quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO

 
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.   
É uma elegância desobrigada.      
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.        
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.    
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.      
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.         
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.  
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.        
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.     Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Educação enferruja por falta de uso.      
"LEMBRE-SE de que colheremos, infalivelmente aquilo que houvermos semeado.  
Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas. Fique alerta quanto ao momento presente. Plante apenas sementes de sinceridade e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade. Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou."   
"Se o melhor é possível, O bom não é suficiente"
Sandro José Conde Monteiro .'.    
CHESF- Cia Hidro Elétrica do São Francisco        
DSE/DEAS



terça-feira, 30 de agosto de 2011

"UM GIRASSOL SEM SOL”..

Passava por estradas infindas
Numa viagem sem destino
Levava apenas lembranças
De um passado deixado pra trás...

Recordações brotavam na mente
A saudade me fazia pensar
Via o mundo através da janela
Numa imagem quase de paz...

Estendia meus olhos ao horizonte
Buscando sonhos e felicidade
Como um girassol quando se abre
Procurando nos raios de sol a liberdade...

Quase sem perceber o caminho
Tudo passava pelos meus olhos
Numa mágica paisagem
De luz e sombras desenhando a eternidade...

Escurece... A noite vem
Os olhos se fecham
As luzes se apagam
A viagem continua...

Já não sinto mais frio
Nem o medo do desconhecido
Deixo-me levar pela noite
Sentindo o beijo caliente
Da magnífica Lua...

By MC
24/03/2009"
Terceira filha de uma família de cinco, canceriana do dia 22 de Junho.
Desde cedo, despertou o amor à arte de escrever.
A letra sempre bordava as mais belas palavras, em tudo o que fazia.
Em cada pedacinho de papel perdido, nos guardados sempre havia alguma de minhas mensagens registradas para o memorial de minha existência.
Meu caminho percorrido até agora foi bastante compensador devido a certas barreiras que precisei enfrentar.
Hoje, realizando meu sonho, agradeço a vida por me dar a chance de conquistar o tempo para renascer na poesia!!
“A Deus pela perseverança e coragem em buscar a fonte cuja sede reclama”.
""Sou a porta aberta ao infinito da imaginação... Sou a página virada no livro da inspiração..." cecibarretto@hotmail.com

ALIANÇA DIVINA



Antonino Oliveira Júnior

Os nossos corpos, amada minha,
no momento, distantes,
exultam neste dia, a cada instante
a alegria de sentir tua ausência.
alegria de sentir saudade
de fechar os olhos para ver-te aqui,
porque a alegria que nos une os corpos
une também nossas almas gêmeas,
entrelaçadas pelo amor Divino.

27/08/2011 - I Congresso dos homens batistas - Itamaracá
*Antonino Oiveira Júnior é da Academia Cabense de Letras

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

EU AMO TUDO O QUE FOI




Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
...
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

À ESPERA DO ÚLTIMO GIRASSOL & OUTROS POEMAS


É o título do novo livro do poeta Natanael Lima Jr. a ser lançado pela Editora Bagaço, trazendo novos poemas de mais um membro da Academia Cabense de Letras.

Pela qualidade indiscutível do que escreve Natanael Lima Jr., é grande a expectativa pelo lançamento de:

 À ESPERA DO ÚLTIMO GIRASSOL & OUTROS POEMAS
22 setembro/2011 – 19h (Quinta-feira)
Bela Casa Recepções na Rua Mal. Hermes da Fonseca, 200 Piedade – Jaboatão dos Guararapes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

DEZ COISAS QUE LEVAMOS ANOS PARA APRENDER

  (Luis Fernando Veríssimo) 

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa. 
(Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha) 

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas. 
(Tá cheio de gente querendo te converter!) 

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.  

 (Na maioria das vezes quem tá te olhando também não sabe! Tá valendo!) 


4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca. 

 (Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra!) 

5. Não confunda sua carreira com sua vida.

 (Aprenda a fazer escolhas!) 

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite. 

(Quem escreveu deve ter conhecimento de causa!) 

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria 'reuniões'. 

 (Onde ninguém se entende... Com exceção das reuniões que acontecem nos botecos...) 

8. Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença mental'. 

 (Ouvir música é hobby... No volume máximo as sete da manhã pode ser doença mental!) 

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito. 

 (Que bom!) 

10. Lembre-se: Nem sempre os profissionais são os melhores. 
Um amador construiu a Arca. 
Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. 

(É Verdade mesmo)

A CAPELA

Por Celina de Holanda

Era a capela do engenho
branca de amor e de cal
no seio verde pousada
nos acolhia e sentava
nos dava seu pão e vinho.

E eram as mães que ali davam,
o leite de amor que tinham,
na paz de quem não se guarda
da vida que tem em si,
(caminhos de velha estrada
levando onde querem ir).

E uma e outra se davam
à fome vária daqui.

Celina de Holanda é a patrona da Academia Cabense de Letras

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FLIPORTO 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

DESIDERATA



Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade".
DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração.
Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692.

Max Ehrmann, poeta e advogado de Terre Haute, Indiana, que viveu de 1872-1945.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

LÊNIN ESCREVEU O "DECÁLOGO"



Em 1913, Lênin escreveu o "Decálogo" que apresentava ações táticas para a tomada do Poder.

a) Qualquer semelhança com os dias de hoje, não é mera coincidência.

b) Tendo a História se encarregado de pôr fim à questão ideológica, a meditação dos ideais, então preconizada, poderá revelar assombrosas semelhanças nos dias de hoje, senão vejamos:

1.. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;

2.. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;

3.. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;

4.. Destrua a confiança do povo em seus líderes;

5.. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;

6.. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;

7.. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;

8.. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;

9.. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os “não comunistas”, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

10.. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

AI SE SESSE (Poeta Zé da Luz)

Disseram ao poeta Zé da Luz que para falar de amor era necessário um português correto, aí ele escreveu esse poema:


Ai se sesse

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Severino de Andrade Silva, nasceu em Itabaiana, PB, em 29/03/1904 e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 12/02/1965. O trabalho de Zé da Luz é conhecido pela linguagem matuta presente em seus cordéis.

Zé da Luz, poeta, das terras nordestinas, nasceu em 29 de março de 1904 em Itabaiana, região agreste da Paraíba e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Veio ao mundo como Severino de Andrade Silva e recebeu a alcunha de Zé da Luz. Nome de guerra e poesia, nome dado pela terra aos que nascem Josés e, também, aos Severinos, que se não for Biu é seu Zé.

Sua poesia é dita nas feiras, nas porteiras, na beirada das estradas, nas ruas e manguezais. Perdeu-se do seu autor pois em livro não se encontra. Se encontra na boca do povo, de quem tomou emprestado a voz, para dividi-la em forma de rima e verso.

Seus poemas têm a cor do nordeste, o cheiro do nordeste, o sabor do nordeste. Às vezes trágico, às vezes humorado, às vezes safado. Quase sempre telúrico como a luz do sol do agreste.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ANTONINO JUNIOR COMENTA AS RELIGIÕES


Antonino Júnior, confrade da ACL Academia Cabense de Letras, faz um comentário rápido sobre as religiões no momento atual e suas consequências...

POR QUE NÃO EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA?


Por Douglas Menezes

         Nas ruas, nos transportes coletivos, no trânsito, as pessoas trocam agressões: verbais, físicas ou com gestos. Definitivamente, a tão outrora decantada gentileza brasileira não existe mais. O homem cordial deu lugar a um ser que parece não saber, direito, como direcionar os bens materiais adquiridos recentemente, no sentido de uma vida verdadeiramente humana, e mais solidária. É preocupante observar as conversas de pessoas simples, principalmente nos celulares, que parecem estar sempre se preparando para uma guerra, ou falando com um inimigo letal. Muitos, aos gritos, expressam um ódio, tão intenso, ao telefone, que nos sugerem uma tragédia prestes a acontecer. São ameaças e promessas de vinganças, com o agravante de que não se preocupam com quem está ouvindo, como um fato corriqueiro, numa “animalização” que tira a capacidade de raciocínio e de sensibilidade inerentes aos seres humanos.

          Claro, e isto é bom, que as pessoas, hoje, comem mais, vestem melhor e compram bens que não tinham há algumas décadas atrás. O avanço econômico e tecnológico é evidente. A transferência de renda uma necessidade para um país com uma enorme dívida social. No entanto, como diz o poeta, “ a gente não quer só comida”. O brasileiro precisa rever princípios éticos e morais, inclusive não ter receio de, em alguns casos, voltarmos ao passado. A nossa democracia, ainda incipiente, entende, equivocadamente, a liberdade como um fazer tudo sem preceitos nem regras, mas elas devem ser rígidas e necessárias, às vezes. E a falta de educação ética e moral leva, principalmente os jovens, a ações que sempre deságuam nas drogas e na violência desenfreada, fruto, sobretudo, da desintegração das famílias. Todos os anos milhares de vidas de jovens são cortadas neste país, de modo estúpido e banal. É a existência desvalorizada ao último grau.

           Sem querer ser saudosista ou fazer apologia à ditadura militar, Deus nos livre, sentimos falta dos alunos que cantavam o Hino Nacional no pátio da escola, antes do início das aulas; dos estudantes que se levantavam em sinal de respeito à chegada de alguém estranho no seu ambiente de estudo, além do tratamento respeitoso aos professores e autoridades escolares. Símbolos nacionais eram tidos como sagrados, a exemplo da bandeira, que hoje é vista pelos mais jovens como um pedaço de tecido desenhado, apenas. Até a seleção brasileira, um dos nossos orgulhos em décadas passadas, quando o Brasil parava à hora dos jogos, agora não atrai a atenção que deveria atrair, por conta também do mercantilismo, dos interesses meramente comerciais que giram em torno do futebol. A seleção deixou de ser a pátria de chuteiras, como bem dizia Nelson Rodrigues.

            Os gestos gentis escasseiam. A guerra civil instalada só não tem o nome oficial. A hostilidade é regra, quando deveria ser exceção. Ser educado é ser ultrapassado, é sentir saudade de um país que morreu. Evitar discussão desnecessária é acovardar-se. Ser digno é se impor ao outro, numa relação de domínio. Admirado é o esperto, que enriqueceu roubando e ascendeu socialmente de modo ilícito. E essa frouxidão de princípios éticos atinge diretamente a política, com os sucessivos escândalos, já tão comuns, causando essa anestesia da população, já acostumada e descrente de que seu dinheiro seja respeitado e usado como deveria ser um dia.

            O Brasil, urgentemente, precisa de um choque ético, e o Poder Público possui uma responsabilidade central nessa questão. E isto deve ser feito mesmo que tenhamos que recorrer ao passado, naquilo que ele possa ter representado de bom. Afinal, o tempo que passou não deve impedir o presente, mas, com certeza, serve de balizamento e de imensa contribuição para o futuro que as novas gerações irão promover.

Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PROVÉRBIOS!


“Há seis coisas que o Senhor detesta; sim, há sete coisas que Ele abomina: olhos altivos, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente; coração que maquina projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal; testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.”

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

NÃO ENTENDO


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. (Clarice Lispector)

sábado, 6 de agosto de 2011

A CERTEZA DA ARANHA


Roberto Menezes*


Uma aranha tecelã na cela
É minha última companhia
Que tece os fios invisíveis
De uma melancólica manhã
Aranha que tece o tempo
Enquanto junta seus fios
Que parecem fortes
como as correntes
Que me prendem como bicho
Nesta escura cela fria
Por lutar contra reis e poderes
No refúgio inútil da utopia.

Minha amada, estás longe
E eu aqui sem liberdade
Só posso na imaginação
Tocar, lamber, cheirar, beijar
Teu corpo, tua intimidade.

Julgado e condenado
Cravo minha unha na parede
Para apagar o teu nome
Escrito num desatino
Porque não quero pra ti
Esse meu cruel destino.

Na cela fria e escura
onde espero a morte
Uma aranha tece poemas
pra mim
E deixa neles a certeza
De que está perto
o meu fim.

Sim
Já ouço os passos
Dos meus algozes e um padre
Pra encomendar minha alma.
Penso em ti, minha amada,
Nas tuas coxas, no teu sexo, nos teus pelos.
E minha língua e nariz são os donos
Dos teus gostos e cheiros mais ocultos.

Me sobrevém uma grande calma
E encaro o sacerdote
que abria um missal :
“Padre, como posso
salvar a sua alma
Da hipocrisia e do mal ?”
Um soldado me esbofeteia
E me empurra pra fora da cela
Agora mais fria porque vazia.

Só ficou a aranha e sua alegria
Rindo do padre, rindo de mim
Tecendo a teia sem parar
para seu próximo companheiro:
Um outro prisioneiro
Que na certa vai chegar

Madrugada de 21/março/2011

*Roberto Menezes é jornalista

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SEXTA DE LETRAS ADIADO

 
A ACADEMIA CABENSE DE LETRAS comunica o adiamento do SEXTA DE LETRAS que aconteceria nesta sexta-feira, dia 5/08, quando seria prestada homenagem a MILTON LINS, membro da ACL e da Academia Pernambucana de Letras.

O evento foi adiado por conta de uma cirurgia a que teve que se submeter o homenageado, o que o impede de comparecer à Câmara de Vereadores do Cabo, onde seria homenageado. Uma outra data será anunciada pela Academia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

LIMARCOS LANÇA NOVO CD

O cantor LIMARCOS estará lançando brevemente seu mais novo CD: LIMARCOS "VIVA" Uma história de amor.
A festa acontecerá no sábado 10 de outubro às 20 hs na Churrascaria O Chicão, localizada na Av. Historiador Pereira da Costa na cidade do Cabo de Santo Agostinho-PE. Contatos pelos fones: (81) 8846-1795 / (81) 9968-7283.
É a volta do filho pródigo à terrinha, após o sucesso consagrado em vários estados do Nordeste como Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e agora na Bahia (residindo inclusive em Salvador).  
Quem não se lembra de "Americana"? Pois é! O nosso "Viva" estará prestigiando o Vale do Pirapama, numa confraternização musical esperada e  embalada pela "Voz Romântica" e inconfundível de LIMARCOS.  

quinta-feira, 28 de julho de 2011

DIMINUA O RITMO


Alguma vez você já observou crianças num carrossel?

Ou uma escola de samba inteira na avenida?

Ou ouviu a chuva batendo no chão?

Alguma vez já seguiu o vôo de uma borboleta?

...ou fixou o olhar no sol no crepúsculo?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Você corre através de cada dia voando?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Você disse alguma vez a uma criança:
Vamos deixar para fazer isto amanhã?

E na sua pressa, não viu a tristeza dela?

Perdeu contato, deixou uma boa
Amizade morrer porque você nunca
Tinha tempo para ligar e dizer "oi"?

É melhor você diminuir o passo.

Não dance tão depressa...
...o tempo é curto, a música vai acabar...

Quando você corre tão depressa
Para chegar a algum lugar,
Você perde metade da satisfação de chegar lá.

Quando você se preocupa
E se apressa em seu dia todo,
É como se fosse um presente que não foi aberto...

Um presente jogado fora!

A vida não é uma corrida...

... Leve-a mais devagar...
... Ouça a música...
... Antes que a canção acabe!


(autoria desconhecida)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

UMA VIDA DE PROBABILIDADES

Viver em busca da felicidade, esse é o chavão eterno do homem, que muitas vezes nem mede as consequências para atingi-lo. Daí ele se depara com os conflitos existenciais inerentes à própria formação humana. Vive-se uma existência de probabilidades, onde as paixões se confundem com os acertos e os induzem a permanecer nessa estrada de tentativas, complementada de erros e frustrações.

Torna-se imprescindível, uma postura equilibrada principalmente na tomada de decisões, pois os posicionamentos, muitas vezes, escapam à normalidade, ou seja, o senso de justiça, a imparcialidade. Como é difícil o homem transitar sem se deixar desviar pelas tentações alienatórias! De forma contumaz, sem perceber, subitamente, ele está totalmente mergulhado nessa avalanche destruidora, servindo de conforto, simplesmente, o fato óbvio dele não ser o único.

Ter uma visão ampla com uma consciência prática, observando todas as variantes possíveis, torna-se muito difícil, principalmente nessa enxurrada de supérfluos, de forma enlouquecedora, incentivada pela globalização diante das novas tecnologias.

Como fica o cidadão simples que depende dessas soluções e desses apoios?  Está Cada vez mais difícil uma resposta coerente e esses resultados de probabilidades inconsequentes transmitem a impressão que vem de muito longe, desde as cavernas, tendo ainda que o acompanhar por um longo período.

É imprescindível continuar mantendo a crença em Deus que é o Grande Arquiteto do Universo, só ele ensinará o caminho da verdadeira iluminação, sem os ranços opacos da intolerância, do preconceito, da corrupção, da tirania, dos erros e principalmente da ignorância...

João Sávio Sampaio Saraiva é membro da ACL Academia Cabense de Letras e da AMLO Academia Maçônica de Letra de Olinda.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMIGOS

No "Dia do Amigo" façamos uma reflexão e certamente encontraremos a palavra saudade, e aí perceberemos nossas forças revitalizando e a vontade de acontecer vindo à tona, como um chamamento... É hora de se dar mais uma vez as mãos, de sonharmos juntos, sempre...  
João Sávio.

Vinicius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho
deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem desaparecidos todos os meus amores,
mas enlouqueceria se desaparecessem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese,
dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

LÍRIOS, TULIPAS & ESCORPIÕES


Primeiramente, há de se deixar bem clara nessa proposta literária de Valéria Saraiva, três aspectos a serem considerados. Em primeiro lugar coloco o propósito da poetisa, em construir respostas dentro de uma abstração, para uma arte que procura sanar o que ela considera como o irremediável vácuo da sua geração, como produtora de arte. Em segundo lugar a grandeza artística que efetivamente é manifestada aqui como poesia, transpondo as fronteiras além da imaginação e confortando íntimos correlacionados.  E em último lugar o conteúdo apresentado dá uma conotação intelectual à autora: clarividência do pensamento sobre o mundo, a concreta reflexão acerca do outro e sobre si mesma, o mergulho nas águas profundas da alma humana e um gênio professoral.  Valéria Saraiva nos induz a alcançar uma poetisa pedagógica – uma poesia que educa, uma orquestração filosofante – mesmo que lá nas entranhas, se dê a perceber, um evidente querer dar o que pensar, próprios dos modos de sabedoria. Pretende Valéria Saraiva apenas provocar a imaginação artística dos outros, doando-lhes matéria prima.
A poesia que aqui se publica é primorosamente condensada em sua construção formal (os fatos históricos, a terra esquecida, as origens, os impactos alertadores que tanto ensina) e generosamente engrandecida, tanto no espectro multifocal dos cenários (as concretas e principalmente as psicológicas) quanto à longa abrangência dos poemas, frutos da justaposição dos fragmentos unidos a um tipo de suspiro transversal das mesmas conjunções da escrita musical.   A capacidade intelectual e o gênio globalizado muitas vezes não estão em muitos, está diante de um caso em que se traduz numa só.  Na Superabundância de potências de uma só poetisa. Valéria Saraiva permite-se ao longo da sua produtiva vida intelectual, diversificar a inteligência e fazer crescer o seu gênio.
Parabéns, querida sobrinha, vamos continuar a alimentar essa chama poética na semântica dos redemoinhos tropicais do Araripe, migrando ao Atlântico com sua sonoridade Virgolineana e arrastando-se na caatinga e nos fluxos armoriais do Capibaribe, Ipojuca e Pirapama.
João Sávio Sampaio Saraiva é membro da Academia Cabense de Letras e da Academia Maçônica de Letras de Olinda.