sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A UMA PASTORA TÃO FORMOSA COMO INGRATA

Alexandre de Gusmão

Pastora a mais formosa e desumana,
Que fazes de matar-me alarde e gosto,
Como é possível que a um tão lindo rosto
Unisse o Céu a uma alma tão tirana?

Cruel! Que te fiz eu, que me aborreces?
Tens duro coração, mais que um rochedo!
Sou tigre, ou sou leão, que meta medo,
Que apenas tu me vês desapareces?

Por ti tão esquecido ando de tudo,
Que o gado no redil deixei faminto;
O sol me fere a prumo, e não o sinto,
A ovelha está a chamar-me e não lh’acudo.

Lá vai o tempo já que em baile e canto
Eu era no lugar o mais famoso;
Agora, sempre aflito e pesaroso,
Só o que sei é desfazer-me em pranto.

Há pouco que encontrei alguns Pastores,
Que iam comigo ao monte após o gado,
Que não me conheceram de mudado,
Que tal me tem parado os teus rigores!

Até o rebanho meu, que um dia viste
Tão nédio antes que eu enlouquecesse,
Não come já, nem medra, e se emagrece,
Por dó que tem de ver-me andar tão triste;

Ele me guia a mim, não eu a ele,
Que vou nos meus pesares enlevado;
Bem pode o lobo vir, levar-me o gado
À minha vista, sem que eu dê fé dele.

Não sei que nuvem trago neste peito,
Que tudo quanto vejo me entristece;
A flor do campo parda me parece;
Até ao mesmo sol acho imperfeito.

Do alegre prado fujo para o escuro
Da serra me retiro entre os rochedos;
Ali pergunto às feras e aos penedos
Se alguém há mais que tu cruel e duro.

Ali ouço soar rompendo o mato
Do ribeirinho as saudosas águas,
E em competência vão as minhas mágoas
Dos olhos despedindo outro regato.

Este mal, que hoje sofro, eu o mereço,
Que ingrato desprezei quem me queria;
Agora se me vê, faz zombaria,
Que bem vingada está no que padeço.

Então não conhecia o que amor era
Também me ria do tormento alheio;
Oh! quão cedo (inda mal) o tempo veio
Que o conheço já mais do que quisera.

Não me desprezes, não, gentil Pastora,
Que igual castigo Amor talvez te guarda;
Não sejas à piedade avessa e tarda,
Tem dó de maltratar a quem te adora.

ALEXANDRE DE GUSMÃO (Santos, 1695-1753) serviu nove anos como secretário particular de D. João V; e deixou cartas que não são obras de escrupulosa linguagem, mas nas quais dá provas de sagacidade, espírito observador, e admirável tino prático. Retirado dos públicos negócios depois da morte de D. João V, perdeu dois filhos no incêndio que lhe devorou a casa, e apenas sobreviveu um ano a tão infausto sucesso.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SOLTE AS AMARRAS

*Erivaldo Alves

“Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo de voar. Por isso abandonam o vôo e se protegem em gaiolas” Rubem Alves.

Parece muito real o fato que sonhamos o vôo, mas tememos as alturas.

Atualmente, os seguimentos religiosos, parecem uma enorme feira onde se vendem pássaros engaiolados de todos os tipos. Às vezes, esses pássaros saem de uma gaiola (uma religião) e entram noutra.

Fica claro que os hereges, são os pássaros que não se deixam prender. Quando as gaiolas são feitas de ferro, é fácil percebê-las, mas quando são de ensinamentos, doutrinas, dogmas, prendem por dentro. E ai fica difícil escapar. E quando se escapa, as feridas aparecem e as doenças da alma são notórias. Quem já creu e não crer mais que o digam.

Quebrar essas gaiolas internas não é fácil! Pois elas “dão segurança”. Uma espécie de liberdade dentro da prisão. Há muitas gaiolas diferentes. Mas todas elas são gaiolas. Geralmente os donos dessas gaiolas e dos pássaros, são donos da verdade e absolutos em seus posicionamentos

Livrar-se das coisas que nos mobilizam em um só lugar não é tarefa fácil. Em um jogo de cartas, o segredo dos vencedores, está em saber descartar. Na vida, como no jogo de cartas, o que importa é saber descartar – se livrar dos embaraços.

Forças ou hábitos exercem profunda influência. Terei de me livrar deles. Principalmente daqueles que me condicionam. O escritor aos Hebreus põe a questão da seguinte forma: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta” (Hebreus 12.1).

Precisamos descartar o que quer que nos atrapalhem.

Precisamos descartar as prioridades erradas que nos impedem de chegar ao que é mais importante. Talvez o problema seja o medo, ou a dúvida, ou o sentimento de inadequação. Deus chamou Moisés para governar seu povo, mas Moisés não queria sair do seu lugar. Sua baixa auto-estima o conduziu às seguintes evasivas: (conf. Êxodo 3.11, 4.1,10)

• “Quem sou eu para apresentar-me a faraó?”
• “E se eles não acreditarem em mim nem quiserem me ouvir?”
• “Nunca tive facilidade de falar”
• “Não consigo falar bem”

Para soltar as amarras, se faz necessário se desprender da necessidade de segurança e proteção.

Às vezes o que nos prende, a corda que nos segura, é um irmão nosso, um de nossos pais, o nosso líder (foi assim com Davi). Conforme O livro de I Samuel 17.28. Há algumas pessoas em nossa vida que são nossas cordas. Isto é, são pessoas que nos prendem. São aqueles que quando levantamos vôo eles se sentem presos e não voam conosco. No de Davi era seu irmão Eliabe que após ver seu irmão sendo ungido como rei de Israel, assim se referiu a ele: “Por que você veio aqui? Com quem deixou aquelas poucas ovelhas no deserto? Sei que você é presunçoso e que o seu coração é mau” (I Samuel 17.28).

Às vezes nossas cordas são imperceptíveis para nós e até gostamos das amarras. Isto porque nos sentimos seguros e não corremos risco. No filme Sonho de Liberdade o personagem interpretado por Morgan Freeman, fala do medo dessa liberdade sentida por quem passou tempo demais preso:

“No começo, essas paredes, você as odeia. Elas te deixam louco. Depois de algum tempo você se acostuma com elas, nem mais nota que elas estão aí. Até que chega o dia em que você se dá conta de que precisa delas”.

Muitos de nós nos queixamos das amarras ao invés de desatá-las. Há quem goste de status de vítima. Se alguém se aproxima e desata-lhe as cordas, ela mesma torna a amarrar-se.

Algumas perguntas que podem ajudar à liberdade:

1. Que cordas estão lhe amarrando?
2. Você deseja arrebentá-las?
3. Ou você já está acostumado? Está com medo da liberdade?
4. Você pode libertar-se sozinho ou precisa da ajuda de alguém?

Reflexão por ocasião do culto de ação de graças do Ministério de Homens da IEBC
17.10.2009 PIEBGarapu -28.04.2010. Pastor Erivaldo Alves.

*Erivaldo Alves é Pastor da Igreja Batista da Cohab e membro da Academia Cabense de Letras.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DESEJO


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar

E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo

Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada

Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem

Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar

Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar

E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar

Victor Hugo

No mês de fevereiro de 2002, a França inteira prestou homenagens ao seu maior poeta. Victor Hugo, pai ficcional do popularíssimo Quasímodo, o corcunda de Notre-Dame, da cigana Esmeralda e do ex-convicto Jean Valjean, nasceu dois séculos atrás, no dia 26 de fevereiro de 1802. Ele teve a merecida sorte de ver-se consagrado em vida, situação que talvez somente Voltaire, outro titã das letras francesas, morto em 1778, conheceu antes dele. A obra de Hugo é um oceano, abrigando todos os gêneros conhecidos, da poesia ao ensaio cultural, da novela ao panfleto político, do romance ao teatro, nada desconheceu. A produção dele, que se estendeu por 70 anos ininterruptos, até quase a sua morte em 1885, foi impressionante. Dizem que escreveu mais de "um milhão de versos", além de engajar-se de corpo e alma nas lutas políticas e ideológicas do século XIX. Victor Hugo, acima de tudo, foi um colosso moderno.

"Dante uma vez fez um Inferno com a poesia, e eu escrevo sobre o Inferno que é a vida real de nossa época."
Victor Hugo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"SEXTA DE LETRAS" divulga a obra desconhecida do poeta Paulo Cultura

                                                                 Por Tereza Soares

O projeto Sexta de Letras promovido pela Academia Cabense de Letras (ACL), terá como palestrante, no próximo dia 05 de novembro, sexta-feira, o poeta Natanael Lima. Ele abordará ‘A Vida e a Produção Poéticas do Poeta Paulo Alexandre Silva’, conhecido no meio cultural como Paulo Cultura (in memorian). O escritor cabense também recitará poesias inéditas de Paulo Cultura, divulgando a obra desconhecida do poeta, que integra o patrimônio imaterial da poesia do Cabo de Santo Agostinho. O evento acontece a partir das 19h na Casa Legislativa.

O projeto Sexta de Letras tem o objetivo de proporcionar encontros abertos ao público com membros da Academia, que expõem sobre obras de seus patronos ou temas de relevância literária. A entrada é gratuita e os acadêmicos estarão à disposição para divulgar suas obras. “Assim como Paulo Cultura, outros poetas de valor literário são desconhecidos no Município, por falta de uma política de incentivo e fomento à Cultura local”, denuncia Natanael Lima.

“A Academia Cabense de Letras se prepara para mais um passo em direção à Cidadania Cultural na Câmara de Vereadores. O espaço político da Casa Vicente Mendes será transformado em momentos de interatividade literária com estudantes e a população em geral”, comenta o Presidente da Academia, Nelino Azevedo, explicando que o Projeto Sexta de Letras foi pensado para promover e elevar o debate cultural na cidade.

Cada reunião do Projeto Sexta de Letras terá um tema específico, podendo ser um autor ou uma obra, que será apresentado por um dos membros, seguindo-se o debate com a intervenção dos demais acadêmicos. Até agora, já tiveram suas performances no ‘Sexta de Letras’ os acadêmicos Nelino Azevedo, que versou sobre a obra do escritor Paulo Freire, Douglas Menezes, que proferiu palestra sobre o escritor Graciliano Ramos e o escritor espírita Frederico Menezes, que falou sobre Josué de Castro e a Geografia da Fome.

Teresa Helena Soares da Silva ocupa a cadeira nº 10 da Academia Cabense de Letras que tem como patrono o poeta Théo Silva.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

VOSSAS EXCELÊNCIAS


Cidadãos que se tratam de Vossas Excelências
Mas vivem se agredindo entre si
Respeitem o povo e o que o povo lhes deu
Se rasguem, se mordam, se matem entre si
Porém não deixem que suas brigas
Saiam dos bastidores sujos
Desse circo sujo
O homem comum
O humilde trabalhador
Nada tem haver com a ganância e egocentrismo
De vossas Excelências
Vossas Excelências que pertencem ao partido da opressão
Do egoísmo e da traição
Nunca mais apareçam nas praças da minha cidade
Para pedir voto ao povo
Isto porque: Vossas Excelências nem povo merecem ser
O povo tem memória
E da próxima vez
Vossas Excelências serão
Vossas Excelências nas casas das Vossas Excelências.

Paulo Alexandre da Silva (Paulo Cultura) é o Patrono da Cadeira nº 8 na Academia Cabense de Letras ocupada pelo acadêmico Natanael José de Lima Júnior.                                    

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

SÓ DE PASSAGEM


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.

- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.

E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:

- E onde estão os seus...?

- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.

- Mas estou aqui só de passagem!

- Eu também... - concluiu o sábio.

"A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes."

"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL, SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ILUSÕES DO AMANHÃ

'Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um,
o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer,
Eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor..'

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Esse poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade,de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade!!!!! Ele tem 28 anos, com idade mental de 15.
Peço que divulguem para prestigiá-lo. Se esse garoto com todas as barreiras que ele encontra, acredita tanto no amor, por que a maioria das pessoas que se dizem 'normais' procuram, ao contrário, negar a existência deste mesmo amor ?
(Retirado da postagem do Blog da Ritinha Leal - Pensamentos e Delírios )

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A FOME NO MUNDO

“Mas não é agindo apenas sobre o corpo dos indivíduos, degradando-lhes o tamanho, mirrando-lhes as carnes, roendo-lhes as vísceras e abrindo-lhes chagas e buracos na pele, que a fome aniquila o homem. É também atuando sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social.

No estudo da influência da fome sobre o comportamento humano devemos considerar, em separado, a eventualidade da fome aguda das épocas de calamidades e a da fome crônica, latente ou específica.

Nenhuma calamidade é capaz de desagregar, tão profundamente e num sentido tão nocivo, a personalidade humana como a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Fustigado pela necessidade imperiosa de comer o homem esfomeado pode exibir a mais desconcertante conduta mental. Seu comportamento transforma-se como o de qualquer outro animal submetido aos efeitos torturantes da fome(...). - 1957".  Josué de Castro
 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Celebração à Palavra Escrita", lançamentos!‏

MANEZINHO ARAÚJO

Cantor e compositor, Manuel Pereira de Araújo, o Manezinho Araújo, nasceu no município do Cabo, a 27-09-1910. Tornou-se embolador no Recife, bairro de Casa Amarela, ouvindo Severino de Figueiredo Carneiro (conhecido como Mestre Minona) que foi o primeiro brasileiro a gravar uma embolada.

Durante a Revolução de 1930, era sargento e viajou, com um contingente do Exército, para combater os revoltosos no Rio de Janeiro.

Pouco antes do navio chegar ao Rio, a revolução foi controlada e os militares tiveram que retornar ao Recife. No mesmo navio, viajavam vários artistas famosos (entre os quais Almirante e Carmem Miranda) que resolveram fazer um show a bordo, para matar o tempo.

Alguém, então, lembrou de um sargento "que fazia emboladas como ninguém"; Manezinho interpretou algumas de suas canções e, sob os aplausos de todos, recebeu o seguinte conselho de Carmem Miranda: "Volte ao Rio de Janeiro, cante assim vestido de soldado, que você vai fazer o maior sucesso".

Em 1933, com dois mil réis no bolso, Manezinho deixou o Recife seguiu para o Rio, onde logo participou de programas na Rádio Mayrink Veiga e, depois, gravaria o seu primeiro disco, com duas emboladas de sua autoria: "Minha Prantaforma" e "Se eu Fosse Interventô".

Já fazendo sucesso no rádio e em shows, gravou o segundo disco em 1933, um 78 rotações, com duas emboladas: "Cuidado com o Coco" e "Festa no Arraiá". De 1933 a meados da década de 1950, chegou a gravar 46 discos, com 92 músicas, quase todas de sua autoria.

Apesar do sucesso, ganhou pouco dinheiro com a música e decidiu abandonar a carreira. Em julho de 1956, realizou um show de despedida, no Tijuca Tênis Clube que ficou lotado por 15 mil pessoas.

Com o dinheiro arrecadado no último show, realizou um desejo antigo: montou, no Rio de Janeiro, um restaurante especializado em comida baiana.

Além da música, atuou, também, no cinema, participando de filmes como "Maria Bonita" (1936) e "Laranja da China" (1940). Foi, ainda, pintor e o primeiro artista a gravar um jingle no Brasil, para o sabonete Lifeboy.
Morreu em São Paulo, a 23-05-1993.


Principais obras: "Pra Onde Tu Vai, Valente?"; "Cuma é o Nome Dele?"; "Caminhão do Coroné", etc. Era considerado o "rei da embolada".

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

SINTO VERGONHA DE MIM


Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,

a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".


Rui Barbosa (05/11/1849 - 01/03/1923) foi, sem dúvida alguma, um dos maiores juristas que o país já teve. Somente não podemos afirmar ter sido ele o maior jurista, porque ao seu lado contamos com outros nomes de grande expressão no cenário jurídico nacional. Mas, sem dúvida alguma, foi uma inteligência impar. Era um orador nato. Sabe-se, no meio jurídico, que o mandado de segurança, editado em 1951, teve como inspiração Rui Barbosa, posto que o único remédio jurídico de que dispunha era o habeas corpus e, para tudo quanto fosse direito violado, ele o usava. Mesmo diante de decisões de caráter nitidamente políticos, Rui Barbosa jamais quedou-se. Rui Barbosa nasce aos 05/11/1849, em Salvador e começa seus estudos em 1854, assustando a todos por sua prodigiosidade e, segundo relata Nicola Aslam, "aos dez anos já conhecia os clássicos e principalmente Camões, Vieira e Castilho".

Em 1866 ingressa na Faculdade de Direito do Recife - a primeira faculdade de ciências jurídicas do país, fundada aos 11 de agosto de 1850, razão pela qual este é considerado o famoso "dia do pendura"entre os estudantes de direito.Por falecimento de sua mãe e aconselhado por seu pai, Rui Barbosa vai à São Paulo, para terminar seus estudos, ingressando na faculdade em 1868, tendo como contemporâneos Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves e Castro Alves. Em 01 de julho de 1869 Rui Barbosa é iniciado Maçom na Loja América e, no ano seguinte, apresenta à esta loja um projeto de lei que viria a ser transformado em lei maçônica pelo Grande Oriente do Brasil ao Vale dos Beneditinos.

O PRINCIPIO 90/10



QUE PRINCÍPIO É ESSE?
Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.

O QUE ISTO QUER DIZER?
Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho.
Mas, você é quem determinará os outros 90%.

COMO?

COM SUA REAÇÃO!
Exemplo: você está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação.

ENTÃO, VOCÊ SE IRRITA.
Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal...

Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai para o trabalho também contrariada.

Você tem que levar sua filha de carro pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 minutos de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra sem se despedir de você.

Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso para o dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechadas, em silêncio e frias com você.

POR QUÊ?
Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.

PENSE, POR QUE SEU DIA FOI PÉSSIMO?

A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua causa?

A resposta correta é a da letra "E".

Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.

O café cai na sua camisa, sua filha começa a chorar e então você diz a ela, gentilmente: "está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui dando adeus com a mão.

NOTOU A DIFERENÇA?

Duas situações iguais, que terminam muito diferentes. Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.

AQUI TEMOS UM EXEMPLO DE COMO APLICAR O PRINCÍPIO 90/10.
Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem, reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.

COMO REAGIR A ALGUÉM QUE LHE ATRAPALHA NO TRÂNSITO?
Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe?
E o que acontecerá se você perder o emprego? Vai ficar preocupado, angustiado, perder o sono e adoecer?

ISTO NÃO FUNCIONARÁ!
Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho.
Seu voo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por que manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada.
Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.

Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Por desconhecerem o poder de escolher suas reações diante dos acontecimentos, milhares de pessoas estão sofrendo e se estressando desnecessariamente. E o estresse destrói nossa saúde e nos envelhece.

TODOS DEVEMOS CONHECER E PRATICAR O PRINCÍPIO 90/10.

PODE MUDAR A SUA VIDA!

Stephen R. Covey (Nascido em 24 de Outubro de 1932 em Salt Lake City, Utah) é autor do best-seller administrativo (classificado por alguns como livro de auto-ajuda) Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, publicado pela primeira vez em 1989, como também do livro (Primeiro o Mais Importante), dentre outros. Ele é fundador da Covey Leadership Center em Salt Lake City, Utah, e da "Covey" de FranklinCovey Corporation, que ensina a como fazer planejamentos nas organizações.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MEDICINA INTEGRAL: O LADO BOM DE CADA MEDICINA

Projeto CPM
Palestra - Medicina Integral: o lado bom de cada medicina

Sábado, 25 de setembro de 2010, às 11h00, na Livraria Saraiva do Shopping Recife
Informações: (81) 9182-1275, com Joseane Duque

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DIA DAS ÁRVORES

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

BUSCA DE REVOLUÇÃO


A iniciação é fundamental para a continuação da Maçonaria, porém a escolha de novos exige responsabilidade. Para ser maçom não basta ser livre e de bons costumes, amigo, bom esposo e pai. Exige-se do candidato inteligência e discernimento para absorver as filosofia e doutrina maçônicas para si, agregada à capacidade de espargir a luz deste conhecimento aos outros.

Busca-se pessoa que: crê em Deus e numa vida futura; seja sociável, honesta, livre e de bons costumes; possua comportamento moral ilibado; reconheça a importância dos valores; traga dentro de si bons costumes adquiridos da educação; busca incessante evolução; seja estudante dedicado; entenda o conceito de liberdade responsável; tenha pensamento aberto; respeite o pensamento do outro; possua boa vida familiar; disponha de recursos financeiros para despesas pecuniárias na instituição; possua ilibado comportamento, apto, disposto a lutar pelo bem estar da humanidade. Para entrar na Maçonaria há necessidade que alguém represente o cidadão, que conheça suas qualidades e esteja apto a julgar se o convite é viável. Confirmadas as qualidades do candidato acontece o convite. Só depois de certificar merecimento faculta-se ao cidadão pedir adesão.

Viver de acordo e em plenitude com a filosofia maçônica é de difícil alcance. O maçom já existe dentro do candidato, o que se faz é encontrá-lo e iniciá-lo. Não está fácil encontrar homem voluntarioso para trabalhar pela evolução da humanidade. É árduo o procedimento de convidar alguém que demonstre o conjunto de características desejadas. Não apenas atuante na filantropia, mas de forma comprometida e proativa engajar-se na luta para a solução de problemas da humanidade; alguém ciente da necessidade de melhorar sua educação; dotado de humildade e energia para efetuar mudanças em si mesmo. O candidato deve possuir boas características antes de entrar; a Maçonaria não é reformatório!

Considerando a importância da questão para continuidade da Maçonaria cabe ao mestre maçom debater o tema da escolha de novos junto a seus irmãos e sob a luz da sabedoria do Grande Arquiteto do Universo.

Charles Evaldo Boller
ARLS Apóstolo da Caridade nº 21
Or.'. de Curitiba - PR

REVOLUÇÃO DA ALMA


Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto " Revolução da Alma“ no ano 360 A.C. e é eterno.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser dono dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.

A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.

Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.

Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.

Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto" para ser feliz.

Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.

Pare de esperar a felicidade sem esforços.

Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.

Critique menos, trabalhe mais.

E, não se esqueça de nunca de agradecer.

Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.

Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.

"A GRANDEZA NÃO CONSISTE EM RECEBER HONRAS, MAS EM MERECÊ-LAS."

A ARTE DE NÃO ADOECER


Se não quiser adoecer...

...Fale de Seus Sentimentos.

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros... O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!

Se não quiser adoecer...

...Tome Decisões.

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer...

...Busque Soluções.

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer...

...Não Viva de Aparências.

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer...

...Aceite-se.

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer...

...Confie.

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer...

...Não Viva Sempre Triste.

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TUDO TEM SEU TEMPO...


Tudo tem a sua ocasião própria e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.

Há tempo de adoecer e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar.

Há tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar;

Há tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de abster-se de abraçar.

Há tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora.

Há tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar.

Há tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis que fazem parte da nossa vida."

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

7º. ATOAMBULANTE - HOMENAGEM AO COCO DE RODA E AOS MESTRES

A ASSOCIAÇÃO DE TEATRO DE OLINDA realiza no período de 19 a 25 de setembro a setima edição do programa cultural 70 ATOAMBULANTE reunindo atores e grupos teatrais numa verdadeira maratona teatral na cidade de Olinda, levando teatro em várias comunidades periféricas, que tem como objetivo divulgar, promover e expandir o teatro na cidade.

Este ano tem como diferencial a HOMENAGEM AO COCO DE RODA E AOS MESTRES porque se entende que assim estamos fortalecendo as manifestações populares e que as mesmas não tendem a desaparecer, é verdade que o “COCO DE RODA” tem dado provas de ainda vai demorar um pouco para se acabar porque em Olinda ele dialoga com a população seja nos seus variados modalidades COCO DE RODA, COCO DE UMBINGADA, enfim ele cumpre o seu papel cultural e social também onde reune pessoas que resgatam hábitos antigos de convidar amigos, amigas, compadres e comadres a celebrar a alegria e a vida com o coco de roda.

GANHEI CORAGEM

Rubem Alves


"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche.

É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre." Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.

Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção."
Isso é tarefa para os artistas e educadores.

O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves colunista da Folha de São Paulo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

TOCANDO EM FRENTE...


Almir Sater e Renato Teixeira


Ando devagar
Porque já tive pressa
Levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nos compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
Levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nos compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

ETERNO


ETERNO, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!

FÁCIl é ouvir a música que toca.
DIFÍCIl é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

FÁCIL é ditar regras.
DIFÍCIL é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

FÁCIL é perguntar o que deseja saber..
DIFÍCIL é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

FÁCIL é chorar ou sorrir quando der vontade.
DIFÍCIL é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

FÁCIL é dar um beijo.
DIFÍCIL é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

FÁCIL é sair com várias pessoas ao longo da vida.
DIFÍCIL é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

FÁCIL é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
DIFÍCIL é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

FÁCIL é sonhar todas as noites.
DIFÍCIL é lutar por um sonho.

FÁCIL é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
DIFÍCIL é mentir para o nosso coração.

FÁCIL é ver o que queremos enxergar.
DIFÍCIL é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

FÁCIL é dizer "oi" ou “como vai”?
DIFÍCIL é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

FÁCIL é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
DIFÍCIL é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

FÁCIL é querer ser amado.
DIFÍCIL é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Falar é completamente FÁCIL, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
DIFÍCIL é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá...

FÁCIL é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
DIFÍCIL é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

FÁCIL é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
DIFÍCIL é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

FÁCIL é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
DIFÍCIL é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

FÁCIL é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
DIFÍCIL é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O FIM DO PEBODYCOUNT



Esta é a última postagem do Pebodycount. Três anos e quatro meses depois do início da nossa caminhada, anunciamos o fechamento do blog.

A decisão foi tomada pelos quatro editores após a Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE) informar que não seria mais possível repassar o valor em dinheiro que custeava todas as despesas. Impossível continuar.

Acreditamos que cumprimos o nosso objetivo. Nascemos da inquietação. Do sentimento de que era possível cobrar e construir saídas coletivas. Começamos a caminhada em primeiro de maio de 2007, uma semana antes de o Governo do Estado lançar o Pacto pela Vida.

Primeiro, precisávamos informar aos pernambucanos quantos de nós estávamos morrendo todos os dias. Mostrar onde o Estado sangrava mais, onde o corte era maior, mais profundo. Mas isso não bastava. Não queríamos apenas contar cadáveres. Era preciso contar histórias, mobilizar e ajudar a mudar realidades.

Relatar a vida de quem matava e de quem morria. Cobrar responsabilidades, apontar incoerências e bater palmas para os acertos. E foi isso que fizemos. Seguimos assim. Tocando um jornalismo diferente, a que pouca gente estava acostumada. Nada de distanciamento para entender melhor o fato. Fizemos um jornalismo de aproximação, de envolvimento. Um jornalismo militante mesmo, que toma lado e levanta bandeira. Fomos atacados. Jornalismo bandido foi um dos elogios que recebemos.

Fomos acusados de querer manchar a imagem do Estado. Muitos não perceberam que o blog era uma declaração de amor diária a Pernambuco.
E foi isso que aconteceu. Longe da redação. Colocamos luz na sombra. No lugar onde estavam os mortos. Fincamos um contador de mortes no meio da rua, pintamos o chão de vermelho em todos os locais de homicídio durante um mês, levamos o assunto para dentro das universidades, lemos juntos com os padres os nomes dos mortos nas missas dominicais, colocamos cruzes na praia de Boa Viagem, fizemos "um mar de lágrimas" com lenços brancos na Basílica do Carmo, no Centro do Recife, e plantamos árvores para simbolizar 500 vidas poupadas.

Plantamos também a mobilização. Conversamos, ocupamos todos os espaços para tratar do assunto. Levantamos para o mundo uma bandeira vermelha. Apontando que o problema estava aqui, que o problema era nosso. Construímos o maior banco de dados de homicídios do mundo (produzido por uma entidade não governamental), com cerca de 14 mil vítimas de assassinatos ocorridos em Pernambuco entre maio de 2007 e setembro de 2010.

Há quatro anos, segundo o IBGE, o Estado teve 4.638 assassinatos. Os 25 países da União Européia, que juntos somam 459 milhões de habitantes, registraram no mesmo ano 6.697 execuções. Este é o nosso cenário. É onde trabalhamos. A quantidade de cadáveres mensais produz uma monotonia assustadora. Por vários anos, os nossos mortos foram solenemente ignorados. Esquecidos por todos. Não só pelas autoridades. E foi justamente no meio de tanta morte e indiferença que surgiu o Pebodycont.

O fato é que, pela primeira vez no Estado, o governador percebeu que não adiantava repetir o mantra de que o problema da violência era nacional. O entendimento oficial mudou. As mortes são sim um problema de Pernambuco. O governo tem sim responsabilidade pelas pilhas de cadáveres acumulados no IML. Reconhecer o problema era o primeiro passo. E, neste ponto, acreditamos que contribuímos para este entendimento. A missão foi cumprida. Após três anos de Pacto, temos uma luz. Tímida, mas existe ao menos
uma esperança. Continuamos doentes, com febre muito alta. A quantidade de mortes permanece absurda, inaceitável. Mas, pela primeira vez, aparece a ponta de uma tendência de queda. Como jornalistas pernambucanos, vamos continuar acompanhando todas as mudanças de perto. Continuamos firmes e vigilantes. Torcendo e contribuindo para consolidar uma tendência de redução de homicídios. É isso.

A lista de agradecimentos é enorme. Mas queríamos agradecer especialmente a Diogo Menezes (repórter do blog), Andréa Aguiar (designer), Lula Portela (assessor voluntário de imprensa), Rodrigo Lobo (nosso fotógrafo oficial) e a todo o pessoal da Fishy.

Os editores Carlos Eduardo Santos, Eduardo Machado, João Valadares e Rodrigo Carvalho.

CONDE DA BOA VISTA (Francisco do Rego Barros)


Francisco do Rego Barros, Barão, Visconde e depois Conde da Boa Vista, nasceu no dia 3 de fevereiro de 1802, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, no Engenho Trapiche, de propriedade de seus pais Francisco do Rego Barros, Coronel de Milícias e Mariana Francisca de Paula do Rego Barros.

Estudou com professores particulares no engenho onde nasceu e desde muito cedo interessou-se pela carreira militar. Em 1817, com apenas quinze anos de idade, alistou-se no Regimento de Artilharia do Recife.

Em 1821, já como cadete do Exército do mesmo Batalhão, participou do movimento conhecido como a Revolução de Goiana, encerrada com a Convenção do Beberibe, em outubro do mesmo ano. Foi preso e enviado para a fortaleza de São João da Barra, em Lisboa, Portugal, onde foi mantido até 1823. Posto em liberdade, viajou para Paris, bacharelando-se em Matemática.

De volta a Pernambuco, dedicou-se à política. Com apenas 35 anos de idade, em 1837, foi designado presidente da Província de Pernambuco, ficando no cargo até 1844.

Tendo sido educado em Paris, estava decidido a modernizar e higienizar o Recife. Seu governo operou transformações materiais e culturais importantes para a Província.

A vida da cidade ganhou em animação e teve um progresso até então nunca vistos. Francisco do Rego Barros mandou buscar engenheiros franceses de renome, incentivou as artes e as ciências, levando o Recife ao conceito das grandes cidades modernas da época.

Foram construídas estradas ligando a capital às áreas produtoras de açúcar do interior; a ponte pênsil de Caxangá, sobre o rio Capibaribe; o Teatro de Santa Isabel; o edifício da Penitenciária Nova, depois chamada de Casa de Detenção do Recife, onde funciona hoje a Casa da Cultura; o edifício da Alfândega; canais; estradas urbanas; um sistema de abastecimento d’água potável para o Recife; reconstrução das pontes Santa Isabel, Maurício de Nassau e Boa Vista. Mandou construir aterros para a expansão da cidade, sendo o mais importante deles o da Boa Vista que partia da Rua da Aurora rumo à Várzea, chamada de Rua Formosa, continuada pelo Caminho Novo que, a partir de 1870, recebeu o nome de Av. Conde da Boa Vista.

Em 1842, foi agraciado com o título de Barão, promovido a Visconde, em 1860 e elevado a Conde da Boa Vista, em 1866. Foi eleito senador, em 1850 e, em 1865, designado presidente da Província do Rio Grande do Sul, acumulando as funções de Comandante das Armas, estando aquela província já envolvida na Guerra do Paraguai.

Sentindo-se doente e sofrendo com problemas hepáticos, retornou ao Recife no início de 1870, onde morreu no dia 4 de outubro, na sua residência, situada no número 405 da Rua da Aurora, onde está localizada, hoje, a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco.

FONTES:
GUERRA, Flávio. O Conde da Boa Vista e o Recife. Recife: Fundação Guararapes, 1973.
SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Secretaria de Educação, Departamento de Cultura, 1982. p. 201-205.
Lúcia Gaspar: Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

SE NÃO TIVESSE AMIGOS


                                                                 Erivaldo Alves*

(Homenagem ao meu amigo Daniel Xavier, presidente da Associação das Pessoas com Deficiência de Ponte dos Carvalhos). Marcos 2.1-12

“Sem amigos, ninguém gostaria de viver, mesmo que possuísse todas as coisas da vida”
Aristóteles

Imagine como devia ser a vida de um homem paralítico no mundo antigo! O tempo todo deitado em uma maca medindo 90 x 180 cm. Dependendo dos outros para tudo – beber, vestir, comer, tomar banho, conduzi-lo... Sem conhecer o que significa ser independente, uma condição que todos nós prezamos muito. Ele sonha que tem um corpo perfeito. Mas é só um sonho. Sem emprego, sem dinheiro, sem influência.

Acontece que ele tinha algo em seu favor: Tinha quatro amigos. Excelentes amigos! Verdadeiros amigos. Sua história existe por causa desses amigos extraordinários. Não teria se aproximado de Jesus, jamais teria sido curado, jamais teria recebido perdão, não fossem os amigos.

ELE NÃO SE ISOLOU, MAS BUSCOU VIVER SUA DOR NA COMUNIDADE.

Em razão de sua condição física, não era fácil ter amigos. Sua etiqueta declarava: “Mercadoria com defeito.” Imagine que pessoas tidas como normais têm dificuldade de ter amigos verdadeiros, quanto mais pessoas com deficiências físicas!

Na antiguidade, a coisa era muito mais difícil para aqueles que tinham algum tipo de deficiência ou condicionamento físico ou mental.

Os gregos defendiam a eliminação de recém nascidos com algum tipo de anomalia física. Segundo Aristóteles, “Deve haver alguma lei que impeça que as crianças deformadas sobrevivam”.

Os romanos, no século V a.C., legislavam sobre o assunto da seguinte maneira: “Matar rapidamente uma criança deformada”.

Os judeus atribuíam ao pecado, o fato da deficiência.

Hoje apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas por quem tem alguma deficiência, existem respeito e direitos que foram adquiridos através da mobilização de entidades representativas.

Os amigos daquele paralítico se reuniam com ele todos os dias para: Cantar-orar-adorar a Deus comer estudar. Não é de admirar que fossem tão unidos! Alguém já disse que “as pessoas sábias não têm pressa quando o assunto é amizade”.

Talvez a maior barreira que a maioria de nós tem para ter um relacionamento mais intenso com as outras pessoas seja simplesmente o ritmo de nossa vida. Não precisamos ter pressa para ouvir. Não podemos ter pressa para chorar. Não temos que ter pressa para carregar a maca de alguém.

ELE TINHA UMA MACA

Necessitava de alguém que o carregasse (isso era muito constrangedor). As pessoas o viam e sentiam sua fragilidade,suasfraquezas. Cada um de nós tem uma maca e precisamos de alguém que nos ajude a carregar

• É um temperamento difícil de ser controlado,
• É a incapacidade de construir relacionamentos duradouros,
• É o medo de que as pessoas te conheçam com tu és verdadeiramente,
• É a desconfiança nas pessoas,
• É a mentira,
• É baixa auto-estima (por se achar incapaz, feio, solitário),
• É o descontrole financeiro.

Com quem você pode contar para carregar a maca? Você deixa transparecer para seus amigos suas fraquezas e lutas interiores? Você pede a alguém que ore por você e diz pelo que orar? Quem tem permissão para ver suas fragilidades e mesmo assim tê-lo como amigo? Se você deseja ter amizades, não pode ser sempre à parte mais forte. Às vezes, terá de permitir que alguém carregue sua maca.

ELE TINHA AMIGOS DEMOLIDORES DE TELHADOS

Jesus chega a cidade dele. Seus amigos ficam sabendo. Um deles diz: “Não podemos ir até lá sozinhos. Temos que levar nosso amigo. Ele ficará muito contente. Talvez Jesus possa curar nosso amigo. Vamos levá-lo”! Mas atrasaram... Ao chegarem ao local da reunião, o salão estava totalmente repleto de pessoas e não havia mais lugar nem mesmo à porta. Acontece que seus amigos não desistem e têm uma idéia arriscada: “Vamos arrombar o telhado e apresentá-lo a Jesus”. E assim fizeram. Desceram o paralítico e o Senhor elogiou a fé daqueles homens e também curou o paralítico. Se não fossem os amigos, aquele paralítico não teria se aproximado de Jesus e consequentemente não teria sido curado.

*Erivaldo Alves é Pastor da Igreja Batista da Cohab e membro da Academia Cabense de Letras