de dar reparte entre nós Senhor diante do teu altar a comida e a riqueza que fizemos por ganhar não deixa a gente passar pela fome em tua mesa não viemos por teu pranto nem viemos pra chorar (Geraldo Vandré) Fica Mal com Deus (Geraldo Vandré) Fica mal com Deus Quem não sabe dar Fica mal comigo Quem não sabe amar (2X) Pelos meus caminhos vou Vou como quem vai chegar Quem quiser comigo ir Tem que vir do amor Tem que ter pra dar Fica mal com Deus Quem não sabe dar Fica mal comigo Quem não sabe amar (2X) Vida que não tem valor Homem que não sabe dar Deus que se descuide dele E um jeito a gente ajeita Dele se acabar Fica mal com Deus Quem não sabe dar Fica mal comigo Quem não sabe amar (2X) (Geraldo Vandré)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CINE SANTO ANTÔNIO: NOSSO CINE PARADISE

DOUGLAS MENEZES Acabou já há alguns anos. Duas décadas talvez, que cinema de interior e subúrbio não existe mais. Mas é parte da história do Cabo e alguns maduros de outras gerações lembram muito bem dele. A sirene convocava meia hora antes para a sessão diária. Depois a dez minutos mais um toque e um terceiro no início da exibição. Era sim que nossa única sala de espetáculo chamava o povo para o pouco lazer do Cabo, industrial, porém ainda muito provinciano. As filas se faziam imensas, como se a cidade inteira, hipnotizada buscasse o único instrumento de sonho aqui disponível: O Cine Santo Antônio, da Rua da Matriz. O poder mágico do cinema transportava pobres e remediados, único espaço do município destinado à sétima arte. Acanhado, sem conforto. calor intenso, ventiladores que faziam mais barulho que vento. Equipamento vez em quando falhando, mas era a nossa única “válvula de escape”, nossa catarse. A identificação com os heróis de meninos, jovens e adultos. Heróis que jamais seríamos nos fastiosos dia a dia de décadas passadas. Para os meninos pouco importava a baixa qualidade da exibição ou as sofríveis atuações dos atores de filmes classe C. O que valia era a imitação, dia seguinte, daqueles “artistas” derrotando os “bandidos”: Hércules, Maciste, Sansão, Ursus, entre outros. A gritaria ensurdecedora. A empatia total, com a vitória do bem ,sempre. Televisão para poucos. Tempo românticos. Não só aventuras extravagantes, mas filmes épicos, que o lado sisudo da cidade fazia questão de assistir novamente. Os Dez Mandamentos, Ben-Hur, El-Cid, Os Reis dos Reis. Pai levou o filho, que dormia em meio à exibição. Filho depois gostou de cinema até hoje. Soldado vendia amendoim torrado e cozinhado, pastilha, chiclete. Lá dentro, no ambiente cheio de calor, às vezes com muita gente em pé, de súbito quebrava a fita. A interrupção, os espectadores gritando: olha o roubo, olha o roubo...! Até hoje não entendo o que era roubado. Quando do retorno da exibição, cenas adiante eram mostradas, aumentando o inconformismo. Talvez fosse isso o roubo tão gritado pelos cinéfilos do Cabo. Matinês aos domingos. Duas sessões finais de semana. Cinema em Recife só para os intelectuais e os “ricos”. Nossa sala de espetáculo era o Cine Santo Antônio. Boa ou ruim só havia ela. Tão importante que até determinava as horas:dez horas, o cinema terminou. Foi assim por décadas. Alimentando uma fantasia. Fazendo arte sem nem se dar conta. Aceitemos ou não, foi um estimulador cultural do Cabo. Nosso Cine Paradise. Incentivou a criatividade das crianças, diminuiu o vazio, fez a gente pensar um pouco. Teve até cinema de arte, promovido por jovens idealistas, como Roberto Menezes, Murilo Lages, Wilson Nascimento. Tudo isso na época que menino fazia seu brinquedo, inventava suas brincadeiras. A noite era mais iluminada com o Cine Santo Antônio. Ele acabou, como todos os cinemas de rua. A rua da Matriz, movimentada durante o dia é só tristeza à noite. Morreu a alegria noturna. O cine Santo Antônio se foi, levado pra nunca mais voltar. Douglas Menezes é professor, escritor e membro da Academia Cabense de Letras.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CARNAVAL HOMENAGEIA GETÚLIO CAVALCANTI

O maçom Getúlio de Souza Cavalcanti, nasceu em Camutanga, em fevereiro de 1942. Aprendeu a tocar violão aos 14 anos. Aos 15 compôs sua primeira música. Profissionalmente, começou como cantor, na TV Radio Clube. Chegou ao disco pelas mãos do maestro Nelson Ferreira, gravando Você gostou de mim, composição sua, classifica em terceiro lugar no concurso da prefeitura, em 1962 (perdeu para Capiba, e Nelson Ferreira). Embora incursione por vários gêneros musicais, é mais conhecido pelos frevos-de-bloco, vários deles se tornaram obrigatórios no repertório dos blocos-líricos. O bom Sebastião (em que homenageia o compositor Sebastião Lopes), Último regresso, Um amor a mais, são alguns dos seus frevos-de-bloco mais conhecidos. Em sua cidade natal, cursou as primeiras quatro séries do ensino fundamental nas escolas Típica Rural e Manoel Guedes, sendo transferido, depois, para o Ginásio Timbaubense, onde permaneceu interno para poder concluir o curso ginasial. Em 1957, ele veio morar no Recife, onde cursou o ensino médio no então Colégio Padre Félix, no bairro da Boa Vista. Ainda adolescente, Getúlio participaria de muitas serenatas e serestas sob o luar de Camutanga, que marcaram substancialmente toda a sua obra poético-musical. Ao iniciar as suas atividades laborais no Recife, o compositor ajudaria o pai em seu estabelecimento comercial e, depois, exerceria a função de encarregado de depósito no Diario de Pernambuco. De 1962 em diante, Getúlio compôs e gravou muitas músicas de grande sucesso, a exemplo de: O bom Sebastião (frevo-de-bloco, 1975); Antônio Maria (frevo-de-bloco, 1976); Clube do limão (frevo-canção, 1977); Boi castanho (frevo-de-bloco, 1978); Sete anos de saudade (frevo-de-bloco, 1979); Recado a Capiba (frevo-canção, 1980); Último regresso (frevo-de-bloco, 1981); Cantigas de roda (frevo-de-bloco, 1982); Freviocando (frevo-canção, 1983); O frevo tá na praça (frevo-canção, 1984); Tributo a Faustino (frevo-de-bloco, 1985); Chora batutas (frevo-de-bloco, 1986); Um amor a mais (frevo-de-bloco, 1987); Agonia de um bloco (frevo-de-bloco, 1988); No pequeno olhar e Tributo a Bajado (frevos-de-bloco, 1990); Escuta boêmio e Cadê o apito (frevos-de-bloco, 1991); Sai pra lá baiano (frevo-canção, 1992); Relembrando Moysés (frevo-de-bloco, 1993); Cheirando a motel (frevo-canção, 1994); Revendo Olinda (frevo-de-bloco, 1995); Maré me leva (frevo-canção, 1995); Depois de banhistas (frevo-de-bloco, 1996); Bloco das Flores (frevo-de-bloco), Madrigal (frevo-de-bloco); Ilusão fatal (frevo-de-bloco); Urso safado (frevo-canção); Segurando o talo (samba-canção); Cinco anos de ilusões (frevo-de-bloco); Blocos da minha vida (frevo-de-bloco); Aurora dos carnavais (frevo-de-bloco); Estrela guia (frevo-de-bloco); Perseguidor (frevo-de-bloco); De volta ao Chantecler (frevo-canção); Velho coração (frevo-de-bloco), e outros. Vencedor de vários concursos de músicas carnavalescas, as composições musicais de Getúlio foram gravadas por vários cantores e conjuntos brasileiros renomados, tais como o Coral Banhistas do Pina, o Coral Mocambo, o Maestro Zezinho e a Banda Capibaribe, a Orquestra de José Menezes e o Coral de Joab, o Conjunto Romançal, as Pastoras do Boi Castanho, o Coral Bloco da Saudade, o Coral Bloco das Ilusões, a Banda de Pau e Corda, a Turma do Pingüim, o Coral Frevança, o Coral Vitória Régia, Guedes Peixoto/orquestra e coral, Claudionor Germano, Noite Ilustrada, André Rio, Nando Cordel, Leonardo, Altemar Dutra, Antônio Nóbrega, Têca Calazans, Alessandra (sua filha), e outros. Em 1987, gravou algumas músicas pela Fundação Joaquim Nabuco, através de um LP da série “Compositores Pernambucanos”. Ao ser entrevistado pela autora do presente trabalho, o compositor deixaria registrado que, um dos seus maiores sonhos, era o de poder vivenciar a valorização dos compositores pernambucanos, por parte das autoridades e das entidades que atuam em prol da divulgação cultural. A esse respeito, ele lembrou o incidente ocorrido durante o Baile Municipal do Recife, no carnaval de 2005, quando o prefeito da cidade contratou Elza Soares para cantar, ao invés de valorizar e trazer os compositores e intérpretes pernambucanos e/ou nordestinos, e o público presente, como forma de protesto, vaiou a famosa cantora, que não possuía qualquer relação com músicas carnavalescas. Um dos maiores sucessos musicais de Getúlio é o frevo-de-bloco Último regresso, cuja letra é apresentada a seguir. Falam tanto que meu bloco está Dando adeus prá nunca mais sair E depois que ele desfilar Do seu povo vai se despedir No regresso de não mais voltar Suas pastoras vão pedir Não deixem não Que um bloco campeão Guarde no peito a dor de não cantar Um bloco a mais É o sonho que se faz Nos pastoris da vida singular É lindo ver o dia amanhecer Com violões e pastorinhas mil Dizendo bem Que o Recife tem O carnaval melhor do meu Brasil. O poeta e compositor Getúlio Cavalcanti, ao mesmo tempo em que prima pela simplicidade, possui um enorme talento, carisma e inteligência. Através da beleza e da simplicidade dos seus versos, ele vem abrilhantando sempre o carnaval, ao mesmo tempo em que deixa um legado inestimável para a cultura do País, e mais especificamente para o carnaval de Pernambuco, que representa, sem dúvida alguma, a festa mais popular de todo o Brasil. Fontes consultadas: BARRETO, José Ricardo Paes. Getúlio Cavalcanti: o menestrel do frevo-de-bloco. Recife: Cia. Pacífica, 2000. ______; PEREIRA, Margarida M. de Souza; GOMES, Maria J. Pereira. Dicionário dos compositores carnavalescos pernambucanos. Recife: Cia. Pacífica, 2001. GETÚLIO Cavalcanti: 40 anos de carnaval. Recife: [s. n], [19--]. (Série nossos valores).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

É preciso não esquecer nada

CECÍLIA MEIRELES É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence. CECÍLIA MEIRELES Videopoema: "Retrato", poema da poetisa brasileira Cecilia Meireles, na voz de Paulo Autran - imagens: pinturas de autoria de José Ulisses

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A NAÇÃO É A CIDADE

DOUGLAS MENEZES Ninguém vive nesse conceito abstrato chamado nação. O país é o conjunto de cidades. O povo habita o município. É lá que ele vive tristezas e alegrias. Onde as famílias são constituídas. Onde as tradições são sedimentadas e formam o bem material e, principalmente, imaterial, constituindo este a base espiritual, afetiva das cidades. As raízes de que falamos tanto são os sentimentos surgidos da alma, da afetividade nativista que nos tornam seres sensíveis, ligados ao torrão natal. As raízes nos fazem cantar nossa aldeia, como diria o poeta. Quando nos preocupamos com o fim da identidade do povo em relação ao município é com medo que venhamos a perder esses bens espirituais, notadamente as tradições e o amor natural, que incentiva a cidadania. E, infelizmente, os grandes centros urbanos perderam essa identificação, fruto, talvez, do crescimento desordenado e da imigração sem controle. Mas, mesmo assim, o país é a cidade. E sentimos isto, cada vez que visitamos algumas delas. As marcas registradas que elas possuem. Caruaru continua cheirando a forró e a ter um comércio forte, apesar do crescimento meio caótico. Estar ali, é conviver com a intensa tradição cultural do barro e da música. Caruaru conseguiu da matéria, espiritualidade, que nem o modismo superficial, principalmente na música, conseguiu destruir. O povo sustenta sua identidade como se fosse a sobrevivência. Na verdade, milhares de caruaruenses sobrevivem do bem adquirido através da história. Sua feira não é só uma atividade econômica, mas um ser vivo, com uma alma diferente das feiras de outros lugares. Pulsa como um ente único. Faz o povo vivê-la no corpo e no espírito, alimentando um orgulho saudável e identificador. A nação é a cidade. A escola, o posto médico, o comércio, a religião, os amores, a elite e o povo simples,”o homem e o vassourão limpando o chão da manhã”, como diz o poeta, o bem e o mal habitam o município. Injustificáveis os parcos recursos que a maioria detém. Corpo federativo injusto, o do Brasil. De pires na mão, sempre ele, mendigando o retorno daquilo que lhe pertence. Assim vivem as cidades brasileiras, embora saibamos que não são todas. Nas crises, os bancos são salvos. A indústria automobilística é salva. Algo mais, então, é tirado das cidades. Seus habitantes, na grande maioria, não possuem carros, não têm conta nos bancos. No entanto, veem o posto médico sem funcionar direito. Ou a escola em condições degradantes. A lógica deveria ser outra: fortalecer o município, que é onde o povo vive. O poder próximo à população está na cidade. Lá, também, as instituições que lidam, de uma forma ou de outra, com os munícipes. É no município onde as soluções aparecem para promover o verdadeiro desenvolvimento. A cidade é a extensão da própria família do cidadão. O bem estar municipal é o bem estar de cada residência. E, segundo o escritor Ledo Ivo, “Os homens não amam as cidades que os humilham e sufocam, mas aquelas que parecem amoldadas às suas necessidades e desejos. Uma cidade deve ter a medida do homem”. A nação é o município. A nação é a cidade. Douglas Menezes é professor, formado em Letras pela Unicap e Bacharel em Comunicação Social pela UFPE. Pós-graduado em Literatura Brasileira e Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE. Membro da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CREDO DO LIVRO A LEI DO TRIUNFO

“Creio em mim mesmo. Creio nos que trabalham comigo. Creio no chefe. Creio nos meus amigos. Creio em minha família. Creio que Deus emprestará tudo o que eu necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançá-los por meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei os meus olhos para dormir sem pedir antes a divina orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam como eu acredito. Creio que o triunfo é o resultado do esforço inteligente e não depende de sorte, magia, de amigos duvidosos, de companheiros ou do meu chefe. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar, e, assim sendo, serei cauteloso quanto a tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles de quem não gosto. Não diminuirei o meu trabalho por ver que outros o fazem. Prestarei o melhor serviço de que for capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida e sei que o triunfo é sempre o resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que algumas vezes ofendo os outros e necessito do seu perdão".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução. Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho. - Ah, eu adoro essas cortinas... - Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco... - Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem... Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. - Simples assim? - Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos. Calmamente ela continuou: - Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica. Depois me pediu para anotar: COMO MANTER-SE JOVEM 1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso. 2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo. (Lembre-se disto se for um desses depressivos!) 3. Aprenda sempre: Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. 'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer! 4. Aprecie mais as pequenas coisas. 5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele ou ela! 6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo. 7. Rodeie-se das coisas que ama: Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja. O seu lar é o seu refúgio. 8. Tome cuidado com a sua saúde: Se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la , procure ajuda. 9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa 10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade. "Nada vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FELICIDADE

Paulo Alexandre da Silva Felicidade é nós nos olharmos com ternura Sem nos importarmos com a amargura Que a cidade nos traz E depois do olhar: Nós dois que estamos em eterno "cio" Sentirmos o cheiro do amor Mesmo que este - como disse o poeta: Seja infinito enquanto durar! E como disse o profeta: Devemos atender o chamamento do Amor! Dê-me as suas mãos, Pouco importa a extensão do infinito desse amor; E que em nossos caminhos Existam pedras e espinhos Ou sejam agrestes escalpados. Porém, na profundíssima penetração Daquilo que eu tenho que mais gostas Naquilo que tu tens que mais gosto. É na chegada do clímax, Do gozo maior, "Estrelas mudam de lugar, chegam mais perto só pra ver"... Felicidade é isso aí e nada mais. Março de 1986, foi editado o nº 04 do Alternativo Poético SÓ(L) DE VERSOS. Além da participação do poeta Paulo Alexandre da Silva, participaram também os poetas: Ronaldo Menezes, Rinaldo Almeida, Genilson Marcelino, Dita, Jeová de Morais, Tereza Soares, Vera Rocha, Valdir Soares, Antonino Júnior e Natanael Lima Jr.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

POESIA PREMIADA EM 2010 – CANTO AO CEARÁ

XII Prêmio Ideal Clube de Literatura Poesia selecionada para coletânea do XII Prêmio Ideal Clube de Literatura. Obra lançada no dia 21 de janeiro de 2010. Seu título é: CANTO AO CEARÁ. Poesia que escrevi para minha terra natal, embora seja da opinião que todo cidadão é cidadão do mundo. As relações de cada um com o planeta é formada por ondas concêntricas, que formam um todo. Primeiro a casa em que se morou, depois o bairro, a cidade, o Estado, o País, O Continente, o Planeta... Sem nenhum excluir a importância do outro. Cada local tem a sua devida importância subjetiva e objetivamente igual importância. Tentei unir o pensamento moderno do poeta com o estilo de cordel numa lingugem clássica. Gonçalves Dias em sua “Canção de Exílio”, através de sua terra, homenageou o Brasil. Camões, com “Os Lusíadas”, cantou todas as conquistas dos portugueses. Homero com a “Ilíada” eternizou a história do povo grego. Depois de muitas andanças pelo Estado do Ceará e continuo peregrinando, escrevi um canto ao meu Estado natal. Inspirado, sobretudo, pela cultura e pelas paisagens. Se gostar divulgue. Se quiser e puder, comente! Que os que não forem cearenses consigam ver o Ceará pela lente da minha poesia, os que forem cearenses, caso não gostem, minhas desculpas. Boa leitura e espero agradar:

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ANARQUISMO - A Ilusão do Sufrágio Universal

Abaixo o proselitismo... mas o anarquismo ficou na memória coletiva como bagunça, ausência de ordem. Os próprios seguidores confundiram as coisas. Muita gente não sabe que o significado real é ausência de governo. Quando vemos o quadro político brasileiro através do prisma do pensamento anarquista, temos bastante a refletir. Vejam o que Mikhail Bakunin ( 1814 – 1876), o russo que foi um dos pilares do movimento, escreveu, lá no século XIX: A Ilusão do Sufrágio Universal "Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a Natureza Humana” que modernidade!!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

EU VI

Vera Rocha Eu vi um país quedar-se em descrença Tal qual árvore gigante ao golpe de machado. Eu vi grossas lágrimas rolarem No rosto de seres famintos, Tal qual água nas cachoeiras. Eu vi um pai desolado, amargurado, Revoltado, desempregado... Igual a milhares em romaria. Eu vi uma mãe esquálida de peitos Em pele, sem leite para amamentar Seu rebento que gemia, Tal qual o seio de um rio estorricado Pela seca impiedosa. Eu vi um pivete arrancar A carteira de um cidadão, Tal qual homens de poder Arrancam da sociedade a esperança E a ilusão. Vera Rocha é membro da Academia Cabense de Letras

INSTANTE MÁGICO

Frederico Menezes Por que marcas meu peito com o aço da solidão e os teus olhos chovem por dentro de mim, como a tormenta no Pacífico? Se me invades e, tomando cada canto da alma, da sala, dos sonhos, insistes em ficar, por que não me falas com frequência? Interrogo a tudo o que me cerca e nem a vida me responde e nem teu silêncio me diz, e nem a própria dor conforta; pareceu um instante mágico; por um momento acreditei no tempo... Tu ao alcance das mãos, sem barreiras, sem muros, sem inibições. Foi rápido este instante, relâmpago, fugaz, que como um lapso de tempo, me encantou. • Frederico Menezes é membro da Academia Cabense de Letras.

RÉU

Nelino Azevedo Quero estar preso em mim hermeticamente fechado habitando meus mundos domesticando meus pesadelos desfazendo e tecendo minhas ilusões como um eterno Sísifo. Sou meu próprio deus mas perdi a fé -talvez nunca a tive Sou apenas um ateu de mim mesmo enjaulado em mim mesmo engessado nas fardas da minha própria voz fisgado pelo anzol da desesperança. Sou réu nesse mundaréu de deuses e re(i)ses sem nenhuma razão e sem nenhuma utopia mas com a única certeza de que a humanidade é a mãe de todos os males. *Nelino Azevedo é o presidente da Academia Cabense de Letras.

TUDO BEM

Tereza Soares* Não quiseste meu semblante Não tiveste Não tiveste minha indumentária de dor Não sofreste Não saíste do teu lago encantado Não partiste Não pisaste a grama com medo de estragar a flor Não lamento Estava tudo certo, embora errado Agora bem Curvo e reto Ondulado. *Tereza Helena Soares é membro da Academia Cabense de Letras

COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ

Antonino Oliveira Júnior* A minha paixão por você é coisa antiga. Desde pequeno. Cresci com essa paixão alimentando esse amor dentro do coração. Muitas vezes, viajei e meus olhos se encantaram com mais diversos tipos de beleza. E cheguei a ser infiel, por alguns momentos. Mas foram apenas aqueles momentos de fraqueza humana De volta, já perto de você, o amor antigo, sincero, definitivo, sempre reacendeu, preservando nossa história de amor. Uma história conturbada, eu sei, mas, de amor, do mais puro amor. Doía muito e ainda dói, quando alguém machuca você. Às vezes eu gostaria de ser um cara possessivo, daqueles que transformam amor em propriedade individual e intransferível, para que você só tivesse olhos para mim e que só eu pudesse curtir você, ao adormecer e despertar. Mas, ao contrário, sempre fui muito liberal e nada egoísta, ao ponto de aceitar você ser cortejada, tocada e usada por tanta gente que nem lhe merecia. E quantas brigas tivemos! Como sofri esses anos todos, alimentando o ciúme que senti, todas as vezes em que em que davas ouvido e atenção a quem se aproximava de você apenas para usar e jogar fora. Mas também tivemos muitas alegrias juntos. No segredo de nossos encontros, de nossa intimidade afetiva, soubemos curtir como ninguém essa paixão. Em cada banco de praça, em cada rua estreita, em cada beco ladeiroso, em cada momento de sua história, o nosso amor se fez presente. Velha, mal tratada e vilipendiada, você olha triste para mim, como quem pede socorro e chora. E eu choro com você. Sinto raiva de quem lhe magoa e queria abraçar você todinha, colocar no meu colo e dizer baixinho ao seu ouvido: -Ah! Minha cidade, como é grande o meu amor por você! *Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

PARA NÃO NOS ESQUECERMOS

Douglas Menezes Na década de oitenta do século passado, um grupo de jovens aqui do cabo de Santo Agostinho fundou um folheto poético chamado “Para não nos Esquecermos”. Natanael Júnior, Paulo Cultura, de saudosa memória, Antonino Júnior, Frederico Menezes, Gerson Santos, Jeová, entre outros, faziam parte desse trabalho, cuja tentativa maior era resgatar o fazer poético da cidade de Santo Agostinho e avivar a memória dos cabenses para a necessidade de se perpetuar o bem imaterial do município através da arte. Foi uma angustiante busca de se produzir uma “Cantiga para não morrer”, como bem diz o grande poeta Ferreira Gullar. E embora de vida efêmera, a publicação foi um grito, uma chamada de atenção, um incentivo para que não deixássemos de falar, de ter voz, de mostrar à ditadura, principalmente a nível da cidade, que nós estávamos vivos, que tínhamos corações e mentes e, sobretudo, sensibilidade. Fazíamos parte do grupo e não lembramos bem quem colocou o título tão sugestivo. O certo é que, a partir daquela edição, alguns companheiros não pararam mais de produzir literatura, embora uns tivessem feito um hiato e depois retornado à produção. Parte deles lançou livros, que hoje são antológicos dentro do fazer literário da cidade do Cabo. Natanael Júnior conseguiu a façanha de publicar um livro pelas Edições Piratas, um dos movimentos mais significativos do século vinte na cultura pernambucana. Podemos mesmo dizer que a década de oitenta fez surgir boa parte da hoje Academia Cabense de Letras. Aqueles sonhadores não pleiteavam fama, glória literária, mas apenas um espaço para poder cantar o que a alma implorava.E lembremos: isto ainda na ditadura militar, onde a liberdade de expressão se mantinha cerceada. Aqueles jovens escritores confirmaram, também, a visão de que se podia fazer cultura sem a tutela do poder público, à época, como hoje, insensível aos bens imateriais de uma comunidade. Mostraram que é possível dizer “as coisas” sem o carimbo oficial” que, muitas vezes, tiram a chance do artista ser realmente livre para realizar seu trabalho. Sua arte sobrevivia da necessidade de produzir esteticamente e de fazer história,deixando claro que a cidade é o povo, com o seu cotidiano sofrido, com sua tradição natural. As pessoas simples é que fazem a historiografia de um lugar, pois o poder é passageiro e muitos dos governantes são jogados apenas no lixo dos anos que se passam. “Para não nos Esquecermos” teve vida curta, foi sucedido pelo bem mais elaborado “Sol de Versos”, mas, embora quase esquecido, deixou semente e marcou nossa existência. Guardamos suas edições como a um tesouro que não tem preço. Em seu último e eterno número a frase emblemática, que resume o espírito romântico, rebelde, histórico e identificador com a cidade: “Tem Arte e Artistas nas Ladeiras do Cabo de Santo Agostinho”.Lição que os novos deveriam assimilar, pois assusta como, a passos largos, perdemos a identidade e o humanismo. Tornamo-nos cosmopolitas e ricos economicamente, mas estamos esquecendo de beber a água da fonte da espiritualidade que é a cultura. E antes que seja muito tarde, façamos o retorno sem deixar de avançar. Toquemos o presente buscando inspiração no passado “para não nos esquecermos”. - JANEIRO DE 2010 *DOUGLAS MENEZES é professor e membro da Academia Cabense de Letras

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OFICINA GRATUITA DE XAXADO

No Teatro Barreto Jr, dia 23 de Janeiro, sábado, a partir das 9 horas da manhã, Oficina de Xaxado, inscrições grátis no local, promovida pelo Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz, em convênio com a Fundarpe. O Ponto de Cultura é coordenado pelo poeta e artista plástico Ivan Marinho, que também integra o grupo de Bacamarteiros do Cabo de Santo Agostinho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

LIBERDADE PARA SONHAR

Ao longo da vida, passamos a ter conhecimento da fidelidade à obrigação e à perseverança de objetivos nos óbices e nas tristezas. Toda pessoa que empunha essa bandeira é como alguém lutando em vão, nadando contra a correnteza do rio feroz, com suas ondas e abismos que muitas vezes nos dominam completamente. A maioria dos homens se rende frente a essa opressão e é jogado para fora ou para o fundo dessas correntezas. Somente em algumas ocasiões encontramos o coração resistente e os braços fortes que lutam com garra para atingir a vitória final. A Maçonaria mantém uma campanha permanente contra a ignorância, a intolerância, os preconceitos, a corrupção, a tirania e os erros. Às vezes, na estrada em direção ao horizonte de lucidez, nos defrontamos com a indiferença dos nossos próprios irmãos e do mundo dito profano. Porém, acreditamos em Deus que é o Grande Arquiteto do Universo e que o mesmo tem um interesse pessoal por cada um de nós; a quem ele deu uma alma imortal, dotada do livre arbítrio, cuja ânsia natural e instintiva pelo bem será devidamente recompensada. Consciente da nossa pequenez frente ao plano divino, mas seguros dos nossos sonhos é que devemos ter e demonstrar a fé, pois a verdadeira luz certamente brilhará para elucidação e felicidade de todos. João Sávio Sampaio Saraiva é membro da Academia Cabense de Letras e da Academia Maçônica de Letras de Olinda.
Zilda Arns é um exemplo de liderança e determinação. Ela é fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança, e suas ações ajudam a salvar milhares de crianças todos os anos, até mesmo fora do Brasil. Sai ano, entra ano e, na época do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, sempre vem à tona a discussão dos direitos e conquistas do sexo feminino. Por vezes, somos levados a crer que essas conquistas e discussões são recentes, mas exemplos de grandes mulheres provam o contrário. Médica pediatra e sanitarista, a doutora Zilda Arns Neumann é um deles. Sua história se confunde com a da Pastoral da Criança, uma das mais importantes e reconhecidas ONGs brasileiras, que por meio do acompanhamento de crianças e gestantes ajudou a diminuir a mortalidade infantil em todo o país. Nascida em 1934, em Santa Catarina, até hoje Zilda Arns guarda o sotaque alemão típico daquela região. Indicada no ano passado ao Prêmio Nobel da Paz (será novamente este ano), a doutora Zilda, ou dona Zilda — como é chamada em algumas comunidades —, é uma líder nata, que inspira tranqüilidade, firmeza e doçura. Viúva, ela tem cinco filhos, oito netos e é irmã de algumas das maiores personalidades da vida religiosa brasileira: dom Paulo Evaristo Arns e dom Crisóstomo. E foi junto com o irmão dom Paulo que, em 1982, ela teve a idéia de que a Igreja poderia ajudar a reverter a situação da mortalidade infantil no Brasil. Em pouco tempo e com o apoio da Unicef, nascia a Pastoral da Criança, no município de Florestópolis, no Paraná, onde o índice de mortalidade chegava a 127 mortes a cada mil crianças nascidas vivas. Rapidamente, a Pastoral conseguiu ótimos resultados, reduzindo a mortalidade infantil para 28 por mil após um ano de atividades. E com o apoio da Igreja Católica, foi levada a todos os 27 estados do país. Hoje, Zilda coordena aproximadamente 155 mil voluntários, presentes em 32.743 comunidades dentro de bolsões de pobreza e miséria de 3.555 municípios brasileiros. Em 2001, a Pastoral registrou uma taxa de mortalidade infantil inferior a 13 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. Só para se ter uma idéia da importância desse índice, a média nacional de mortalidade infantil no país é de 34,6 óbitos por mil crianças nascidas vivas, segundo o Unicef.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

IVAN MARINHO VENCE FESTIVAL DE POESIAS

O poeta e artista plástico alagoano Ivan Marinho de Barros Filho recebeu o prêmio de primeiro lugar no Festival de Poesias Jaci Bezerra. Com a poesia Barroquilhas, que alude à solidão indispensável à lida do poeta, perante o estado mágico da criação, ele venceu o festival, encerrado com a entrega da premiação, dia 6 de junho, no Museu da Imagem e do Som (Misa), em Maceió. Mais de 78 trabalhos foram avaliados e após quase um mês de avaliação, a comissão julgadora chegou ao resultado. Além de Ivan Marinho, venceram os poetas: Eder Rodrigues (2º lugar da comunidade geral), José Carlos Cavalcanti Silva (1º lugar dos estudantes) e Walney Rodrigues Menezes (2º lugar). O artista alagoano está radicado há 27 anos em Pernambuco. Nascido em Maceió, em abril de 1965, Ivan Marinho vive atualmente na cidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Formado em Educação Física, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o poeta tem larga experiência com gestão pública e, quando diretor do departamento de cultura do Cabo de Stº Agostinho, criou o Encontro Celina de Holanda de Poetas Recitadores, o Encontro Pernambucano de Coco de Roda e, atualmente coordena, na prefeitura do Recife, o Recitata, concurso nacional de poesia oral, que terá sua segunda versão no Festival Recifense de Literatura, em agosto. Sua paixão pela arte começou desde criança, quando ouvia os poemas recitados por seu avô André Teixeira Costa. "Minha afeição pela leitura de poemas nascera daqueles recitais íntimos com meu avô e se prolongou por toda vida", relembra o artista. "Sempre gostei de recitar e minhas primeiras apresentações públicas foram em comícios pelas eleições diretas e pela anistia política; cheguei a ser suspenso da UFPE por causa de poemas satíricos e do embate direto com o autoritarismo da época", acrescenta. Além de suas inúmeras poesias, o artista como o também alagoano, Jorge de Lima e o pernambucano Lula Cardoso Ayres, tem inúmeras obras de artes, com as quais conseguiu obter várias premiações. "Meu primeiro prêmio foi com pintura em 1984; em seguida com poesia no Festival Nacional de Arte Alternativa e posteriormente, recebi uma menção honrosa com pintura no Prêmio Bandepe – Valor Pernambucano", conta Ivan Marinho. O artista tem ainda lançado o livro Anti-horário, com prefácio de Alberto da Cunha Melo e posfácio de Erickson Luna. Participação no CD Vários Poemas e na coletânea Poesias e Prosas de Uma Terra de 500 anos, bem como na coletânea Marginal Recife, da prefeitura do Recife. Sua última publicação foi o cordel A Arte Contemporânea e a Bestalhice, uma sátira ao vale-tudo artístico que teve seu advento com o pós-modernismo."Esse cordel, polêmico, foi enriquecido com os comentários de Affonso Romano de Santanna e Allan Sales, o menestrel do Cariri, o mais profícuo cordelista de nossos tempos; são relações que nos ajudam a crer que estamos no caminho certo!", completa. Poesia vencedora Barroquilhas Por: Ivan Marinho de Barros Filho Nas madrugadas insones Sinto o tropel de chegada, Sem ordem, desarrumadas, De palavras, letras, nomes. Balançam, saltam, deslocam, Sem ritmo nem direção E da inquietação Algo parece que evocam. Todas de tanto maduras Encontram-se a se encaixar, Como que a despertar Do sonho que se inaugura. Então se cruza o ensejo Com o anseio ancestral, Nivelando ao animal O instintivo desejo. E preterindo o futuro Faz da noite a luz do dia E a esfera, por magia, Amolece o papel duro. Pois o papel do poeta É deixar claro o escuro. IVAN MARINHO é membro da Academia Cabense de Letras

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

AOS TRAMPOS E BARRANCOS... O AMADURECIMENTO

Durante uma era glacial, muito remota, quando o Globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem as condições do clima hostil. Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doiam muito……. Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim, aprendendo a amar, resistiram a longa era glacial. Sobreviveram. "Quanto mais nos ocupamos com a felicidade dos outros, maior passa a ser nosso senso de bem-estar. Cultivar um sentimento de proximidade e calor humano compassivo pelo outro, automaticamente coloca a nossa mente num estado de paz. Isto ajuda a remover quaisquer medos, preocupações ou inseguranças que possamos ter, e nos dá muita força para lutar com qualquer obstáculo que encontrarmos. Esta é a causa mais poderosa de sucesso na vida." Tenzin Gyatso, XIV Dalai Lama Prêmio Nobel da Paz de 1989

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MÁRIO QUINTANA

CANÇÃO DE GAROA em cima do meu telhado pirulin lulin lulin, um anjo, todo molhado, soluça no seu flautim. o relógio vai bater: as molas rangem sem fim. o retrato na parede fica olhando para mim. e chove sem saber por quê... e tudo foi sempre assim! parece que vou sofrer: pirulin lulin lulin (Mario Quintana, Nariz de vidro)

QUE PROGRESSO É ESSE?

Quem viveu a infância e parte da juventude freqüentando a praia de Gaibu, com sua rústica paisagem, seu visual poético, seu silêncio só quebrado pelo canto das ondas e a conversa do vento, seu ambiente bucólico, com ainda vegetação intocável e seu arruado de casas de pescadores, nativos e alguns veranistas, não deixa de ficar, hoje, desapontado com o clima sufocante e o ar poluído do ex-paraíso. Como dói observar um amontoado de casas e apartamentos convivendo já com algumas favelas e o crescimento desordenado que compromete a qualidade de vida. Gaibu perdeu a total identidade, é mais uma vítima da insaciável exploração imobiliária e da falta de planejamento por parte do poder público. Infelizmente esse mal que aflige todo o país, terminou contaminando nosso cartão-postal. Lembro, e a memória não mente, as excursões a pé até a praia, passando pelo engenho Garapu, Boa Vista e a mata do Boto. O intenso cheiro de manga e caju, o aroma pesado e puro da selva, esfriando o clima, pureza que agora é quase só lembrança. Naquela época, os homens imaginavam que progresso seria devastar, lotear, fazer dinheiro a qualquer custo. Se mudou um pouco a consciência hoje, parece-me tarde, irremediavelmente tarde. Recordo, a gente pensava serem os usineiros a pior coisa do mundo como empresários. Não se podem negar o conservadorismo, o tratamento desumano para com os trabalhadores da palha da cana e a gananciosa visão escravocrata dos donos de usina.. Eu via,ainda menino, os caminhões passando pela rua da matriz, final de tarde, cheio de trabalhadores tristes, voltando de uma jornada estafante e sem dinheiro no bolso. Mas ali já havia uma luta para que um dia a vida melhorasse para aquele povo. Os usineiros não eram bons, porém deixavam a paisagem intacta, cheiro doce dos canaviais e das frutas. Mudaram os tempos.E com eles uma revolução necessária para que a região não estagnasse. Realmente um sopro de desenvolvimento que aqui chegou fez bem ao cabo de Santo Agostinho, a vida das pessoas mudou, com certeza para melhor. No entanto só se viu um lado. A cidade não foi planejada, sofreu por isso nossa maior riqueza ecológica: o litoral. Inevitável a explosão imobiliária. Loteamentos em profusão sem que se pensasse no desenvolvimento sustentável. A ignorância e o desejo de lucro impediram a convivência harmônica entre a natureza e o progresso. Dizer que se vive bem em Gaibu, é desconhecer as preocupações do mundo em relação ao meio ambiente hoje.É não enxergar a crescente violência, a falta de lazer cultural, as drogas, a poluição sonora, de quem acha que barulho é melodia e a devastação das matas, rios e córregos, apesar das vozes que protestam. É não sentir a ausência do nativo: expulso ou forçadamente adaptado ao novo momento. Gaibu que eu conheci, agora é tão-somente um pedaço de memória, é algo que a mente retém e que faz os olhos chorarem de saudade. Douglas Menezes é professor, escritor e membro da Academia Cabense de Letras.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

20 CONSELHOS FUNDAMENTAIS

As universidades de Harvard e Cambridge publicaram recentemente um compêndio com 20 conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual 1- um copo de suco de laranja diariamente para aumentar o ferro e repor a vitamina C. 2- salpicar canela no café (mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue). 3- trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral que tem quase 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais ferro que tem o pão branco. 4- mastigar os vegetais por mais tempo. Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham os vegetais, melhor efeito preventivo tem. 5- adotar a regra dos 80%: servir-se menos 20% da comida que ia ingerir evita transtornos gastrintestinais, prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração. 6- o futuro está na laranja, que reduz em 30% o risco de câncer de pulmão. 7- fazer refeições coloridas como o arco-íris. Comer uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, verde, roxo e branco em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais. 8- comer pizza. Mas escolha as de massa fininha. O Licopene, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento dos tumores; e ademais é melhor absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos para massas ou para pizza. 9- limpar sua escova de dentes e trocá-la regularmente. As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água quente pelo menos quatro vezes à semana (aproveite o banho no chuveiro), sobretudo após doenças quando devem ser mantidas separadas de outras escovas. (Após uma gripe ou uma dor de garganta higienizar a escova com água sanitária) 10- realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam sua memória... Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova... Leia um livro e memorize parágrafos. 11- usar fio dental e não mastigar chicletes. Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois tem os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração. Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo. 12- rir. Uma boa gargalhada é um 'mini-workout', um pequeno exercício físico: 100 a 200 gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida. Baixa o estresse e acorda células naturais de defesa e os anticorpos. 13- não descascar com antecipação. Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos. Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o câncer. 14- ligar para seus parentes/pais de vez em quando. Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantém um laço afetivo com seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã. 15- desfrutar de uma xícara de chá. O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias. Cientistas israelenses também concluíram que beber chá aumenta a sobrevida depois de ataques ao coração. 16- ter um animal de estimação. As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de estresse e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas da Cambridge University. Os mascotes fazem você sentir se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue. Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourados pode causar um bom resultado. 17- colocar tomate ou verdura frescas no sanduíche. Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronária em 30%, segundo cientistas da Harvard Medical School. 18- reorganizar a geladeira. As verduras em qualquer lugar de sua geladeira perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o câncer que todo vegetal tem. Por isso é melhor usar á área reservada a ela, aquela caixa bem embaixo. 19- comer como um passarinho. A semente de girassol e as sementes de sésamo nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes. E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes. 20- e, por último, um mix de pequenas dicas para alongar a vida: -comer chocolate. Duas barras por semana estendem um ano a vida. O amargo éfonte de ferro, magnésio e potássio. - pensar positivamente. Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas, que ademais pegam gripes e resfriados mais facilmente. - ser sociável. Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contato com a família. - conhecer a si mesmo. Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o 'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

SÓCRATES E A FOFOCA

Na Grécia antiga, Sócrates era um mestre reconhecido por sua sabedoria. Certo dia, o grande filósofo se encontrou com um conhecido que lhe disse: -- Sócrates, sabe o que acabo de ouvir sobre um de seus amigos? -- Um momento, respondeu Sócrates. Antes de me dizer, gostaria que você passasse por um pequeno teste. Chama-se "Teste dos 3 filtros". -- Três filtros? -- Sim, continuou Sócrates. Antes de me contar o que quer que seja sobre meu amigo, é bom pensar um pouco e filtrar o que vais me dizer. O primeiro filtro é o da Verdade. Estás completamente seguro de que o que me vai dizer é verdade? -- Bem... eu escutei um comentário.... -- Então, sem saber se é verdade, ainda assim quer me contar? Vamos ao segundo filtro, que é o da Bondade. Quer me contar algo de bom sobre meu amigo? -- Não, pelo contrário. -- Então, interrompeu Sócrates, queres me contar algo de ruim sobre ele, que não sabes se é verdade! Ora veja! Ainda podes passar no teste, pois ainda resta o terceiro filtro, que é o da Utilidade. O que queres me contar vai ser útil para mim? -- Não, na verdade não!. -- Portanto, concluiu Sócrates, se o que você quer me contar pode não ser verdade, não ser bom e pode não ser útil, então para que contar? Use este teste toda vez que alguém vier lhe falar a respeito de seus amigos próximos e queridos. A amizade é algo inviolável. Nunca perca um amigo por algum mal entendido ou por comentário sem fundamento.