quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A PRIMEIRA ACÁCIA

Antonino Oliveira Júnior

Não é apenas um cacho de flores,
É uma acácia...
Também não é, apenas,
Uma acácia...
É a nossa primeira,
Fecundada, cuidada, esperada
E que nasce para fazer renascer
nos corações justos e perfeitos
o amor pela humanidade.
 
Antonino Oliveira Júnior é escritor, poeta e membro da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

EPITÁFIO

Quando era jovem e livre, sonhava em mudar o mundo.
Na maturidade, descobri que o mundo não mudaria.
Então resolvi transformar meu país.
Depois de algum esforço, terminei por entender que isso também era impossível.
No final de meus anos, procurei mudar minha família, mas ela continuou a ser como era.
Agora, no leito de morte, descubro que minha missão teria sido mudar a mim mesmo.
Se tivesse feito isso, teria sido capaz de transformar minha família.
Então, com um pouco de sorte, esta mudança afetaria meu país e — quem sabe — o mundo inteiro. (Autoria desconhecida) 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

DE BREGA A “CULT”

DOUGLAS MENEZES

    Recentemente a Rede Globo incluiu na trilha sonora da novela Gabriela a música do cantor Fernando Mendes “Você não me Ensinou a te Esquecer”, canção que já fora trilha musical do filme Lisbela e o Prisioneiro, baseado na obra do grande escritor Osman Lins. Música classificada como brega romântico há trinta anos, desprezada pela intelectualidade brasileira que curte MPB de qualidade, foi sucesso à época na voz do seu autor Fernando Mendes. É interessante notar como o conceito do brasileiro médio muda de acordo não só com o passar do tempo, mas pela presença de quem “apadrinhou” o novo elemento cultural.
   Pois bem, O “monstro Sagrado”, com inteira justiça, da música brasileira Caetano Veloso resolveu dar uma roupagem nova à música. Deu um tom mais dramático à canção, incluindo uma instrumentação de nível inquestionável. O resultado foi novo sucesso da música, com algo que impressiona: sua inclusão no repertório da MPB de bares e emissoras de rádio, junto a Djavan, Chico, Gal, Betânia, o  próprio Caetano, entre  outros, incluindo aí, o público jovem, com menos de trinta anos. Quer dizer, o que não possuía valor antes, passou a ser “nata” da música romântica brasileira de qualidade.  Mostrando que os mitos realmente são intocáveis, gerando verdades nunca questionáveis, pois já se disse demais versos como estes: “ Não vejo mais você faz tanto tempo/ Que saudade que sinto; De olhar nos seus olhos sentir seu abraço/ É verdade eu não minto...”. No entanto, “Você não me Ensinou a te Esquecer”, retornou ao pódio do sucesso, inclusive por parte do público mais exigente, a ponto de a Tv colocá-la na trilha de bom gosto da nova versão do romance de Jorge Amado, junto a obras consagradas de Djavan, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Moraes Moreira e Dorival Caymmi
    Aliás, Caetano Veloso é pródigo, ao longo de carreira, em despreconceitizar  aquilo que é visto quase como tabu em nossa sociedade conservadora. Na música, fez isto, também, com Coração Materno, de Vicente Celestino e Sonhos, de Peninha, mostrando que, às vezes,  é tênue a fronteira entre o culto, de sentido elitizante, e o popular, naquilo que o povo assimila como sua cultura.

Douglas Menezes é professor cabense e Membro da Academia Cabense de Letras. Email: douglasmenezesnet@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ALGUMA COISA ACONTECE...

DOUGLAS MENEZES

   Alguma coisa acontece nos corações e mentes quando um artista reconstrói o desconstruído. Faz do feio aparente, a beleza maior. Tira do lodo ou do feioso cinza, cores irradiando a vida, enxergando um sol amanhecendo naqueles dias em que a poesia parece inundar a existência. Alguma coisa acontece principalmente nos corações, quando o que poderia ser despoetizado pela evidência de um ambiente insalubre, não só feio, como até mesmo grotesco, poluído, desumano, incolor, artificial, violento, medroso. Alguma coisa acontece, principalmente nos corações, quando o que poderia ser despoetizado se torna a mais genuína expressão de conteúdo poético, pura busca de humanizar o desumano.
   “Alguma coisa acontece no meu coração/ Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João”. Caetano Veloso consegue fazer do concreto paulista, um jardim inimaginável de poesia para São Paulo. Torna humana cada fealdade expressa. Põe virtude nos defeitos cantados e comuns a todos que conhecem aquela selva. Uma verdadeira compaixão, como se tivesse pena das coisas ruins que habitam Sampa, e encontrasse nelas o sumo da vida, o adubo necessário para se construir uma humanidade. Como se a torre de babel finalmente vislumbrasse uma linguagem única, irmanando a todos, de todas as raças e idiomas, numa só nação.
   Caetano consegue musicalizar São Paulo no próprio título do poema. O samba que representa a redenção. O desfilar na melodia perfeita para o objetivo proposto. Tornou a música, simples por sinal, numa narrativa que é um roteiro para quem chega a São Paulo e sente o choque de realidade, muitas vezes tão cruel que leva o indivíduo desavisado a sucumbir e se transformar em mais um ser marginalizado na cidade grande. Um roteiro, também, para aqueles que resistem, tiram o manto do preconceito, e, a duras penas, se adaptam, começam a viver a  urbe gigantesca nos aspectos do bem, sem esconder a realidade dura, mas enfrentada pelos grandes vencedores. Não esquecendo as contradições, muitas, as dificuldades do provinciano num mundo universal: “E foste um difícil começo afasto o que não conheço/ e quem vem de outro sonho feliz de cidade /  aprende depressa a chamar-te de realidade/ porque és   o avesso do avesso do avesso do avesso”.
     Em Sampa, a sensibilidade social, a disparidade de renda, a opressão aos mais pobres, a importância de dinheiro, necessário e também destruidor: ” Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. E o arremate crítico, politicamente correto com preocupação ambiental: “ Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”. E a referência do concreto paulista à concretude da poesia: “ E vejo surgir teus poetas de Campos e espaços”.
   Mas São Paulo é, ao mesmo tempo, a meca dos que desejam progredir, dos que não tiveram chance em suas terras. Simboliza a liberdade, o novo quilombo, a chance na vida. E Caê não deixou de observar isto.
   O roteiro termina de modo lânguido, carinhoso, num reconhecimento de que Sampa é humana e habitável para quem nela consegue ir além da sobrevivência . Poesia de um poeta maior: “E os novos baianos passeiam na tua garoa / E os novos baianos te podem curtir numa boa”.

DOUGLAS MENEZES É PROFESSOR, EX-SECRETÁRIO DE CULTURA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO E MEMBRO DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS.
EMAIL: douglasmenezesnet@gmail.com

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"LIÇÃO" COM VERA ROCHA



Quando os vendavais da vida sacudirem os alicerces do teu lar interior,
Resiste bravamente!
Finca teus pés na fortaleza da esperança,
Na persistência da brandura,
E renova tua fé, na crença que abraças.
A Roma dos Césares só se eternizou nos corações
fragilizados pela vingança, pelo ódio,
Pelos que se excederam no orgulho, no egoísmo e na vaidade.
Aos que confiam e esperam,
Os "Licínios Minúcios", da Cidade de Corinto, 
Assim como os "Césares" de Roma, passaram e passarão,
Deixando não apenas seus nocivos rastros,
Mas uma gama de lições e aprendizados.

Vera Rocha é poetisa, professora e da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;
Roga a Deus que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


Luiz de Camões (1560)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O SÍTIO E O HOMEM


O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:


"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso! - disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Valorize o que você tem, os amigos que estão perto de você, o emprego que Deus lhe deu, o conhecimento que você adquiriu, a sua saúde, o sorriso do seu filho. Esses são os seus verdadeiros tesouros. (Desconheço a autoria)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

VIRTUDES E VÍCIOS


Wagner Veneziani Costa


Vencer minhas paixões levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício, eis o que viemos aqui fazer. Do caos à ordem; da obscuridade à luz.


Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico, mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico é difícil.


Maçonaria não é religião nem partido político nem igreja; todavia ela põe o homem no caminho, desperta. Não oferece verdade definitiva, imutável, dogmática. Representa o livre exercício da tolerância. Aprende-se a interrogar, recolocar em questão. Graças a esse fator de progresso descobrem-se os caminhos do conhecimento e da ordem que deve reinar no domínio material e espiritual. Isto facilita ao homem desenvolver virtudes. Usa-se de processos, rituais; contatos humanos, conhecimentos, disciplina, e outros artifícios para definir no homem sua personalidade melhorada.


Virtude é passagem da paixão para ação e meditação. Uma externa outra interna. Caminho onde o homem revela a si mesmo e ultrapassa limites; encontra o "eu", o ser interno, com seus sentimentos, atos e pensamentos. Floresce a capacidade ou potência própria do homem desenvolver qualidades naturais. Desperta a virtude de valorização positiva do indivíduo, a disposição geral e constante da prática do bem. Não significa que o homem virtuoso seja altruísta ou filantropo, mas tende para tal. O homem de virtudes tem o hábito de cumprir leis e obedecer aos costumes da sociedade em que vive; socialmente correto, honesto, justo, paciente, sincero, compreensivo, generoso, prudente, corajoso e perseverante.

Maçonaria é a escola que permite controlar paixões. Faz com que se tenha domínio do "eu" e respeito ao próximo.


Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Mas não basta falar, urge experimentar, praticar. Os mais variados tipos de virtude têm de ser experimentados, vividos, compreendidos; ao menos intelectualmente. Assim como Spinoza,

"não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal. Para que acusar? Isso é a moral dos tristes e uma triste moral".

A primeira e fundamental parte da virtude é a verdade, dizia Montaigne,

"A verdade condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma".

A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer nem para serem devidas. Amor, generosidade e justiça só são virtudes se, antes de tudo, forem verdadeiras. Aqui surge a boa-fé; a conformidade dos atos e palavras com a vida interior ou desta consigo mesma. É respeito à verdade. Virtude sem boa-fé não é virtude. A boa-fé, como todas as virtudes, é o contrário de narcisismo, egoísmo cego, submissão a si mesmo.


Não confundir dever com virtude. Dever é coerção, virtude é liberdade, ambas necessárias.  O que se faz por amor não se faz nem por coerção nem por dever. Quando o amor e o desejo existem, para que o dever? Não amamos o que queremos, mas o que desejamos. O amor não pode ser comandado nem pode ser dever.

Nietzsche dizia:

"O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal".

A virtude não é bem, mas a força para ser e agir na prática do bem.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

SOMOS APENAS CRIANÇAS


...trabalhamos, compramos, vendemos e construímos relações sociais; discorremos sobre política, economia e ciências, mais no fundo somos meninos brincando no teatro da existência, sem poder alcançar sua complexidade. Escrevemos milhões de livros e os armazenamos em imensas bibliotecas, mas somos apenas crianças. Não sabemos quase nada sobre o que somos. somos bilhões de meninos que, por décadas a fio, brincam neste deslumbrante planeta. Augusto Cury no Livro Vendedor de sonhos, Pag. 30.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O CICLO

Ó mundo corrompido
corrompido pela politica
corrompido pela guerra
corrompido pela humanidade.

Ó humanidade corrompida
corrompida pela fome
corrompida pela desigualdade
corrompida pelo homem.

Ó homem corrompido
corrompido pelo ódio
corrompido pela inveja
corrompido pelo seu próprio mundo.

A POLÍTICA

Para falar sobre a política,
Preciso ter muita sabedoria,
Pois, magoar quem quer que seja
Não quero e jamais quereria,
Eu penso que o partido
Que deve ganhar é o bem comum
Cujos vereadores devem ser
A paz e o perdão...
Acho que a prefeitura deve ser,
O nosso coração,
A nossa cidade deve ser,
A nossa personalidade,
O programa de governo deve ser,
A caridade e a liberdade que devem
Consistir em fazer o que se deve, e não que se quer.
Penso que a nossa sociedade deve ser a letra daquela
canção que diz: você precisa conhecer a minha terra, lá não tem guerra
Nem polícia, nem ladrão, não tem partidos de esquerda ou direita,
Todo mundo se respeita
Isso é que é Constituição.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MORRI E VIVI

Morri para o coitado que se contradiz
Morri para a podre política brasileira
Morri para o barco furado que está em algumas igrejas
Morri para a má educação
Morri para o Amigo Inimigo da Silva
Que ilude o Amigo Aliado do Peito
Morri, por que passei pela mudança
Vivi para a alegria dos inocentes
Vivi para a poesia incandescente
Vivi para o batuque afro-descendente
Vivi para a esperança que espera
Vivi para o pouco que acoberta
Vivi, por que aprendi com a mudança.

ROTARY CABO PROMOVE SHOW COM A BANDA CERVAC

 
O Rotary Club Cabo convida a todos para participarem das comemorações dos 50 anos do abrigo são Francisco, que acontecerá no próximo dia 04 de outubro às 16 horas.
 
Local: Abrigo São Francisco.
 
O evento contará com Show da Banda Cervac que tem sua formação com crianças e adolescentes.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É PRECISO SABER DESLIGAR


Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, o tal balancete no final do ano. Deixe de lado a cobrança interna, a dívida externa, a tão eterna dúvida. Viver é assim. Não há como negar. Para ficar ligado é preciso saber desligar. Fácil? Nem tanto. Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo. Portanto, esqueça o relógio. Seu tempo está dentro de você. Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão. Não deixe a agenda ocupar sem querer - o lugar do coração. Respeite sua hora. Desacelere. TURN OFF. Mais do que correr, é preciso saber parar. Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir. Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo. Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está em livros. Mas dentro de cada um. Quer tentar? Respire fundo. Desencane. Perca seu tempo com você! É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei. Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar. Cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil? Pode ser. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida. Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você. Esqueça. Se esqueça. Hora de se perdoar. RENASÇA. Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala. E meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita com voz desafiante: confie em si mesma. Quebre a rigidez. Ouse. Brinque. Viva com mais leveza. E - por favor - desligue-se. Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida. E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser: CHEGOU A HORA!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

É FÁCIL TROCAR AS PALAVRAS

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."                                                   


 Fernando Pessoa

domingo, 2 de setembro de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UMA LENDA MAÇÔNICA DO TEMPO



Como em um passe de mágica, o tempo começou a se mover, tudo ao seu redor começou a girar, e o pedreiro se viu dentro de um grande vórtice, onde o tempo caminhava para trás. Logo, em seguida, percebeu que estava em sua consciência o poder que fazia mover o tempo. Foi quando de repente, o tempo parou, tudo a seu redor eram trevas, havia silêncio, apenas uma voz inaudível falava em diálogo mudo em sua consciência. A voz do silêncio era sua única companhia. Naquele momento o silêncio lhe falava de um caminho que devia seguir e, que nela faria muitas viagens.
Gira mais uma vez o tempo, agora começa a se movimentar para frente, um vórtice lento se forma, mais tudo era escuridão. De repente, uma voz poderosa rasga o silêncio em meio a escuridão, dizendo: “Faça-se a Luz”, e um novo ritmo se estabeleceu. No meio de sons de batidas a voz disse: Sic trasit  gloria  Mundi”, e a luz rompeu as trevas de sua consciência.
Em meio a um cataclisma emocional, atordoado pelo barulho e ferido pela luz, veio a surpresa.
Entre os raios de luz que ofuscavam seus olhos, reconhecia amigos e cada um lhe apontava uma aguçada espada. E a voz que habitava o oriente brandou dizendo: “Não vos assusteis. Estas espadas a vós apontadas, significam que estão prontas a vos defender, mas também zelarão pela lei, caso vos falteis para com ela”.
Nesse momento, o tempo avançava novamente e tudo ao seu redor começava a girar, e ele viaja mais uma vez no tempo e, quando o tempo parou, lá estava ele se vendo como um Aprendiz nos mistérios da Edificação. Tinha no peito um grande orgulho e, uma motivação que transparecia no seu semblante. Faceiro, orgulhoso incansável de seu ofício, com braço firme, cheio de força, desferia o malho sobre o cinzel que apontava a pedra bruta.
Ao seu lado, incansável, o seu Mestre que lhe ensinava com satisfação todos os segredos do ofício, do empunhar do cinzel ao traçar da régua. Tudo tinha que ser justo e perfeito. O Mestre era rigoroso e tinha consciência da necessidade de agir como tal, porém era brando, paciente e muito tolerante.
O Mestre ensinava seu ofício com habilidade e sabedoria, transmitindo confiança e motivação a seus aprendizes. Ensinava que do conhecimento nasce a perfeição e, desta advém o equilíbrio. Ensinava, ainda, que a pedra teria que ser bem escolhida para poder ser bem trabalhada. Suas dimensões bem definidas e suas arestas bem aparadas, pois, a beleza da construção do edifício dependia desse trabalho. Era preciso conhecer, muito bem cada detalhe, do empunhar do cinzel ao golpe do maço, pois um desvio do cinzel ou uso errado da força, a pedra semidesbastada se tornaria bruta novamente. Na execução desse trabalho, ensinava que o corpo, a mente e razão deveriam tornar-se uma só entidade. O Mestre ensinava, ainda, que a majestade e a resistência do edifício está na dependência das bases onde foi construído. Somente uma base sólida é capaz de substituir à ação do tempo.
Assim, destacava que apenas um bom pedreiro constrói com perfeição e, que só um bom Aprendiz chega a se tornar um bom Mestre, porque só ensina aquele que, bem aprende, quer e tem competência.
Era uma grande escola, ali se ensinava verdadeiramente a Maçonaria.
Por  Moacir José Outeiro Pinto

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O RUÍDO DA MAÇANETA

Poema escrito na década de 60.
Gióia Júnior



Não há mais bela música
que o ruído da maçaneta da porta,
quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,
da madrugada de estranhas vozes,
e o ruído da maçaneta, e o gemer do trinco,
o bater da porta que, novamente, se fecha,
o tilintar inconfundível do molho de chaves,
são um doce acalanto, uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
posso, afinal, dormir e descansar.
Oh! A longa espera, a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos,
que só a noite, como ninguém, sabe contar!
Oh! Os presságios e os pesadelos,
o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua,
e o longo apito do guarda, medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância,
e o grito lancinante da ambulância!
E o coração, descompassado,
a pressentir e a martelar,
na arritmia do relógio do meu quarto,
esquadrinhando a noite e seus mistérios.

Nisso, na sala que se cala,
estala a gargalhada jovem da maçaneta
que canta a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa,
com todos os ruídos secundários.

Oh! Os símbolos do trinco
e os clarins da porta que se escancarava,
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!

Nem as vozes da orquestra, e o tilintar de copos,
e a mansa canção da chuva no telhado,
podem, sequer, se comparar
ao som da maçaneta que sorri, quando meu filho volta.
Que ele retorne sempre, são e salvo,
marinheiro depois da tempestade, a sorrir e a cantar.
E que, na porta, a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno,
que soa, para mim, como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim, meu coração se aquieta,
posso, afinal, dormir e descansar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

“PAI, COMEÇA O COMEÇO!”


Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: - “pai, começa o começo!”. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas “tangerinas” são outras.

Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis... Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.

O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus: “Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.

Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Pai, começa o começo!”. (Autor desconhecido)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

FICCIONAIS - Escritores revelam o ato de forjar seus mundos

A FELICIDADE É UMA VIAGEM, NÃO UM DESTINO

Por muito tempo, eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.     
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. aí sim, a vida de verdade começaria.

Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.         
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.         
A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem.         
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.         
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 kg; até que você ganhe 5 kg; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra; e decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo...  
Lembre-se: felicidade é uma viagem, não um destino.

Atribuido a Henfil - Henrique de Souza Filho (5 de fevereiro de 1944, Ribeirão das Neves, Minas Gerais - 4 de janeiro de 1988, Rio de Janeiro) foi um cartunista, jornalista e escritor brasileiro.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

CONVITE PARA POSSE NA ACL

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O CÉTICO E O LÚCIDO...


No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês.         
O primeiro pergunta ao outro:       
- Você acredita na vida após o nascimento?        
 - Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui         principalmente porque nós precisamos no preparar para o que seremos mais tarde.        
 - Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui.
Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
 - Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.     
 - Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.      
 - Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.      
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com    certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
 - Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.       
 - Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não  existe nenhuma. 
 - Bem, mas, às vezes, quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando ou sente como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para  ela... 


PENSE NISSO.....      
 A pessoa que escreveu este texto foi muito iluminada.
Eu nunca havia pensado dessa maneira. Adorei a forma utilizada para esclarecer uma dúvida que atormenta a maioria da humanidade.
 Como achar que não exista vida após o nascimento??? Esta questão é a mesma de não acreditar em vida após a morte!!!
 Tudo depende de um ponto de referência. Usar o óbvio para explicar o duvidoso.   

*Aliás... "O que é a vida e o que é a morte?" *

 Mario José Amadigi

ACADEMIA CABENSE DE LETRAS DARÁ POSSE A QUATRO NOVOS MEMBROS NA CÂMARA MUNICIPAL

Por Tereza Soares     
Especial para o Jornal da Calheta
A Academia Cabense de Letras (ACL) dará posse no próximo dia 27 de julho, aos quatro novos membros indicados pelos atuais 15 integrantes da entidade. A solenidade acontecerá na Câmara Municipal do Cabo de Santo Agostinho, a partir das 19h, com apresentação cultural e entrega oficial dos diplomas.

Os novos acadêmicos são o compositor e músico, Domingos Sávio; o poeta e advogado Paulo Alexandre Caminha; o poeta e professor Carlos Silvino e também professor e poeta, Eugênio Paceli. Os novos membros ocuparão as cadeiras, da 16 a 19, ficando a critério deles a escolha de seus patronos. Entre os nomes para patronos indicados pela ACL estão Maestro Miro de Oliveira, John Philip, Júlio Pires, Naziazeno Noya, Manezinho Araújo e Agrício Braz.

Na visão do presidente da entidade, Nelino Azevedo, um dos papéis da ACL é contribuir para a preservação da memória literária e artística da cidade. Segundo ele, “isso implica não só em pensar nos autores do passado, mas também no reconhecimento dos valores atuais que estão recriando a história e a própria cidade”.

Nelino Azevedo lembra que nesses anos de atuação, a entidade deu passos importantes pela valorização literária, a exemplo da realização do Projeto Sexta de Letras, participação da VII Bienal do Livro, lançamento do fanzine literário ‘Café com Letras’, além de ter conseguido uma sede para funcionamento, que está em reforma.

A ACL é formada por poetas, médicos, jornalistas, pedagogos e teatrólogos com cerca de 20 anos de atuação e contribuições na formação do pensamento, ideário cultural e educacional do Cabo de Santo Agostinho. A entidade foi fundada no dia 7 de maio de 2009 e tem como patrona a poetisa cabense Celina de Holanda. Os atuais 15 membros efetivos são: Antonino Oliveira Júnior, Ivan Marinho, Douglas Menezes, Jairo Lima, Frederico Menezes, João Sávio Saraiva, Erivaldo Alves, Natanael de Lima Júnior, Tereza Soares, Vera Rocha, Mário Hélio, Luiz Navarro, Milton Lins, José Ambrósio e Nelino Azevedo, presidente reeleito.

Tereza Soares   é da Academia Cabense de letras