segunda-feira, 30 de abril de 2012

VIA FRANCA


Zeca Plech

Vejo pleno de luz o meu caminho,
trilha fatal que leva a eternidade,
graças a mão do paternal carinho
externação da Máxima bondade.

Da vida, penetrei no burburinho,
gozei como devia a mocidade,
porém do mundo opíparo ou mesquinho,
não conservo resquícios de saudade.

Despeço-me da terra na certeza
de penetrar no Reino da Beleza,
daquela que não murcha nem fenece,

deixando para os filhos minha benção,
perdão para os que ódio me dispensam
e à humanidade o estímulo da prece.



JOSÉ AUGUSTO PLECH FERNANDES ( Zeca Plech), que escreveu este soneto 30 dias antes de sua morte, é o patrono da Cadeira n• 11 da Academia Cabense de Letras, tendo como titular o acadêmico Douglas Menezes de Oliveira.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O QUINTO DOS INFERNOS

       "Durante o século 18 o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.
Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país o que correspondia a 1/5 (um quinto) da produção.
Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".
Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos". A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira" que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento e enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Atualmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira chegou a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos... Para que?
Para sustentar a corrupção: o mensalão, o senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo".

E pensar que Tiradentes foi enforcado  porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!!!!!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O PASSADO É PASSADO


O Passado é Passado, mas o Amanhã durará para Sempre

Em nossas vidas, tantas vezes olhamos para trás...
pensando em como tudo aconteceu e como tudo poderia ter sido.
Não há nada errado em olhar para trás,
mas certamente é um erro ficar ruminando o passado
e perguntando: "E se...?".

Ao contrário, devemos nos concentrar no dia de hoje,
no amanhã e nos amanhãs que estão por vir.

Ainda há muitos dias maravilhosos no porvir.
O passado é passado...
mas o amanhã durará para sempre.

Deixe que cada amanhã preencha seu coração com amor e risadas;
os seus dias, com sonhos tornados realidade e sua vida,
com uma esperança infinita de felicidade.
Autor: A. Rogers            

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FRIEDRICH NIETZSCHE


"O homem procura um princípio em nome do qual possa desprezar o homem. Inventa outro mundo para poder caluniar e sujar este; de fato só capta o nada e faz desse nada um Deus, uma verdade, chamados a julgar e condenar esta existência." (Friedrich Nietzsche)

sábado, 14 de abril de 2012

ACADEMIA CABENSE DE LETRAS

sexta-feira, 13 de abril de 2012

TUDO TEM SEU TEMPO


TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Rei Salomão

terça-feira, 10 de abril de 2012

IVAN TEORILANG

"A covardia da calúnia, que sentencia o inocente a pagar por um crime que não cometeu, é a mais devastadora das armas do ignorante, ela estraga e emporcalha tudo que toca, alem de enegrecer profundamente aquilo que não conseguir exterminar."

"Ao zombar de alguém de forma caluniosa, mesmo sem a intenção de prejudicar, alem da isenção do humor, poderá ser mal interpretado, pois a calúnia muitas vezes é mais fácil de ser aceita, do que a verdade."

"É melhor sofrermos uma injustiça do que praticá-la, pois sendo justo, o tempo se encarregará de trazer à tona a verdade."

 “Bem aventurado é aquele cujo discernimento o levou à sabedoria e no exercício da sabedoria à luz da fé em toda sua plenitude libertando-o dos grilhões de um porvir obscuro e temível.” 

“Não se pode creditar valor algum ao ser humano se este não possuir como domínio o discernimento, berço de todas as virtudes nobres”.
 Ivan Teorilang, pseudônimo de Ivan José Teori. Filho de Nelson Teori e Cecília Lang Teori, de onde veio seu pseudônimo, Teori de seu pai e Lang de sua mãe. Natural de Penápolis-SP (04/07/51), onde passou sua infância. Formou-se em zootecnia em1974 no Col. Agropecuário de Jahú-sp. Mudou-se para S. Paulo capital, onde trabalhou no Depto. de Águas e Energia Elétrica do Estado de S. Paulo ao mesmo tempo em que cursava estudos sociais na Faculdade Unicastelo. Logo depois mudou-se para Goiânia-GO. De volta a Penápolis, após aceitar o cargo de agente do jornal, Folha de São Paulo. Participou com matérias para o jornal local. Retornou à Goiânia em 2004. Seus pensamentos expressos em forma de frases têm sido muito aceitas e usadas em diversos segmentos.
Fonte: http://sitedepoesias.com

domingo, 8 de abril de 2012

MILLÔR FERNANDES

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA



Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo, e a quem se nutre de TV sem enxergar as maravilhas encerradas no próprio peito.

Feliz Páscoa aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.

Feliz Páscoa aos que tecem com o olhar o perfil da alma e, no silêncio dos toques, curam a pele de toda aspereza. E aos amantes tragados pelo ritmo incessante de trabalho, carentes de carícias, que postergam para o futuro o presente que nunca se dão.

Feliz Páscoa a quem acredita ser o ovo portador de vida, sem que a fé exija que o quebre, e aos incrédulos e a todos que jamais dobraram os joelhos diante do mistério divino.
Feliz Páscoa aos que identificam as trilhas aventurosas da vida mapeadas na geografia de suas rugas e não se envergonham da topografia disforme de seus corpos. E a todos aqueles que, robotizados pela moda, se revestem de estátuas gregas carcomidas pela anorexia, sem se dar conta de que a mente mente.

Feliz Páscoa aos que ousam ser gentis e doces, sem pudor de abraçar o menino que carregam dentro de si. E aos afoitos, competitivos, turbinados e sarados, enamorados da própria vaidade, incapazes de suportar uma fila de espera.
Feliz Páscoa aos que sabem amarrar o seu burrico à sombra da sabedoria e jamais negociam a felicidade em troca de uma arroba de milho que, vista à distância, parece pepita de ouro. E aos idólatras do dinheiro, fiéis devotos dos oráculos do mercado, reféns de pobres desejos que, saciados de supérfluos, nunca alcançam o essencial.
Feliz Páscoa a quem abre caminhos com os próprios passos e cultiva em seus jardins a rosa dos ventos. E aos que colhem borboletas ao alvorecer e sabem que a beleza é filha do silêncio.
Feliz Páscoa aos que garimpam utopias nos campos da miséria e trazem seus corações prenhes de indignação, sem jamais olvidar o próximo como seu semelhante. E aos que, montados na indiferença, atropelam delicadezas, até que a dor lhes abra a porta do amor.
Feliz Páscoa aos que nunca fecham a janela ao horizonte, regam suas raízes e não temem pisar descalços a terra em que nasceram. E aos que se embriagam de chuvas, ofertam luas à namorada e fazem da poesia a sua lógica.
Feliz Páscoa aos colecionadores de araucárias, que enfeitam de sonhos suas florestas e, na primavera, colhem frutos de plenitude. E aos que brincam de amarelinha ao entardecer e desconfiam dos adultos exilados da alegria.
Feliz Páscoa aos que se repartem nas esquinas, distribuem aos passantes moedas de sol e, nada tendo, nada temem. E aos que, ao desjejum, abrem sua caixa de mágoas e recontam uma a uma, gravando nos cadernos do afeto dívidas e juros.
Feliz Páscoa aos que caminham sobre tatames e, por terem muita pressa de chegar, jamais correm. E aos navegadores solitários, pilotos cegos e peregrinos mancos, que se arrastam pelas trilhas da desesperança.
Feliz Páscoa aos políticos obrigados a inventar, para os outros, o futuro que não se deram no passado, e estendem sorrisos para mendigar votos. E aos que não se deixam iludir pela insipidez da política e nem atiram seus votos na lixeira do desinteresse, alimentando ratos.
Feliz Páscoa aos trovadores de esperanças, aos fazendeiros do ar e aos banqueiros da generosidade, que sabem tirar água do próprio poço. E aos que mantêm em cada esquina oficinas de conserto do mundo, mas desconhecem as ferramentas que arrancam as dobradiças do egoísmo.
Feliz Páscoa a quem seqüestra o melhor de si, escondendo-o nas cavernas de suas mesquinhas ambições, sem coragem de pagar o resgate da humildade. E aos que nunca banem do espírito a presença de Deus e fazem da vida uma or/ação.
Feliz Páscoa às bailarinas fantasiadas de anjos que sobem, na ponta dos pés, a curva policrômica do arco-íris, e aos palhaços ovacionados que, no camarim, se miram tristes no espelho, vazios da euforia que provocam.
Feliz Páscoa aos que descobrem Deus escondido numa compota de figos em calda ou no vaga-lume que risca um ponto de luz na noite desestrelada. E aos que aprendem a morrer, todos os dias, para os apegos de desimportância e, livres e leves, alçam vôo rumo ao oceano da transcendência.      

• Frei Betto é escritor,
Frade Dominicano, Teólogo, Antropólogo, Filósofo e Jornalista. Autor de “Treze contos diabólicos e um angélico” (Planeta), entre outros livros.


SÁBIOS CONSELHOS‏

   
     "Crie filhos em vez de herdeiros."
·        "Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
·        "Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
·        "Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
·        "Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
·        "Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
·        "Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
·        "Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
·        "...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"

·        "Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."

E para terminar:


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

0 COLÉGIO ATUAL PROMOVE: PROJETO ESTANTE LITERÁRIA III

Sabendo da importância de conhecer as obras literárias dos grandes autores, temos a honra de convidar seu filho(a) para participar do Projeto Estante Literária III. Neste evento, os alunos terão a oportunidade de assistir a três espetáculos em um só turno.
  • Vidas Secas: Graciliano Ramos
  • A Face Drummond... As faces do mundo: Carlos Drummond de Andrade
  • Bom Casmurro/Memórias Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis
Data: 16/04/2012.
Local: Teatro Beberibe
Horário de Saída da Escola: 13h
Valor por aluno: R$ 28,00 (ingresso para os três espetáculos + transporte)

As inscrições deverão ser pagas na Coordenação do Colégio.
Os alunos irão ao teatro acompanhados pela coordenação e funcionários do Colégio em um ônibus de turismo.

Para maiores informações, favor entrar em contato com a Coordenação do Colégio ATUAL, ou pelo fone (81) 3301-4949.  

Coordenação do Ensino Médio

segunda-feira, 26 de março de 2012

DA ALMA À METALINGUAGEM

   DOUGLAS MENEZES

  Há trinta anos ouvi, encantado, pela primeira vez, a música “As Vitrines” de Chico Buarque. Algo me dizia que por trás da aparente simplicidade, da melodia fácil de ouvir e de tocar ao violão, e dos versos com palavras simples, havia um estranhamento típico de uma obra literária e musical de valor.
Pois é verdade ser o banal, o comum elemento básico a ser transformado num texto de qualidade. E a história de um homem acompanhando uma mulher pelas ruas da cidade, seguindo-a como a persegui-la não  seria nada que chamasse a atenção como um acontecimento diferente. Mas Chico é gênio, e gênio é aquele que faz do trivial alguma coisa singular.
  Música tema de uma novela da rede Globo, “As Vitrines” passou, pelo menos, seis meses na mídia nacional e, embora popular, não chamou a curiosidade do público para os seus aspectos mais criativos.
  Comecei, então, a sentir uma atração crescente sobre a melodia e a letra dessa música, um dos belos momentos da obra de  chico – difícil é encontrar um que não seja belo. Na verdade, o primeiro aspecto curioso da obra diz respeito ao distúrbio psicológico do eu lírico: um voyeur. Um obsessivo perseguidor da amada. Tara recheada de imagens poéticas belíssimas, como ao final da música, quando o perseguidor, quase vencido declara: “Passas em exposição/ Passas sem ver teu vigia/ Catando a poesia / Que entornas no chão”. E toda a música é um jogo de espelhos pela  cidade, num  constante ir e vir obsessivo. O mundo conturbado do personagem narrador é exposto por expressões que mostram o desequilíbrio existencial, a confusão de sua mente expressa por imagem textual que liga conteúdo e forma: “Na galeria, cada clarão/ É como um dia depois de outro dia/ Abrindo um salão...” . E esse descompasso fica claro em verso anterior  ao citado,  quando a forma, de novo, serve ao conteúdo confuso do comportamento do voyeur: “Nos teus olhos também posso ver/ As  vitrines te vendo passar”. As vitrines adquirem comportamento humano, personificação confirmando  a visão distorcida da personagem, a mente embotada, sem comando razoável, numa imagem colorida e poeticamente perfeita.  Interessante notar que, a todo momento, o eu-lírico busca um diálogo com o objeto do desejo, sem conseguir, no entanto: “Olha pra mim,/ Não faz assim,/ Não vai lá não...”. ao tentar a interlocutora,  sem conseguir, ele  acentua  seu  monólogo, sua solidão total, que de resto é a soledade do homem da cidade grande.
   Mas não para por aí, a genialidade de Chico. Ao colocarmos o poema à frente de um espelho  uma parte dele se transforma numa outra poesia. Texto projetando outro texto, metalinguagem pura. Observe que o reflexo do poema original se transfigura
Em outro: “Ler os letreiros aí troco/ Embaçam a visão marinha/  Na alegria”, indo aí até o final, como se dentro do espelho houvesse uma outra realidade, distinta da concreta.
   Por fim, na gravação original, ao ouvirmos o último verso, o arranjo expressa sons que nos remetem a palavras despencando, diluindo-se, como um brinquedo infantil formado por letras jogadas ao chão. Tudo, pura obra de arte.

Douglas Menezes é escritor, professor de Língua Portuguesa, pós-graduado em Literatura Brasileira e em Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE, membro da Academia Cabense de Letras.                          
                                           
       

sexta-feira, 23 de março de 2012

VOCÊ VERÁ QUE NÃO É FÁCIL!


Antes de julgares a “minha vida” ou meu “caráter”...
Calça os MEUS sapatos e percorre o caminho que EU
percorri,  vive as "minhas tristezas", as "minhas dúvidas",
as "minhas alegrias" !!!
Percorre os anos que e EU percorri, tropeça onde EU
tropecei e levanta-te assim como EU o fiz!!!
Cada um tem a sua própria história!!!
E então, só aí poderás "julgar-me!"
(Mário Quintana)

NEUROCIRURGIÃO PAULO NIEMEYER É ENTREVISTADO PELA REVISTA PODER


Parte da entrevista da REVISTA PODER, ao neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho (PN), quando lhe foi perguntado:

REVISTA PODER: O que fazer para melhorar o cérebro ?

PN: Vc tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

REVISTA PODER: Cabeça tem a ver com alma?

PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.

REVISTA PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

REVISTA PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

REVISTA PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: Todo exagero.
Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância, etc.
O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra.
É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.

REVISTA PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

REVISTA PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.

REVISTA PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

REVISTA PODER: Você acredita em Deus?

PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz:

"Ele está salvo".

Aí, a família olha pra você e diz:

"Graças a Deus!".

Então, a gente acredita que não fomos apenas nós,
que existe algo mais, independente de religião.

quinta-feira, 22 de março de 2012

TENTE OBSERVAR ALÉM DOS TIJOLOS


Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia se sentar na sua cama durante uma hora, todas as  tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto.
O outro homem tinha que ficar sempre deitado de costas.       

Os homens conversavam horas e horas. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias...      
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.
Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia passar:      
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram. Uma manhã , a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. A enfermeira ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.       

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira  deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
.
O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o  seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas passar alguma coragem pra ele...
MORAL DA HISTÓRIA:      

Existe uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada. Se vc quer se sentir rico, conta todas as coisas que você tem que o dinheiro não pode comprar.
'O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente.'
Autor: Desconhecido

quarta-feira, 21 de março de 2012

A MAÇONARIA NO CABO DE SANTO AGOSTINHO

 Por Luiz Lacerda

A história das academias subversivas de 1817 começou em Jaboatão, no Engenho Suassuna, no Pátio do Paraíso e depois no Cabo, no Engenho Velho – Engenho Nossa Senhora Madre de Deus.

Essas academias eram consideradas pelas autoridades, como aparelho subversivo para a época. Elas se apresentavam como lojas maçônicas ou associações, como propósitos políticos republicanos emancipacionistas, obedecendo a orientação de um grupo de patriotas chefiado pelo Capitão-Mor de Olinda, Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, conhecido como coronel Suassuna, um revolucionário “macho”, jaboatonense, e o também Capitão-Mor do Cabo, Francisco Paes Barreto, o famoso marquês do Recife. O Episódio de todo movimento revolucionário entrou para a história como Confederação do Equador.

O movimento recebia o aval da igreja católica e era muito bem organizado sem nenhuma suspeita das autoridades. Era a consagração do ideal republicano que tomava pé, sutil e inteligentemente inspirado na filosofia política dos franceses, que os levaram à Revolução de 1789, iniciada com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho, sob a égide da famosa legenda: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

De 1817 a 1822, a ação das academias foi tida como promissora, mas seu fracasso adiante levou todos os participantes a grandes conseqüências. Uma boa parte fugiu, alguns foram fuzilados no Recife e outros na Bahia, a exemplo dos padres Miguelinho e Roma, além do Dr. José Luis de Mendonça e Domingos Julio Martins.

Entre os mártires dessa patriótica revolução, Francisco Paes Barreto foi enviado preso para a Bahia, onde amargou quatro longos anos nos calabouços da cadeia “Relação”, e os cabenses Damião Alves e Antônio do Monte Oliveira, que foram fuzilados.
Segundo conta o mestre Nilo Pereira “As revoluções de 1817 / 1822 não ameaçaram a unidade brasileira, assim como a expulsão do Flamengo não desfigurou a Colonização Portuguesa em seu processo de integração social, ético e político”.

A morte de Suassuna

Arrancado de seu asilo, foi Suassuna preso e metido a ferro, no porão do navio “Carrasco” e remetido com mais de 70 mártires para a Bahia. Jogado por ordem do Conde dos Arcos nos cárceres da fortaleza “Relação”, ali permaneceu quatro anos. Suassuna morria lentamente, quando as vésperas de ser executado em 10 de fevereiro de 1821, o rei concedeu anistia geral. Voltando a Pernambuco, e fortemente abatido pela doença e pelas privações da rigorosa prisão, veio a falecer oito dias depois.

Luiz Alves Lacerda – Foi escritor, pesquisador e historiador. É atualmente um dos patronos da Academia Cabense de Letras.

sexta-feira, 16 de março de 2012

OS DOIS TEMPOS DA CIDADE

                                          
Antonino Oliveira Júnior

Estou em pé, bem em frente à Igreja matriz. O olhar fixo rumo à estação ferroviária observa o burburinho enlouquecedor de pessoas, carros e motos, em idas e vindas que mais lembram trilhas de formigas a carregarem seus fardos de sobrevivência. Era a antiga rua Antonio de Souza Leão, hoje entregue ao comércio. A rua de seu Alcides, seu Claudino, seu Zequinha da Modelo, de seu João Lopes, do bar de Leo. Ninguém conhece mais ninguém. Ninguém consegue parar. Conversar, nem pensar...mas, ali, eu passava devagar, com meus amigos, vindo do Luisa Guerra e depois do Santo Agostinho...ruas vazias, quietas. As pessoas formigas continuam subindo e descendo.
Viro um pouco o corpo e a rua da matriz e a mesma agonia, o burburinho do desce e sobe, dos locutores das lojas. A rua de seu Catarino, da farmácia de seu Chico, seu Joel Alfaiate, a rua de seu Pipiu, seu Duca, de dona Cecita, a casa de seu Tune, de seu Figueiredo, a rua de tanta gente...tá lá um corpo estendido, crivado de balas, a moça que apanha do “seu amor” madrugada a dentro, aos gritos, na minha rua, a rua do garrafão, do barra-bandeira, do cine Santo Antonio, nossa diversão maior...  

O burburinho continua, ninguém sabe quem é ninguém e eu, em pé, olhando o cenário, ora virado para a estação ora virado para a igreja de Santo Amaro. Aquela mesma rua que foi a passarela dos poemas de Theo Silva, as noitadas de Epitácio Pessoa, as serestas, os desfiles ingênuos do sete de setembro.

A minha rua, com um corpo jovem estendido no chão, fuzilado. É só um jovem dos muitos sem assistência, sem lazer, sem horizontes, presa fácil das drogas, destino das balas. A mesma rua do eu menino, com meus amigos, sem medos, sem traumas. Olhei novamente para tudo e senti saudade de mim.
Antonino Oliveira Júnior  é da Academia Cabense de Letras

quarta-feira, 14 de março de 2012

MÁRIO QUINTANA EM GOTAS

Mario Quintana 
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
O Silêncio
Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, n ão quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio…

Sinônimos
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.

Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos…
O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Pequeno Esclarecimento
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio – um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio… Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.
Da Observação
Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…
Dos Mundos
Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo…
Decerto não gostou lá muito do que via…
E foi logo inventando o outro mundo.
A Verdadeira Arte de Amar
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
Exame de Consciência
Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?
A Grande Surpresa
Mas que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo…
Evolução
O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
Música
O que mais me comove em música
São estas notas soltas
- pobres notas únicas -
Que do teclado arranca o afinador de pianos.
Urbanística
Como seriam belas as estátuas equestres se constassem apenas dos cavalos!
Dos Nossos Males
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…
Trova
Coração que bate-bate…
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer.
Dos Milagres
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo…
Nem mudar água pura em vinho tinto…
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.
Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.
O Pior
O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.